terça-feira, 5 de novembro de 2019

Momento predito

Desconheço o autor da imagem
via Google
É, eu estarei atrevendo-me sempre na tua companhia. Sempre, pois, não há como deixar um braço, uma mão de lado, eles dançam conosco, mesmo que nossos ouvidos estejam na música. E é assim que me atrevo contigo ou atreve-se comigo desde o sempre que nos coube. Soube-te ainda pedra bruta e mesmo assim, pegastes em minha mão e deitou-me em teu colo, fez-me sorver cada gota da tua presença, até quase me convencer que era eu mesma ali, sem delimitações e até hoje, tenho dúvidas. E nelas, estas dúvidas, nos preservam únicas, pois, quando não me vejo, tenho no reflexo da vida teus olhos, teus aromas a me fazer retornar. E quando não te vejo, entoo um cântico secreto em nós e entre as linhas dos poemas para te ver. E eis que a magia se faz e tudo retorna ao seu lugar – eu e você, nós ou apenas um, não importa. O que nos faz ser, não precisa de nomes, apenas sopros bem sentidos, em cada ponto que desenham as letras; em cada suspiro entre as palavras e em cada silêncio contido entre as paredes quando ambas, emudecem para contemplar a lua e apenas ouvir, a essência de tudo esbarrar em nós e nos denunciar ao mundo. Mundo este que, muitas vezes surdo, não sabe da nossa presença, mas quando souberem, só haverá uma única coisa a fazer, calar e sorrir pelo predito momento de todos, quando eu e você, nos encontramos. 
(Kátia de Souza)
05-11-2019