🦋A persona longe de ser algo a ser abolido (se isso fosse possível), a persona compreendida como máscara, não é relacionada ao que no senso comum, diz-se ser "falsidade", apenas. A persona relaciona-se aos papeis, funções que desempenhamos e diz-se ser uma ilusão, pois, nesses papeis, projetamos o que esperamos dos mesmos ou ainda porque os papeis com sua objetividade, não diz da totalidade do indivíduo. E é no desempenho (experiência) com os mesmos que vamos dando o nosso tom pessoal ou individual. É algo inerente a condição humana e que compreende ou acolhe a individualidade em si mesmo, ao mesmo tempo que "fala" para a sociedade sobre nós, nesse papel.
🦋Não é incomum nos identificarmos com esses papeis e acreditarmos sermos o que desempenhamos onde aquilo que diz da pessoa, fica sempre em segundo plano. Antes de nos denominarmos como mulher, homem, pai, filho, estudante, esposa, professor, entre outros... somos humanos e acima de tudo únicos, individuais. É o humano que faz suas escolhas e os papeis que decide desempenhar. O tom que o mesmo dá a esse papel é que diz de quem ele é, sua fragrância original, por assim dizer. Mas, isto nem sempre é consciente.
🦋Superficialmente ou apenas pela mente racional, nos identificamos com aquilo que fazemos ou apresentamos externamente, mas isso diz apenas de uma parte do que em nós é ou pensamos ser. E nem sempre conseguimos trazer para esses papeis aquilo que é verdadeiramente único, apenas cumprimos projetivamente, aquilo que acreditamos que o papel precisa cumprir.
🦋E é através da consciência dessas personas que se tem a possibilidade, também, de lidar com o coletivo ou o outro de forma mais ampliada, considerando as infinitas "personagens" em nossa sociedade, nossas expectativas em relação a ela e nisso, nossas projeções. E é também assim que o papel objetivo que desempenhamos assume uma postura mais adequada de acordo com o coletivo. É nesse equilíbrio entre subjetivo e objetivo que se tem uma persona em harmonia com o todo. É assim também que, enquanto indivíduo, você sabe da responsabilidade que é esse papel para o coletivo.
🦋Esperamos, muitas vezes, do médico, por exemplo, que o mesmo tenha a resposta e/ou remédio para todos os nossos males físicos e quando o mesmo, não consegue trazer isso de forma objetiva como esperamos, nos surpreendemos ou mesmo nos decepcionamos. Depositamos inconscientemente, no papel do médico, certa onipotência que apenas existe em nossas fantasias e não na realidade objetiva. E quando o médico se identifica com essa onipotência, o mesmo pode trazer grandes problemas a si, ao seu próprio paciente e inevitavelmente, ao tratamento que o mesmo prescreve. Isto pois, mesmo no que se refere as condições físicas, há que se considerar a individualidade desse paciente e identificado com a "onipotência" concedida ao papel de médico, mesmo que inconscientemente, o "foco" deixa de ser esta individualidade para ser o poder que este "tem ou exerce" sobre o indivíduo. E pelo poder não há cuidados, tratamentos de acordo com aquela individualidade e sim, há apenas subjugação.
🦋Saber-se, implica estar conectado com a vida e nisto, reconhecer nossa humanidade, antes, de qualquer outra função ou papel. A humanidade sempre será a base para tudo que desempenhamos, o ser que somos é que diz daquilo que fazemos de e por nós.
🌹Kátia de Souza - 29/07/2021___✍
******
Vejamos o que Jung e Sandford fala sobre o tema, aí abaixo:
“A palavra persona é realmente uma expressão muito apropriada, porquanto designava originalmente a máscara usada pelo ator, significando o papel que ia desempenhar. Como seu nome revela, ela é uma simples máscara da psique coletiva, máscara que aparenta uma individualidade, procurando convencer aos outros e a si mesma que é uma individualidade, quando, na realidade, não passa de um papel, no qual fala a psique coletiva.”
“A persona é um complicado sistema de relação entre a consciência individual e a sociedade; é uma espécie de máscara destinada, por um lado, a produzir um determinado efeito sobre os outros e por outro lado a ocultar a verdadeira natureza do indivíduo. Só quem estiver totalmente identificado com a sua persona até o ponto de não conhecer-se a si mesmo, poderá considerar supérflua essa natureza mais profunda. No entanto, só negará a necessidade da persona quem desconhecer a verdadeira natureza de seus semelhantes. A sociedade espera e tem que esperar de todo indivíduo o melhor desempenho possível da tarefa a ele conferida; assim, um sacerdote não só deve executar, objetivamente, as funções do seu cargo, como também desempenhá-las, sem vacilar a qualquer hora e em todas as circunstâncias.”
C.G. Jung em Os Arquétipos e o inconsciente Coletivo
*****
“O problema da persona surge quando nos identificamos demais com ela. Quando achamos que somos aquela persona que estamos vestindo, a persona está sendo mal empregada. (…) sua personalidade real fica oculta e elas ficam limitadas pelo papel representado pela persona. (…) A identificação com a persona leva ao artificialismo, falsidade e superficialismo da personalidade. ”
(Sandford, John. Mal, O lado sombrio da realidade, pg 88)
Vejamos o que Jung e Sandford fala sobre o tema, aí abaixo:
“A palavra persona é realmente uma expressão muito apropriada, porquanto designava originalmente a máscara usada pelo ator, significando o papel que ia desempenhar. Como seu nome revela, ela é uma simples máscara da psique coletiva, máscara que aparenta uma individualidade, procurando convencer aos outros e a si mesma que é uma individualidade, quando, na realidade, não passa de um papel, no qual fala a psique coletiva.”
“A persona é um complicado sistema de relação entre a consciência individual e a sociedade; é uma espécie de máscara destinada, por um lado, a produzir um determinado efeito sobre os outros e por outro lado a ocultar a verdadeira natureza do indivíduo. Só quem estiver totalmente identificado com a sua persona até o ponto de não conhecer-se a si mesmo, poderá considerar supérflua essa natureza mais profunda. No entanto, só negará a necessidade da persona quem desconhecer a verdadeira natureza de seus semelhantes. A sociedade espera e tem que esperar de todo indivíduo o melhor desempenho possível da tarefa a ele conferida; assim, um sacerdote não só deve executar, objetivamente, as funções do seu cargo, como também desempenhá-las, sem vacilar a qualquer hora e em todas as circunstâncias.”
C.G. Jung em Os Arquétipos e o inconsciente Coletivo
*****
“O problema da persona surge quando nos identificamos demais com ela. Quando achamos que somos aquela persona que estamos vestindo, a persona está sendo mal empregada. (…) sua personalidade real fica oculta e elas ficam limitadas pelo papel representado pela persona. (…) A identificação com a persona leva ao artificialismo, falsidade e superficialismo da personalidade. ”
(Sandford, John. Mal, O lado sombrio da realidade, pg 88)
