segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Coisas de uma pluma


Arte de Darlene Kwiatkowski
Todo sentido guardado adiante ou na saudade 
Todos os porquês sintetizados na palavra ou no desenho da linha 
Tudo o que não gera dúvida ou movimento é elevado à mesa 
Deixa-se exposto o que pode ser visto 
E o “não poder”, calando de dentro e estagnando o frescor 
Sufoca-se entre as linhas dessa margem tão bem postas 
E admiradas são lindas coerências e reações previstas 
E no imprevisto o estranho, o louco ou o extirpado do rebanho 
Até quando, seremos cópias? 
Até o momento do nosso parto em fórceps espelhado fora 
Será preciso tanto aperto, sufocando o leito para nascer? 
Se vejo as flores mesmo que holográficas não são, elas, minhas? 
Desenho sim, sob a luz do teu saber minha pátria, meu quarto, meu chão 
E não sei onde vi ou ouvi, mas sei que de ti, nesse agora, não abro mão!

Kátia de Souza em ®O Pavão - coisa do olhar de uma pluma