quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Não há voz que seja igual

Arte de Catrin Welz Stein 
Não há teoria, referência em diretriz alguma
aquilo que te põe no risco do traço reto para te guiar

talvez, o jeito único e traçado de ir e se encontrar
seja esse, de cair pra dentro, se espalhar

não há voz que seja igual 
apenas na semelhança, a lembrança do já sabido,
conhecido rumo, tantas vezes, negligenciado,
negado por temer amar sem saber dele 
nesse movimento inteiro, de rir, 
mas também chorar

quem disse que é preciso falar ou calar
quem disse que é preciso ir ou ficar
quem disse?

única voz que dita num sopro 
sussurro meio torto para te provar
se és inteiro ali, você ou cópia a voltar

e é quando nessa entrega ao nunca dito
ou sentido por outro
que vem você de novo, no novo antigo
já visto e sentido, jamais assumido
e a ser, nesse louco instante de estar

então, sinta, ouça, prove
viva com todos os poros sem medo de ser
você ali, no ventre do si, gerando grávido
de tudo que é...  e não se pode traduzir

mergulhe! ...o amor que és, 
jamais, irá te ferir!

(Kátia de Souza)
10-10-2019