O que será que passou?
Hoje e agora, quero um texto brando, suave e beirando o superficial, até. Nada profundo onde a mente trás aquele peso de buscar respostas para tudo e tentar entender cada milímetro de cada paragrafo. Não, quero que seja algo claro para mim, afinal, sinto que foi isso que vim buscar, olhar e sentir.
Há algo de muito poético em trens e estações, pois, já vi em poesia, textos diversos e música. E há algo de sentimento nisso também; estações onde aportados estamos, esperando o trem e este não vem e quando vem, nem sempre queremos entrar e se entramos sequer notamos o quanto os movimentos que o trem faz, está nos levando a determinado lugar. E quando decidimos não entrar, ficamos ali, vendo o trem passar.
Não é poético, até mesmo, ler, isso? Sim, eu sinto que é. E sinto mais, sinto que há situações em nossas vidas que é exatamente isso que acontece: ficamos esperando o trem chegar durante um tempo, ali parados na estação ou talvez não tão parados, mas esperando, na expectativa daquela chegada e quando chega... decidimos não entrar, porque o sabor ficou na espera ou no tempo da mesma, ou quem sabe ainda, nas emoções que permearam toda aquela espera.
O que se sabe é que algo ficou para trás, partiu antes do trem chegar e quando o trem veio, já tinha ido embora, então, não havia mais necessidade de ir com o trem para lugar nenhum. Ficamos ali na estação mesmo, talvez não mais esperando o trem, talvez, iremos embora também e iremos de ônibus, uber, taxi ou lotação... agora podemos ver que há muitas outras opções.
Seja lá como for, algo foi embora de nós e não sabemos direito o que é, e tudo bem porque foi embora mesmo e parece haver uma espaço aberto com milhões de possibilidades e não mais, apenas e tão somente, esperar o trem chegar. É, há esperas e esperas... e há esperas que vale muito a pena esperar.
E somente a nós mesmos, cabe a decisão do que vamos fazer; se queremos esperar o próximo trem e de que forma queremos esperar, que tipo de espera vai ser. E podemos repetir a mesma forma de esperar ou se queremos outro tipo de espera ou quem sabe entrar no trem, dessa vez, para ver como é, ou não, ir embora mesmo, junto com o que foi antes, mas somos nós que decidimos. E temos esse “poder” de decisão e fazemos, fazemos mesmo acontecer com um sutil e maroto sorriso no canto dos lábios. Ah! Como é bom saber-se que tudo pode em dados momentos ser espera, pode ser entrar ou não, mas que passa, seja entrando ou não no trem, e até se entrar a estação é que passa, ah passa ... vai embora, parte, gira, move-se, seja a estação ou trem, algo em algum momento, passa. E que bom!
Quantos trens já esperamos e o quanto fomos nós que na verdade, passamos e não precisamos mais entrar no trem! É, sempre tenho essa sensação em dados momentos... de estar na estação de trem e algo passar, não sei se a estação ou o trem, mas passa, parte e para nunca mais voltar e se volta, volta com outra cara, eu mesma, não sei. Só sei que sinto assim, talvez um jeito meio poético de ser e viver, um jeito de sentir, colher de si e olhar.
É ... não foi um texto básico e superficial como eu queria, inicialmente, mas leve como o tom do momento dita. Então, está valendo. Até que passe e venha outro instante, como o trem, a estação e nós, vendo o que em nós ou por nós, passa!E passa, vai por mim, passa sim!
Estou deixando abaixo o vídeo de uma canção que para mim, é belíssima fala de estações e trens que passam e claro, é do Oswaldo Montenegro, amo esse artista. Há muitas pessoas que acham essa música triste, mas sinto-a tão bela e tão nós em tantos momentos, nos apegando e soltando sempre - ideias e situações que pensamos ser para sempre e o quanto isso, me remete a vida, principalmente quando ele diz: "O sol já nasceu na estrada nova e mesmo que eu impeça, ele vai brilhar". Compreendo que toda partida possui um certo sabor de melancolia ou tristeza, mas acredito que a música traz isso de um jeito belo, poético e faz a gente olhar para esses aspectos em nós, estes que partem, de um jeito onde a aceitação é algo que se mostra presente. E para mim, se é aceitação, é amor.
(Kátia de Souza)
11-10-2019
