domingo, 13 de outubro de 2019

O nosso amanhecer

Hoje o dia amanheceu brilhando, aberto e expansivo. 

O sol arde lá fora, mas esse ardor vem de algo que sequer imaginamos e nem sempre compreendemos. Está ligado ao nosso poder de deixar vir a luz, o esclarecimento, a consciência, a lucidez.

Observando o amanhecer, é possível sentir - o sol não vem rápido e nem lento, ele vem no tempo exato do seu "vir", tanto é assim que ficamos ali observando a sua chegada e não enxergamos "seus movimentos", não nos damos conta de que algo se move (Terra). E quando percebemos, está lá, a luz, a claridade, a vida em manifestação se apresentando no palco desse nosso solo, para os nossos olhos contemplarem. Mas, será que enxergamos? O que estamos vendo, de verdade? Não é Saramago - nós e nossas cegueiras?

Não ficamos empurrando o sol, acelerando o seu vir, e mesmo que o fizéssemos, não adiantaria nada, não há como fazer, na verdade. Nem sequer nada que façamos impedirá que o mesmo venha, ele vem e ilumina, assim como a noite, vem e escurece o palco.

E quando olhamos para sol, enxergamos apenas o seu brilho e nem sequer podemos olhar diretamente, para ele, pois ele ofusca nossos olhos e somos obrigados a fecha-los. Mas a luz do sol, vem de muita movimentação nesse corpo incandescente, a cada movimento um flash, um explosão de luz e calor; e lá vem ele à nós e suas propriedades em doação e a tudo que a ele estiver no alcance, nesse cosmos.

E somos análogos a ele, sim, ao sol. Somos como o sol e brilhamos, temos luz própria, mesmo que não percebamos a nossa luz, ela é e existe. Não falarei dessa luz aqui, mas sabe aquilo que sai de você natural e espontaneamente, pois bem, a luz que somos, está aí, ligada a essa espontaneidade e natureza de ser quem se é.

Agora, o quanto fazemos força para que esta luz venha rápido aos nossos olhos? Ou o quanto estamos impedindo ou pelo menos, querendo impedir que, esta, não venha no tempo natural dela? E mais, o quanto somos nós mesmos, este eu consciente, que fala e se expressa, identificados com as formas que está se movendo para se iluminar? Será que como o sol, não há algo que se move para que esse brilho surja, esse sol em nós apareça? Sim, porque quem se move, não é o sol e sim a Terra. Será que não há algo análogo a Terra em nós, que promove todo esse movimento para que a luz que somos, surja, natural e espontaneamente? E o que seria isso, esse corpo não iluminado, mas que produz movimento e junto ao sol promove esse espetáculo de trazer a luz aos olhos dos seres? O que seria isso em nós?

É ...o dia nasceu assim, brilhando, aberto e expansivo, agora, resta saber se isso é de fato o sol que nos proporciona ou se tudo isso, cabe aqui, dentro de nós e dessa forma captamos e traduzimos o que apenas e tão somente sentimos. O quanto o nosso sentir diz sobre como todos esses astros em nós se movimentam, o que é essa voz que nos inspira a olhar as coisas como elas não são fisicamente e ao mesmo tempo, essa fisicalidade em movimento, nos faz ir além. Ahhh ... vida, vivê-la não tem preço, senti-la é de fato, inenarrável!

(Kátia de Souza)
13-10-2019