domingo, 17 de novembro de 2019

Gosto de silêncio

Imagem de Rachael Koscica

Gosto, gosto sim de ficar em silêncio, olhar pra mim, nisso tudo que me cerca

Gosto de sentir o dia, aqui dentro, como foi, como é, o que ficou, onde me deixei ou se estive naquilo tudo 

Mas, veja, não retomo cena, não percebo momentos, nem relembro instantes 

Fico parada, quieta, deixando o silêncio tomar conta, não estou nem aí, se bater a solidão, tristeza, risada inesperada, vazio sem motivo, compreensão, sorriso entre lábios, deixo fluir a nossa não linearidade;
é divertido ver-se assim, sem meta, sem reta, disforme, vem e talvez seja loucura, mas é inevitável não se amar diante de tanta diversidade

Na verdade, deixo-me cair de algum lugar que é só mistério pra mim e que assim permaneça, não quero me lançar à insanas revelações
a sabedoria intrínseca desses espaços, sabem quando é para ser visto, dito, conhecido, enfim... e se mostram no tempo preciso, nem sempre previsto, mas vem, sempre, por nós

A todos os chegados instantes-sentimentos, digo olá, seja bem vindo 

É, gosto de me receber, cumprimentar e me permitir à expressão, mesmo em silêncio, vejo tanto movimento 

Não me preocupo muito de onde vem, só deixo-me vir, acolho e depois me ponho para dormir ou desperto, talvez, em outro lugar; talvez nesse aí dos mistérios mas, sei que por amor adormeço naquilo que é preciso, até o descanso é bem vindo; enquanto acordada, dou vida a tudo que não sei. 

É, gosto de silêncios, destes que nos acordam pra viver! 

(Kátia de Souza) 
16-11-2019