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terça-feira, 19 de novembro de 2019

No abrir de cada porta

Desconheço o autor da imagem
via Pinterest

Oh amado ser, deixa ser 

Deixa virar a mesa, cair ao chão 
as quinquilharias agrupadas em organizados montes 

Permita apenas ver, ouvir o barulho 
tamborilando ao chão 
sorrindo a cada pedaço do caminho 

Tudo faz sentido e tudo é poema 
desenhando o que vai por dentro 
sussurrante poesia ... 

Não, não se aflija, não 

Não se debata ou ao se debater, 
saiba da mesa que é você, ali, derrubada 
revirando-se em montes 
agora caídos no mar da vida 
acolhidos pelo chão 
onde se vê melhor e escolher é arte do espírito 
que pinça o que importa, vida em milímetros 
sentida em cada suspiro 

deixa, solta, dança, viaja em poesia expressa sem ter que ...

o vento das reviravoltas, é que limpa o olhar 
que direciona às límpidas mãos 
em tua direção, espalmadas, elas chegam
vem sem aviso ou cartaz dependurado
é sopro do divino em si acordado 

deixa, solta e vê 
é vida se refazendo a cada instante...
no abrir de cada porta

...vai, respira e solta!

(Kátia de Souza) 
19-11-2019 


O mito das Plêiades (por Lucinda Riley)

The_Pleiades_(Elihu_Vedder)
Por muitos milênios, as Sete Irmãs, imortalizadas no famoso agrupamento de estrelas chamado Plêiades, provocaram assombro e fascínio mundo afora e foram tema de mitos e lendas em quase todas as culturas do planeta. Histórias sobre as Sete Irmãs foram transmitidas oralmente e pela poesia, arte, música e arquitetura de gregos, aborígenes, chineses, índios norte-americanos, egípcios, persas, indianos e polinésios, para citar apenas alguns povos. 

Entre as primeiras estrelas a serem mencionadas na literatura, as Plêiades aparecem em anais chineses produzidos por volta de 2.350 a.C. As primeiras referências na literatura europeia estão em um poema de Hesíodo, escrito em 1.000 a.C., e nas Odisseia e Ilíada, de Homero. 

Para saber aonde ir, a humanidade sempre ergueu os olhos para a constelação das Plêiades. Marinheiros confiavam nessas estrelas para navegar e agricultores para saber quando semear e ceifar suas colheitas. A tribo Zuni, do Novo México, por exemplo, as chamava de “estrelas de semente”. Quando o agrupamento sumia, na primavera, isso queria dizer que estava na hora de semear. Outras culturas acreditavam que as estrelas haviam fecundado o planeta e eram as sete mães originais da Terra. 

Na minha série(autora do livro “As sete Irmãs”), a história das irmãs está baseada sobretudo na mitologia grega, mas há muitas outras lendas sobre elas em todas as partes do mundo: 


Mitologia grega 

As Plêiades eram sete irmãs: Maia, Alcíone, Astérope, Celeno, Taígeta, Electra e Mérope. Eram filhas de Atlas, um titã condenado por Zeus a sustentar o céu, e de Pleione, filha do titã Oceano e protetora dos marinheiros. 

Após cruzarem por acaso com o caçador Órion, as Plêiades e sua mãe passaram a ser perseguidas por ele. Para protegê-las das incansáveis investidas amorosas de Órion, Zeus as transformou em pombas e as colocou no céu, entre as estrelas. Além disso, três delas – Taigete, Maia e Electra – tiveram filhos com o deus. 

Por sua associação com a água, sejam mares, chuva, granizo, neve, gelo ou geada, as Sete Irmãs também são conhecidas como “Jovens d’Água” ou “Donzelas do Gelo”. As lendas gregas muitas vezes se referem a elas como “Oceânides”. Algumas fontes afirmam que o nome “Plêiades” vem da antiga palavra grega plein, que significa “navegar”. 

Maia – A mais velha das irmãs, conhecida pela beleza fora do normal e por sua vida solitária. A história conta que, apesar de muito bela, Maia era tímida e frágil, preferindo se isolar e morar sozinha nas cavernas. Em latim, Maia quer dizer “mãe” e, em outras traduções, também significa “enfermeira” ou “grande”. Era considerada pelos romanos a deusa da primavera, por isso nosso quinto mês se chama “maio”. Em determinado momento, sua estrela brilhou mais do que as outras. No entanto, a estrela da irmã seguinte, Alcíone, hoje brilha mais, e alguns dizem que isso simboliza a rivalidade entre as duas irmãs no passado. 

Alcyone  – Na mitologia grega, Alcíone, a segunda irmã, era conhecida como a líder. Na época idílica, quando o mundo era repleto de alegria, prosperidade e tranquilidade, ela protegia o mar Mediterrâneo, tornando-o calmo e seguro para os marinheiros. Em outro mito, casou-se com Céix, rei da Tessália, filho de uma estrela matutina, com quem formou um casal dedicado até o dia em que os dois enganaram Zeus e Hera, fazendo-se passar por eles. Enfurecido, Zeus esperou o casal se separar e lançou uma tempestade sobre o mar, fazendo a embarcação de Céix virar e este morrer afogado. 

Asterope – Astérope em grego significa “estrela” e é tradicionalmente retratada como uma das mais fracas entre as irmãs, talvez por ser uma das que brilham menos do que as outras. Com Ares, deus da guerra, teve um filho chamado Enomau. Em algumas versões do mito, Enomau é marido de Astérope e rei de Pisa. Com ele, ela teria quatro filhos. 

Celaeno  – Celeno em geral é traduzido como “melão” ou “obscura”. Assim como Astérope, Celeno brilha menos do que as outras estrelas do agrupamento, supostamente por ter sido atingida certa vez por um raio lançado por Téon, o Jovem. Apesar disso, teve muitos filhos, entre eles Deucalião com o titã Prometeu, e Lico, Nicteu, Eurípilo com Poseidon, deus do mar. 

Taígeta  – Nos mitos, Taígeta, assim como Maia, valorizava a própria independência e vivia sozinha nas montanhas. Zeus também tentou seduzi-la, mas, antes que conseguisse alcançá-la, ela correu para os braços de Artemis, que a transformou em gazela para lhe permitir escapar das garras de Zeus. Hércules também tentou seduzi-la. 

Electra – Conhecida como a terceira mais brilhante das estrelas, Electra teve quatro filhos, entre eles Dárdano, que mais tarde fundaria a antiga cidade de Troia. Algumas fontes alegam que Electra, e não Mérope, é a “Plêiade perdida” depois que ela desapareceu após a queda de Troia e a morte de Dárdano. 

Merope (a Irmã Perdida) – Mérope é mais geralmente aceita como a “Plêiade perdida”, pois foi a última estrela a ser identificada pelos astrônomos e é a mais fraca do grupo, invisível a olho nu. Algumas lendas sugerem que Mérope se perdeu ao ter escondido o rosto de vergonha por ter desposado um mortal, o rei Sísifo. Outros dizem que Mérope escondeu o rosto de vergonha pelo fato de o marido ser um criminoso, cuja punição era empurrar uma pesada pedra morro acima, até a fronteira do firmamento. Nesse aspecto, há semelhanças com Atlas, pai de Mérope, que sustentava o peso do mundo nos ombros. 

Artigo de Lucinda Riley  - autora do livro "As setes irmãs" e aqui apenas destaquei o que ela pesquisou sobre os aspectos do mito, propriamente e não sobre o livro da autora. (Kátia de Souza)

A velha e a moça

(Reprodução/Reprodução
O que você enxerga nesta imagem? Uma moça com o rosto virado ou uma senhora com cabelos cobrindo os olhos?

A ilusão de ótica que você acaba de ver data de mais de um século atrás. Em 1915, um cartunista britânico chamado William Ely Hill a desenhou para uma revista de humor com o título “My Wife and My Mother-in-Law” (“minha esposa e minha sogra”, em português). A legenda já instigava a ambiguidade: “As duas estão na imagem. Tente encontrá-las”.

A primeira aparição desse truque é ainda mais antiga: um cartão postal alemão de 1888 já possuía, com mais detalhes, um desenho que mostrava ora uma jovem, ora uma idosa. 130 anos depois, a figura voltou a dar as caras (com o perdão do trocadilho) em uma pesquisa sobre a percepção de rostos.
Cartão postal alemão do século 19, já com a famosa ilusão (Domínio Público/Wikimedia Commons)

O estudo, publicado pela revista Scientific Reports, usou a imagem das duas mulheres em um levantamento para entender se a nossa idade influencia nesse tipo de identificação. E para receber a resposta das 666 pessoas que participaram da pesquisa, os cientistas recorreram a um serviço da Amazon, no mínimo, curioso – O Mechanical Turk.

(Por Rafael Battaglia - 24 set 2018)

domingo, 17 de novembro de 2019

Gosto de silêncio

Imagem de Rachael Koscica

Gosto, gosto sim de ficar em silêncio, olhar pra mim, nisso tudo que me cerca

Gosto de sentir o dia, aqui dentro, como foi, como é, o que ficou, onde me deixei ou se estive naquilo tudo 

Mas, veja, não retomo cena, não percebo momentos, nem relembro instantes 

Fico parada, quieta, deixando o silêncio tomar conta, não estou nem aí, se bater a solidão, tristeza, risada inesperada, vazio sem motivo, compreensão, sorriso entre lábios, deixo fluir a nossa não linearidade;
é divertido ver-se assim, sem meta, sem reta, disforme, vem e talvez seja loucura, mas é inevitável não se amar diante de tanta diversidade

Na verdade, deixo-me cair de algum lugar que é só mistério pra mim e que assim permaneça, não quero me lançar à insanas revelações
a sabedoria intrínseca desses espaços, sabem quando é para ser visto, dito, conhecido, enfim... e se mostram no tempo preciso, nem sempre previsto, mas vem, sempre, por nós

A todos os chegados instantes-sentimentos, digo olá, seja bem vindo 

É, gosto de me receber, cumprimentar e me permitir à expressão, mesmo em silêncio, vejo tanto movimento 

Não me preocupo muito de onde vem, só deixo-me vir, acolho e depois me ponho para dormir ou desperto, talvez, em outro lugar; talvez nesse aí dos mistérios mas, sei que por amor adormeço naquilo que é preciso, até o descanso é bem vindo; enquanto acordada, dou vida a tudo que não sei. 

É, gosto de silêncios, destes que nos acordam pra viver! 

(Kátia de Souza) 
16-11-2019 


Talvez

Imagem de Expressões do Meu Olhar
(Kátia de Souza)
Talvez eu tenha perdido a pressa
ou talvez, ela, 
ela tenha se perdido consumida em ideias lentas 

Talvez eu tenha calado, chegado ao ponto marcado, 
logo ali atrás, há tanto tempo 

Talvez, não reste tanta coisa, pois, 
tudo é tão ele mesmo que não se traduz em resto 

cada instante fala por si, no seu tom, no seu ritmo, 
na sua harmônica melodia, sempre 

até mesmo, a mais dissonante composição
vê-se arranjos ali, música, enfim 

Mas, que importa tanta opinião? 

Talvez, seja apenas uma troca passageira, 
um temporal na avenida que chove garoa nas vielas 
para refrescar as noites de luas minguando... 

Talvez, é .... quem sabe!
(Kátia de Souza)
16-11-2019

Frescor

Imagem de Expressões do Meu Olhar
(Kátia de Souza)
A quais vozes estamos ouvindo? E a qual vamos dar ouvidos? 

Nem sempre nos damos conta das vozes que falam conosco, dentro. 

Às vezes, passamos muito tempo, para enfim, distingui-las, em partes. E talvez, concluiremos o quão grande, imenso ou infinito é esse universo "interno". 

E poderemos, diante de nós, ficarmos perplexos até, mas sempre, sempre com uma sensação que chamo de "frescor" - aquele dos fins de tarde de domingo na varanda; um livro, o silêncio na rua, os pássaros, os animais a volta, talvez um café e você... uma sensação de estar em casa! 

(Kátia de Souza) 
16-11-2019

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Quando pensei


desconheço o autor da image
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E quando pensei ter te possuído, eis que abri as mãos e nada havia lá. Fluido, és precioso elemento que não se detém e nem se contém em pouco espaço. Foi aí que flutuando em tuas águas, fertilizou-se o solo e em pétalas vi tua florada, erguidas ao céu em direcionamento e reverência a tudo que é sagrado!
(Kátia de Souza)
15-11-2019

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Simbolismo de Sarasvati por Tales Nunes

desconheço o autor da imagem
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Simbolismo de Sarasvati 
por Tales Nunes 

Sara – “essência”; Sva – “o seu próprio” 

É aquela que nos dá a nossa própria essência, a sabedoria, o conhecimento. 

Sarasvati a forma feminina do criador, Brahma. Sarasvati representa todo o conhecimento e a inteligência que rege todas as coisas. O universo é organizado de uma forma inteligente. Ele é governado por leis. Leis que tornam possível o nascimento do sol todos os dias, que rege os ciclos perfeitos da natureza, que governa o nosso corpo e a nossa mente. Tudo é muito bem organizado. 

Sarasvati aparece nos Vedas na forma do rio Sarasvati e estava associada ao conhecimento. Sarasvati significa também “aquela que flui”, como o rio. O conhecimento tambem é aquele que flui da boca do mestre para o ouvido do discipulo, através das palavras. “Vac” significa “fala”. O rio não tem dono. Se você possui uma propriedade na qual um rio cruza dentro dela, você não pode dizer que aquele rio lhe pertence, as águas do rio que momentanemente cruzam a propriedade podem ser usufruídas por você, com cautela e responsabilidade, sabendo que aquelas águas irão banhar diversas outras pessoas. Assim é o conhecimento. 

Ninguém o possui, ele flui e abençoa aquelas pessoas que se banham nele. 

A água é considerada um elemento purificador. Com a água lavamos tudo, tomamos banho. Da mesma forma, o conhecimento é o elemento mais purificador que existe. Quando se diz que ao mergulhar no Ganges a pessoa adquire a liberação, isso é um símbolo para dizer que quando você mergulha na água do conhecimento, você adquire moksha, porque a ignorância, a impureza, é removida. 

É dito que antes ela Sarasvati esposa de Vishnu, que era casado também com Lakshmi. Elas não se entendiam e constantemente brigavam por ciúmes. Vishnu, então, após uma discussão entre as deusas, deu Sarasvati para Brahma. A historinha é para ilustrar a nos chamar a atenção de que devemos ter muito cuidado, porque onde existe demasiada atenção na riqueza material, a sabedoria pode ir embora. E onde existe sabedoria, a riqueza não é tão valorizada. 


Iconografia 

Sarasvati usa um sari branco e está sentada em um lótus branco que representa a pureza, ou seja, uma mente sáttivica. A mente equilibrada e tranquila é o solo fértil para que o conhecimento frutifique. Então de fato o conhecimento nos conduz a perceber aquilo que realmente somos. O conhecimento, portanto, remove a impurezas, a ignorância. 

Numa das mãos a deusa carrega os Vedas, simbolizando todo o conhecimento; noutra traz um japa mala, simbolizando a meditação; segura também uma vina, representando a arte e a música. A vina é dito que é um instrumento muito difícil de se tocar e por isso representa também a disciplina, necessária no caminho do autoconhecimento. O som produzido pela vina simboliza o escutar dos ensinamentos. A música e principalmente o som da vina é algo capaz de nos levar ao estado de plenitude, assim como o ensinamento, que nos revela que somos a plenitude que tanto buscamos. 

Sarasvati está montada em um cisne que representa a discriminação, o veiculo pelo qual o conhecimento chega é a discriminação. O cisne é branco e representa aquilo que é único, Brahman. Sempre associado a ela há um pavão. O pavão tem uma multiplicidade de cores que representa a criação. O conhecimento é a base de toda essa criação que é tão bela e variada. Sarasvati representa o conhecimento da criação. 

O lótus no qual ela está sentada representa próprio caminho espiritual da pessoa realizada. O lótus ergue-se da dualidade, do lodo, em busca do sol, o conhecimento. Quando o alcança, desabrocha. Mesmo tendo desabrochado, permanece na lama, na dualidade, contudo, é intocato por ela, pois as pétalas de sua flor são impermeáveis. Assim é o sábio que buscou o conhecimento e nele obteve a compreensão da unidade. Ele permanece no mundo, na dualidade, mas sempre com a visão não-dual em mente. 

Todas as deidades estão adornadas com ouro em abundância, que simboliza a unidade indepedente da forma. Ou seja, independente da forma, pode ser um brinco, um colar, uma coroa, uma pedra, o ouro continua sendo ouro. 

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Fruta engomada

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Trajetos obscuros, são deixados ao lado 
Sinto pena do que se exclui por nós 
Fica no chão, abandonado 
Mas, é sábio esse escuro, por nós deixado 
Sabe do tempo dos ares e dos chãos 
Da terra e do ar 
Sabe sim, de todos os elementos a misturar 
Alquímico mestre em nós 
Não permite que o verde amadureça no tempo incerto 
É seguro o tempo das madurezas, nele 
E sem deixar passar a fruta que no chão mora 
Coloca em nossas mãos toda a sua seiva 
Cabe-nos, agora, o sorver ou contemplar 
Fruta passada não é a mesma coisa que roupa engomada 
Então, melhor sorver gota a gota 
A fruta que do pé deixamos de colher, ora ora!

(Kátia de Souza)
12-11-2019

domingo, 10 de novembro de 2019

Aos loucos e sãos



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Sempre caminharei discreta pra te sondar 
ver-te entre as páginas das minhas andanças 
pela pele, fremir e soprar 
uma coisa de nós que não se revela 
para não macular 

Saber-te ali nos barulhos da vida e da mente atrevida 
que soube sim, lhe atordoar 
dizem terem visto os cacos retorcidos 
eu apenas vi o som dos gemidos e do ignorar 

Sempre cantarei louvores ao teu nome 
inscrito em cada recanto em caos, em cada pedaço esquecido 
borbulhando nossos rostos , sem saber e convencido 
de em ti, nada ser – tolos, nós os escolhidos 
E sem entendermos que é justamente o contrário 
reservo-me em teu santo espaço, aturdido 

Sempre caminharei grata por tua vida 
calada, silenciada, gritada, chorada, atrevida 
loucura desmedida, ignorada 

E diante do vir a tona, após, tantos desafetos 
e quando desfeito tudo isso, 
distribuídas as partes, reencontradas as ruas e chão 
estarei aqui, junto, sempre a te dizer: 
Sempre caminharei ao teu lado 
Sempre junto a ti, meu coração 
Nesse uni(verso), eu e você 
... mesmo quando em teus olhos só soprarem partidas 
mesmo quando pensares: é tudo em vão! 

(Kátia de Souza) 
10-11-2019

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Cálices e gotas

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Houve um tempo que eu temia olhar pra lá 
Pra lá e daquele lado onde nada vem por acaso 
Mas não teve jeito, vi e bebi de todos os cálices 
E sorvi o que neles há 
Venenos e elixires e se deuses eu não sei 
Comi cada pedaço do argumento bem dito em cada detalhe 
E dos deuses vi a face engomada em panos rotos 
Ah, se eles soubessem o que fazemos com eles 
Mas eles sabem e dizem não se importar 
Pois, deles todos eis que beberemos e sorveremos 
Cada gota e em belo talhe 
Ou não, talvez da beleza resta-nos apenas os olhos 
De ver para crer que há sempre você ali 
E por ir e vir, sorver, beber, comer, sentir 
Eu fui mesmo sem querer ir e querendo me atrevi 
Foi assim que vi que no temor moram todas as distâncias 
E nelas, todo o depois que deixamos ali 
Naquele antes que não largamos e pedimos para ficar 
Então, soltei, abandonei tudo para voar 
E percebi meus pés ali, fincados no chão 
Voando o teu melhor colar de perolas 
Agora, só nos resta dizer ao belo e toda a sua essência 
Basta-nos estas vírgulas todas em cada gota 
Feliz em chuva cair em gratidão! 

(Kátia de Souza) 
08-11-2019

coisas que me sentem


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falo pelas coisas que me sentem
e trazem sem remorso algum, toda a minha culpa
de nascer e ver
sentindo
os pingos nos "is" de tudo isso

não caíram à toa as gotas lá do céu
e nem voaram por nada as folhas do chão

frescores não se medem
veste-se, todos eles, em cada solfejo mudo
em cada entoar silencioso
por isso, não falam as coisas de mim
estas que esperam 

e caladas sabem ... sim, falarão
porque todas as coisas cabem quando sentem
e é preciso madureza, então ...

e trazem sem remorso toda a culpa 
que é só nossa e demais ninguém... de[se] viver!

Kátia de Souza
08-11-2019

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Estou notando

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Estou notando algo que talvez, alguém já tenha notado e até escrito sobre isso. Bem, não lembro de ter lido nada sobre o assunto ainda, mas certamente, alguém já deve ter falado disso. Mas, é diferente quando se conhece e se lê sobre o assunto de quando você sente. Quando se sente, a gente vive o que diz e vive o que lê, não é mesmo? 

Mas, vamos direto ao ponto: noto, nesse agora, que muito do que é dito de forma técnica, embasado até mesmo, em dados científicos, teorias criadas por pensadores, mestres e etc., é algo que também, estou vendo explicitamente, na vivência simples, no simples viver. 

E estes que apenas vivem e nunca teve a pretensão de criar teoria alguma ou mesmo embasar nada do que vivem em dados científicos, estes, apenas citam ou diz, displicentemente sobre o que vivem. Percebo que não há aquele peso de tentar provar nada a ninguém, apenas é e vive o que é; não convida, não impõe como regra a ser seguida, não dita passos, não estabelece caminhos ou normas a seguir como verdade; apenas vive e cita, menciona natural e simplesmente, porque, acredito, é em si, tão somente. 

É, é algo que estou notando muito claramente e talvez, somente talvez (como dizem alguns amigos meus) isso me leve a algum lugar e aqui dentro onde eu possa me espalhar! 


(Kátia de Souza)
06-11-2019

Apenas sinto


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Ver-se sendo capaz de sair do lugar confortável do “saber” ou “conhecer” para o “não saber” ou “não conhecer” e retornar mais amplo ou mais íntegro, é algo que não se tem noção do quanto é real e possível, antes disso ser aberto em nós como possibilidade. É a tal permissão que muitos falam – permitir-se, ir além do que pensa, acredito. Os nossos potenciais, enquanto seres integrais, estão todos aí, como numa chave a ser virada e assim, serem colocados em prática. Porém, deixar algo que nos é referência, nem sempre é fácil, porém, possível e vê-lo transformado, amplo e muito maior do que pensávamos que era, isso, não tem palavras para designar o valor que possui, à alma. 
(Kátia de Souza)
06-11-2019