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| Emma Jung em 1911 - imagem via Wikipédia |
por: Denise G. Ramos
em São Paulo, 7 de março de 1990.
Olhos brilhantes, expressão sorridente, firme e decidida, assim aparece Emma Jung numa foto tirada em 1911, durante o Congresso de Psicanálise de Weimar. Entre Sigmund Freud, Otto Rank, Ludwig Binswanger, Ernest Jones, Wilhelm Stekel, Lou Andreas-Salomé e o marido Carl Gustav Jung, e outros mais, Emma destaca-se como mulher culta, inteligente e bem-humorada. Anfitriã de grandes encontros entre mestres e pesquisadores de psicanálise, é tida como responsável pelo clima acolhedor e harmonioso de inúmeros seminários e debates, compensando o temperamento mais explosivo e extrovertido do marido.
Mãe de cinco filhos, ao mesmo tempo que estudava latim, grego, matemática e psicologia, tornou-se uma das diretoras do c.G. Jung Institute de Zürich, onde dava palestras e exercia seu trabalho de analista e supervisora.2 Se a questão de conciliar trabalho e família é ainda bastante problemática para a mulher de hoje, podemos imaginar quão difícil era para uma mulher do início do século, num país conservador, numa época onde os homens votavam.
Em suas cartas para Freud, Emma deixa claro como se sentia diminuída frente ao poder do marido e ressentia-se de um certo isolamento. Queixava-se das paixões das mulheres por Jung, do tratamento maternal que os homens lhe dispensavam, assim como do fato de ser vista somente como mulher ou aluna do mestre-pai.
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| Imagem via wikipédia |

