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| Este grafite foi pintado em Antuérpia por Calaisien Vyrüs / © Vyrüs |
Ando por aí e sinto ruas ...
Perdão, mas a mim, é inevitável, quando vejo, já estou lambendo o asfalto, cheirando a terra, tocando o chão ...
E quando chove então...
É uma verdadeira inundação que transborda; Mas, isto, é outro caso.
Vim, para dizer que nas ruas vejo espelhos; reflexos encontrados em quadros inesperados.
E se não quer cansar teus olhos e nem os cotovelos de encostar nas janelas onde pousam teus sentidos, é melhor parar de ler, pois, esse escrito possui quilômetros, além do previsto que não vejo agora enquanto escrevo ...
então, parou?
Suspirado o espaço vago dos momentos,
ido os olhos que não se estendem além das causas importantes,
vamos lá com todos os poetas a tiracolo
vamos tirar todas as significâncias das palavras
para vasculhar o que de cúmulo há em tanto dizer, sem sentido
Alguns, nesse tráfego sem placas, dizem ou diriam
que é pura identificação, porta aberta a uma dor não vista ou curada
outros diriam: lágrimas de emoção;
vítima do abismo da vida procurando um algoz, projeção
e assim, conceituando avenidas de ideias prontas;
E há aqueles que dizem dos apegos às emoções infantilizadas;
“estórias”, contos de fadas desajustados na psique da moçada
Sensibilidade ... é, é esse o jeito de dizer onde me espalho delimitada
onde desenho para ser aclarada nas loucas danças que invento
pois, como não há refração mais coerente, vejo “sensibilidade”
sim, o “mais bom” de todos os termos nesse passeio de ruas espelhadas
dói porque é dor
chora-se porque é lágrima
ri-se porque é boca, dentes, lábios, “palavras-som” ecoadas
ou ainda
dói porque alarga
chora-se porque é vazante
ri-se porque não cala
é vida indigente, delirante, valsante, amante, ensimesmada
quais destes todos, significantes paralelos
poderiam dizer do real, quando neste, morre todos os significados?
Perguntas em poemas é mancada!
Mas, nas ruas não há truculências sem rimas apaziguadas
e quem dera pudesse todas as letras se calarem
mas na real, ele, diz é assim mesmo,
para não deixar dúvidas ou respostas penduradas
e no poema confunde, aclara, dilacera, rima, desrima,
prevê e desvê, para te fazer ir e não ficar;
Percebe tudo aí, movendo-se sem parada?
Então, quem dera pudesse ser loucura, mas não, não é
é você em mim, gritando: “somos um em vida”
chamando por ser somente sentido no estreitar das ruas
quando sem saída se vê e adormece contemplando o crepúsculo
daquele fim que ficou, sem palavras!
seria pretensão findar o que aberto é por natureza
ruas são infindáveis linhas formando teias e nelas todos os pontos
trançados e bem tramados com seus reflexos ausentes
e há os presentes, também... e como há!
Agora, o importante mesmo, é que estamos todos lá
você não? bem, talvez eu tenha me enganado,
mas te vi enquanto dormia na rua de chão estrelado!
(Kátia de Souza)
01-12-2019
