Nos anos imediatamente precedentes ao início da guerra, um imaginário apocalíptico estava disseminado nas artes e na literatura europeias. Por exemplo, em 1912, Wassily Kandisky escreveu sobre uma catástrofe universal iminente. De 1912 a 1914, Edwig Meidner pintou uma série conhecida como paisagens apocalípticas, com cenas de cidades destruídas, cadáveres e tumulto. A profecia estava no ar. Em 1899, Leonora Piper a famosa médium americana previu que no século que chegava haveria uma terrível guerra em partes diferentes do mundo que o limparia revelando as verdades do espiritualismo. Em 1918, Arthur Conan Doyle o espiritualista e autor de “Sherlock Holmes”, encarava isso como profético.
Na narração de Jung sobre a fantasia do trem no Liber Novus, a voz interna disse que o que a fantasia mostrava tornar-se-ia completamente real. Inicialmente, ele interpretou isso subjetiva e prospectivamente, ou seja, como a mostrar uma investigação psicológica de si mesmo. Nessa época, a autoexperimentação era habitual na medicina e na psicologia. A introspecção foi uma das principais ferramentas da pesquisa psicológica.
Jung veio a perceber que Transformações e símbolos da libido “poderia ser tomado como eu mesmo e que sua análise leva inevitavelmente a uma análise de meus próprios processos inconscientes”. Ele havia projetado seu material naquele da Srta. Frank Miller que ele nunca conheceu. Até este ponto, Jung havia sido um pensador ativo, avesso à fantasia: “como uma forma de pensamento tenho para mim que seja uma forma totalmente impura, um tipo de intercurso incestuoso, completamente imoral de um ponto de vista intelectual”. Ele agora voltava-se para a análise de suas fantasias, anotando cuidadosamente tudo e tinha que superar uma resistência enorme para fazê-lo. “Permitir-se a fantasia em mim mesmo teve o mesmo efeito que o produzido em um homem que chegasse à sua oficina e encontrasse todas as suas ferramentas voando por toda parte, fazendo coisas independentemente de sua vontade”. Ao estudar suas fantasias, Jung percebeu que estudava a função criadora de mitos da mente.
Sonu Shamdasani na introdução em “O livro vermelho – Liber Novus – Carl Gustav Jung
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Reflexão: A vida nos proporciona infinitas possibilidades onde "abrir mão" das certezas, é algo que nos abre portas para descobertas imensuráveis. As crenças, nos sustentam sem dúvida, porém, até certo ponto e a partir desse ponto, no limite das mesmas, para avançar, é preciso abandona-las. Eis um grande desafio a nós mesmos e que certamente, nos trará uma infinidade de descobertas, inimagináveis. E sinto nesse trecho a coragem e determinação de Jung, se possibilitando a algo que ele mesmo não acreditava ser possível e como ele mesmo disse: " (...)era imoral de um ponto de vista intelectual". Mas, se permitiu e seguiu adiante, nos possibilitando, hoje, adentrar as mesmas portas com maior segurança e descobrir, em nós, caminhos únicos que nos faz provar da vida com mais vida. (Kátia de Souza)
(®Psiquê - Alma e Conhecimento)
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