sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

O tamanho certo


Ilustração créditos na imagem
via Pinterest
Talvez tenha levado algum tempo
talvez tenha sido preciso muito abandono e gestos, gritos
todos eles aparentes e treslocados dizendo do seu absurdo
visto sozinho no sozinho que sentiu, abandonado
e quando o silêncio pousou, o gesto calou e os gritos dissolvendo-se
na úmida e quente sensação de descaso
viu-se na desistência uma possibilidade 
de assumir-se e construir o tamanho certo 
e que bem lhe cabe ...

foi nisso que se pousou os braços, 
parou-se no caminho, os pés
e falar, saborear cada palavra em liberdade
desprendendo-se daqueles do contexto e esperado
para assinar o que lhe cabe sem acerto, 
incorreto, vaiado, mas vivido, em si, sentido, 
aceito e aclarado... 

ah! sorriso e alívio em cada poro aclamado!

respirou no ar a delícia de soltar e permitir
não, não mais lutar, somente viver, 
ser sem precisar provar o que é ou sente, 
pois, nada substitui o silêncio que lhe fala alto, 
logo ali em si reconhecido pelo preciso tom da voz
mas a qualquer um... segredado!

(Kátia de Souza)
28-02-2020