quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Dedica-te ao teu sagrado …

desconheço a autoria da imagem
Dedica-te ao teu sagrado …

… ajusta as velas do teu foco e firme no leme, caminha na direção daquilo que te abraça e te faz vibrar, além das formas e cores nesse jardim. Estas belezas todas que vês, se encontram escondidas debaixo de algum móvel nesse porão, pois, consegues vê-las fora, as reconhece, portanto, há referência em ti, você sabe como encontrá-las, mas é preciso saber que a fonte não está no jardim, mas dentro, na vida que compõe a flor que tu és. Se não, eu te digo, toda vez que te aproximares dessas belezas todas, crendo que não há, esta mesma beleza em ti, ou melhor, não confiando que a fonte é sim, teu olhar, vendo-te como árido espaço sem belezas, junto ao abandono desse altar, essas belezas todas que vês fora, se tornarão cinzas, efêmeras e passageiras, pois, o que é eterno, se encontra dentro, em si mesmo e está esquecido e então, nas frustrações, compõe sintonia com o ambiente que as recebe. 

O sagrado está naquilo que te alça aos céus num sorriso espontâneo e sem limites e te preenche de paz, na alegria de apenas se perceber vida, nada mais. Desejos, sonhos e prazeres passageiros, são apenas vagos espaços te auxiliando a acordar, até pelas frustrações que também fazem parte desse trilhar, nessa vida que todos somos, elas, são apenas manifestações do divino que és, usufruindo de seu poder em criar, mesmo que inconsciente.

Semeia clareiras de alegrias, aparentemente, bobas neste campo sagrado, pequenas frestas de uma janela aberta, farão com que teus olhos se acostumem com a claridade de um sol que jamais pensou existir. Sinta-se na simplicidade que te agiganta.

A cada objeto antigo, retirado desse espaço sagrado, seja grato, ele cumpriu sua missão, porém há instantes que o vazio, é pedra preciosa para adornar certos ambientes. Não se detenha diante do mesmo e sequer pense que a morte que te assola os pensamentos, é prenúncio de algo que te destrói; é, apenas, o novo em palavras outras, distorcidas na estreiteza da razão, te sinalizando a amplitude que te encontras. Despeça-se do abandono e preencha-te de paz. Preencha-te de ti e seja você, viva!!!
(Kátia de Souza em 2017)
reedição em 2020