![]() |
| Imagem via Google desconheço a autoria |
Eu cresci pequena, fui diminuindo até não caber mais naquele punhado de espaço. Sei lá, a medida que tudo foi crescendo, eu vi tudo sumir de mim e todo o barulho calar; os lábios já não me obedeciam, selavam suaves, um no outro, suas ausências. Sim, me calei até ficar rouca e nada pude fazer quanto a isso, pois, a fala fica embaçada diante daquilo que não tem encaixe; mesmo que você vasculhe todos os espaços para se encaixar, não, não dá, é outra língua a se falar e o seu idioma é seu, não dá para ser outro. Palavra é coisa séria, quando estas saem de lugares sagrados, pousam em santos espaços, inevitavelmente é assim. E se não são reconhecidos, estes espaços, ah, já era porque também não serão vistas, as palavras. Então, elas partem, deixam seus aromas como sementes, mas somente as mãos que delas se perfumam, é que podem semea-las. E quando vão, avisam que foram, essa é a notícia mais esquisita que podemos receber, mas é assim; já foi e não há mesmo como voltar, resta-nos apenas o silêncio a cuidar. Aquele, talvez, das esperas e de olhares distantes, mas na verdade, só é um jeito, estranho de ficar como quem não está, apenas é e não há como ser outro!
(Kátia de Souza)
24-02-2020
