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quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Em retorno

Na imagem: arte de Arthur Braginsky

🦋Aprecio o retorno, emociono-me com tua presença
nesta face tão conhecida

apresentou-se a mim, na infância dos meus dias
e coroa-me ao entardecer

como não celebrar toda a sua bravura,
de me ter no silêncio e me deixar a mercê
para ser o que meus passos ditaram
espalhada pelos cantos em tantos sentimentos ...

Experiências diversas silenciando os porquês
e deixando-se ao "não-saber"

E nesse agora, sussurro teu nome
entre uma inspiração e outra

um pouco de partida e toda a chegada,
pois, não sois de parada

... e calada(o) aprecio, emociono-me o não ir
e sequer vir

acolho toda a permissão sem palavras ...
... deixo ser como tuas mãos soltas me libertam!🦋

🌹Kátia de Souza - em 2018 (reeditado)___✍
Texto protegido em seus direitos autorais
 T7333057 - Lei 6.910

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

A vida quer você ...

Na imagem: arte via Pinterest,desconheço o autor

 🦋Não, não concedo nomes ao que não sei. Tento, neste momento, abrir mão da presunção que me é companheira a tanto tempo, de conceder razão ao que sem razão se faz. E se assim é, é porque há de ser por alguma razão que eu desconheço. Por isso, nesse agora, deixo ao que é, ser.

 🦋Não, não concordo com tudo. Não cai em meu colo todas as coisas com aceitação. Aprendi a ver minhas rebeldias, rejeições e resistências de outra forma e pude nisso abrir brechas à compreensão. Olho para o que não sei com uma plena interrogação gritante e deixo ser quando esta em mim, permanece. E quando em mim ouço a palavra: vá! Então vou e com minhas próprias mãos atuo segundo este chamado que é, não raro, diante das inúmeras experiências que a vida me oferece.

 🦋E é nisto que as prioridades, nascem. E não nos enganemos; não é por serem eleitas "prioridades" que são as mais importantes. É, para mim, apenas um sinalizador do quanto em nós, precisamos respeitar o que nos cabe ou podemos suportar, no momento. E nisto, respeitar nossos limites.

 🦋Quando reconhecemos que nossos braços e pernas "não alcançam" o infinito, passamos a ver a vida em sua plenitude. Em sua inteireza propriamente, pois, a mesma não é feita apenas daquilo que podemos fazer, mas também daquilo que não podemos. E ainda, daquilo que não nos cabe.

 🦋Por isso, solte aquilo que não te pertence no momento, se tiver que ser e vir a ser, mais tarde, virá. A vida quando respeitada em sua inteireza, traz de volta esse respeito. Quando em você encontrar espaço para te enviar o que não pôde ser cuidado, no agora, ela te trará o que é preciso. E ainda é tão generosa que quando trouxer, já traz exatamente do tamanho em que você se encontra. Por isso, cuidar de si e buscar em si ouvir a voz dessa natureza que somos, faz toda diferença.

 🦋Aceite-se em sua completude, compreendendo que és "incompleto" e o que talvez lhe falte nesse momento, somente poderá vir, quando o que sabes e reconhece nesse agora, encontra cuidado e respeito da sua parte.

 🦋A vida não quer de você perfeição - acertos ou o que entende por certo. A vida quer você, naquilo que és, nesse agora.

🌹Kátia de Souza - 26/08/2021___✍
Texto protegido em seus direitos autorais
T7329115 - Lei 6.910

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Somos a voz da natureza

 

Imagem via Pinterest, desconheço o autor


🦋Aprendi e aprendo todos os dias sobre a flexibilidade, a leveza e a paciência com a dureza ou rigidez, com a teimosia e o egocentrismo que nos é inerente - e esse ego (entre outros aspectos), diga-se de passagem, não é pouco não (risos). E nisto, é um POUCO do que chamo do "meu tom", da "palavra única" que cada um traz através de si. Os tons não são iguais e aqui não cabe (esse tom) em sua completude.

🦋Todas as vezes que bati de frente com a natureza em suas manifestações a mesma me trouxe a lição de que não é como "eu quero", mas sim como sou (inteira) e nenhuma parte em nós deve ser negada. E é dessa forma que aprendi a dizer "não" silenciando para o que não cabe a mim e sim, a própria natureza, dizer. É assim que aprendi a dizer "não" também, quando sou eu que preciso aprender a me manifestar.

🦋A natureza sempre nos trará ambos os lados, você e ela, se assim posso dizer. E ela é soberana porque mesmo quando pensamos ser nós a manifestar algo, é ela que fala; é através de nós que a mesma traz a tona o que for preciso; é aí que trazemos a própria natureza, no tom da nossa "palavra única". E é assim que vamos aprendendo, dia a dia, passo a passo - de formiguinha mesmo, a entrar em ressonância plena com o que considero divino.

🦋Não, a lição não acaba aqui, nunca acaba, assim sinto e presencio. Aprender como diz uma amiga minha é, sempre. E isto, no sentido de compreender que somos essa natureza que abraça, acolhe, cuida e nos quer tão amplos quanto ela em sua ilimitada condição e compreendendo a riqueza que é as infinitas diversidades de expressões. E por isso, não é como "queremos", mas como somos (inteiros/natureza).

🦋A natureza é mãe Suprema que desata os nós e nos põe diante de nossa pequenez e de nossa grandiosidade e nos diz:

🦋"Vá, seja, liberte-se, caminhe, siga, sempre estarei contigo a te acolher e te ensinar em suas manifestações, por isso, não desista e acolha-se em cada gesto, eu estou contigo. Vá minha filha e caminhe resoluta, rumo ao teu destino!"

🦋Independente se gostamos ou não do que vemos expresso nessa natureza, é ela de alguma forma a agir sobre nós e que possamos compreender disso, o nosso tom e cumprir com o nosso destino. Tudo, absolutamente tudo, é expressão dessa natureza em movimento e transformação, por isso, gostando ou não, respeito. E quando à mim for chamado a fazer voz à mesma, espero ouvir para então, fazer acontecer. Dentro das minhas possibilidades e como percebo a vida, venho ouvindo o que posso e fazendo acontecer, assim sinto.

🦋Faça acontecer, expresse mesmo, diga, manifeste-se e seja você também a voz desta que nos chama, para sermos inteiros. Eu e ela, em ti respeitamos a natureza em manifestação a se expressar por você!


🌹Kátia de Souza - 19/08/2021___✍
🔎Texto protegido em seus direitos autorais
ⒸT7324364 - Lei 6.910 (direitos autorais)

domingo, 15 de agosto de 2021

NO COLO DA NOITE SEM LUA

 

Imagem via Google, desconheço o autor

🦋Há situações ou experiências que são passagens, travessias que não são necessárias, mas se se manifestam que possamos fazer o melhor de nós com as mesmas. E o que nos cabe, é nos reconhecer em cada uma delas.

Sim, nos reconhecer, ver, saber de si. É possível, eu posso e você pode. E após a travessia, seguir em frente, adiante e não olhar para trás como fez e a mulher de Ló e fixar-se como estátua de sal - enrijecer-se ou paralisar-se. Afinal, travessia é travessia, tão somente. E pontes devem permanecer em seus devidos lugares e a serviço do que vieram ser, simples assim. Agradeçamos a oportunidade da travessia, agradeçamos a todas as pontes que não estão aos nossos serviços, apesar de ser dentro de nós, mas servem ao que à nós, também rege - Si Mesmo - e então, sigamos.

E dessa reflexão (estudos e prática), surgiu o texto abaixo!🦋
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🦋NO COLO DA NOITE SEM LUA

🦋E então, olho no olho eu fui ao seu encontro, mesmo diante das esquivas em que você estava por entre as pilastras daquele lugar. Um ambiente a meia luz como lhe é próprio e já à mim, não mais desconfortável. Trajada como devia ou me assemelhava naquele momento e mesmo ainda largos os mantos, me coloquei a sua frente e te detive em suas brincadeiras. E então a fatídica pergunta: "O que você quer?"

🦋Meio sorriso, foi a resposta. De um ardil sem disfarce, compreendi toda a sedução dirigida com um propósito, revelar-me por outra face. Foi assim que reparei em suas vestes, tão semelhantes as minhas, porém, não tão exuberantes. Compreendi a ligação e a intenção de alimento para sua existência. Ingênua intenção porque não sabes o quanto és e a quem serve. Não sabes que para sentir-se existindo não lhe é mais necessário esses jogos que devora a existência alheia. Foi aí que seguiu-se a conversa em meio as brumas e segredada a todos os ouvidos. E disso então, eu vi o propósito reafirmado, a ação delineada por aquela voz e as esquinas dos caminhos a serem escolhidos.

🦋Teu ardil, longe de ser um malefício, é a ponte para que se possa ver, mas ver além dele mesmo. Portanto, és ponte, travessia e que por assim ser, deves permanecer como és e quando nessa ponte for preciso atravessar, ali estaremos a te consultar mais uma vez e quantas vezes for necessário e sim, no colo das noites "sem lua". E como és a própria sedução em brincadeiras ardilosas, saberemos quem és e atravessaremos. És preciosa chama que arde, mas que deve se consumir em seu devido lugar, não mais nas mãos que hoje, por ti também, se realiza.

🦋Guarde toda a tua ira ou distorcida força para que saiba da mesma em energia para tua própria existência que não cabe a mim ou a nós, manter. Tão somente, sirva-se dela para que em breve, num banquete, estejamos todos em celebração e cada qual, portador de si mesmo.

🌹Kátia de Souza - 15/08/2021___
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terça-feira, 10 de agosto de 2021

Ouço

Imagem via Pinterest

🦋Removo as paredes que ecoam como guias
e ouço

teus olhos espalhados esqueceram de ver
fecha-os a toda poeira que se levanta

afinal,
em realidade esta, não há

diluído os limites que cegam para si mesmo
agora, vá

caminha sobre as águas que te representam
sejas o que teus pés deitam para cultivar
e não permeie-se mais daquilo que não te cabe
pois, ilimitados sois para além dessas margens

se te sabes
ouve a mim
onde ninguém mais poderá ir

a não ser que também
inverteu os espaços e fez das aberturas,
apenas seu começo... e é, enfim!🦋

🌹Kátia de Souza___✍
🔎Texto protegido em seus direitos autorais
T7318165 - Lei 6.910 (direitos autorais)

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Suavidade

Imagem via Pinterest, desconheço o autor

🦋É, a suavidade existe e sacode o mundo. Na calma que lhe assiste, na serenidade que lhe contorna. Na aparente lentidão, torna-se carícia, mesmo quando nos diz não.

E que não confundam suavidade com tolice, com santidade, generosidade, caridade, ingenuidade, fragilidade ou babaquice. E talvez, seja tudo isso. Mas, o que se sabe é que a suavidade, é toda sutilidade em deixar ser e ver por si. É espelho muitas vezes, nas asas que nos concede, no sopro que nos refrigera por libertar e nos permitir, ver que todas as amarras apenas em nós há e só nos cabe admitir e então, soltar.

Suavidade é o que é, não se põe a revelia, por nada ou qualquer coisa, que dirá por covardia. Ela se faz ver e mesmo sem entender, mas com calma, suave nos presenteia com harmonia. Acolhe todo brado, agitação ou correria. E sorri ao mundo por esta aliança, desses teus e todos os lados. Ela sabe e vive o que também é ela, nestes, que se mostram ao contrário. Acolhe e jamais nega suas parcerias.

Suavidade vem feito brisa, nos solta quando abraça, erguendo em honra nossas asas. Não há esforço na suavidade mesmo quando lhe tentam usurpar a existência, em si e por excelência, apenas se mostra pra dizer, de outra face em nós, esquecida na negligência.

O difícil é suportar tal complacência, afinal, é muitas vezes, ousadia ou irreverência desta tal suavidade, esse tom tão sereno, de falar. É assim que então deixamos, abandonamos ou quem sabe, somos convidados a nos retirar. Afinal, a suavidade não se impõe como esperamos, guarda em si quase uma indiferença, se não fosse o seu legado sempre nos lembrar:

- sacode o mundo às avessas, fiel a uma coragem de olhar nos olhos e encarar, com tanta claridade que não nos deixa virar o rosto e fingir que ela não é ou não há.
🦋


🌹Kátia de Souza - 01/08/2021___✍
🔎Texto protegido em seus direitos autorais
T7314029 - Lei 6.910 (direitos autorais)