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sábado, 11 de setembro de 2021

No voo de um colibri

Na imagem, imagem via Pinterest - desconheço o autor

🦋Hoje eu tive uma visão... daquelas pequenas, frágeis e fugidias. Abriu-se a janela e num voo de colibri lá se foi ela para seus pousos em outros lugares...


... pensei ser algo que me foi dito ou explicado em algum momento, mas eis que de relance vi minhas mãos entregando coragens e recolhendo outras tantas que não pude contar. E o que na verdade me soou inusitado foram as cores e sons de cada oferta doada ou recebida. Não eram todos num mesmo tom, seja pelo som que emitiam ou pela cor que exuberavam. Pelo movimento que encenavam, chamei de dança e cada cor ou som doado, imprimia-se tons diferentes aos corpos como um todo. E aí sim, mais que uma dança porque foi aí que vi que as cores e sons vibravam em apenas velocidades diferentes, dando-lhes nuances diversas e de matizes e tons, inexplicáveis. Alucinada, talvez, me permiti e sem me explicar...


🦋E foi assim que deixei brincar meus dedos, nesse agora, de escrever coisas reais e parti daquele lugar que visava a cerca que os tolhiam. Vi que estamos todos a dançar entre entregas e recolhimento. E não há como fugir dessa dança, não há como dizer que não aprendemos os passos, pois, a todo momento estamos a doar e receber... estamos a dançar!


... e por incrível que pareça, nem sempre sabemos mesmo, é acolher o que nos doam porque não nos reconhecemos ali, de tão distantes que, muitas vezes, permanecemos de nós.


🦋Doar, realmente é uma arte. Entrega-se o que não nos pertence a quem é de direito, na precisa medida de não deixar que levem o que é realmente nosso. Mas, receber é para mim, a maestria que nos cabe, pois, estamos ali, naquilo que nos doam e reconhecer a nós mesmos, é um passo gigante, antes, dentro de nós. Sem isso, não receberemos o que nos pertence e ainda acreditaremos que é do outro, o vazio que nos invade.


🦋Onde te encontras naquilo que recebe e o que doas, é realmente, apenas do outro?


🦋E é nisso que sempre acaba essas asas de colibri; uma visão fugidia da poesia que me habita num poema mal escrito ou apenas um passar inspirador por mim. Mas tudo, através de uma janela que mal se abriu, já se fechou!


🌹Kátia de Souza - 08/09/2021___✍
Texto protegido em seus direitos autorais
 T7340129 - Lei 6.910

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Eu fui por ali

Imagem via Pinterest - Secret Kingdom

🦋Eu fui por ali rever meu caminhos, reencontrar minhas faces, deixadas
porque teus passos se aceleram e não pedem licença para ser
nos encaminham sem olhar os detalhes ou mesmo os recantos
isto, fica por nossa conta dar conta do saber
e naquela pressa de ver os dias contados em passos indomáveis,
tudo estava escrito por teus dedos

um olhar que está em toda parte
um querer disforme de nossa vontade
um prazer que dói para contar do seu rosto
inteiro e comovente
quando dos lábios faz brotar ao que veio

e elas voltaram, aquelas perdidas que deixei calar
elas me impuseram o corte, a poda para seguirem brotando
elas voltaram e em seu retorno fizeram-se palavras
afinal, da semente nada se sabe
silenciadas permitem-se tocar pela palavra renascida em flor

é, eu fui por ali
para encaminhar rastros, rever a velha amiga "coragem"
e reconhecê-la em sua verdadeira face
deitar-me junto ao feno, alimento seco, árido e tão linear
permiti-me ao triturar da palha, ao atrito dos dentes a remoer
vi desalinhados os vãos e percebi: era tempo de poda
recortar os galhos, permitir à terra o que lhe cabe
e deixar que volte ao silêncio dos seus dias, agora sabedora da decomposição
e então, assim deixar à mãe e em seu colo, seus filhos
e deles ver renascer o que floresce sem o querer dos homens

é, eu fui por ali
beber mais um pouco da seiva que embriaga
para fazer-se límpido os riachos que de mim escorre
e lava, leva o mais que podem, das barreiras a impedir o fluxo

é, eu fui... e agora, retorno
em teus braços largos
que a tudo cabe e quando pensei ir,
ainda assim, lá estavas sem dizer
e quando digo "em retorno"
sei que nunca parti e na verdade sempre estive
neste que não pede espaço e nem exige tempo...
afinal, sempre é

por isso, num inquietante aquebrantar-me,
... acolho-me... integra-me!🦋

🌹Kátia de Souza - 01/08/2021___✍
Texto protegido em seus direitos autorais
T7333093 - Lei 6.910

Em retorno

Na imagem: arte de Arthur Braginsky

🦋Aprecio o retorno, emociono-me com tua presença
nesta face tão conhecida

apresentou-se a mim, na infância dos meus dias
e coroa-me ao entardecer

como não celebrar toda a sua bravura,
de me ter no silêncio e me deixar a mercê
para ser o que meus passos ditaram
espalhada pelos cantos em tantos sentimentos ...

Experiências diversas silenciando os porquês
e deixando-se ao "não-saber"

E nesse agora, sussurro teu nome
entre uma inspiração e outra

um pouco de partida e toda a chegada,
pois, não sois de parada

... e calada(o) aprecio, emociono-me o não ir
e sequer vir

acolho toda a permissão sem palavras ...
... deixo ser como tuas mãos soltas me libertam!🦋

🌹Kátia de Souza - em 2018 (reeditado)___✍
Texto protegido em seus direitos autorais
 T7333057 - Lei 6.910

terça-feira, 10 de agosto de 2021

Ouço

Imagem via Pinterest

🦋Removo as paredes que ecoam como guias
e ouço

teus olhos espalhados esqueceram de ver
fecha-os a toda poeira que se levanta

afinal,
em realidade esta, não há

diluído os limites que cegam para si mesmo
agora, vá

caminha sobre as águas que te representam
sejas o que teus pés deitam para cultivar
e não permeie-se mais daquilo que não te cabe
pois, ilimitados sois para além dessas margens

se te sabes
ouve a mim
onde ninguém mais poderá ir

a não ser que também
inverteu os espaços e fez das aberturas,
apenas seu começo... e é, enfim!🦋

🌹Kátia de Souza___✍
🔎Texto protegido em seus direitos autorais
T7318165 - Lei 6.910 (direitos autorais)

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Suavidade

Imagem via Pinterest, desconheço o autor

🦋É, a suavidade existe e sacode o mundo. Na calma que lhe assiste, na serenidade que lhe contorna. Na aparente lentidão, torna-se carícia, mesmo quando nos diz não.

E que não confundam suavidade com tolice, com santidade, generosidade, caridade, ingenuidade, fragilidade ou babaquice. E talvez, seja tudo isso. Mas, o que se sabe é que a suavidade, é toda sutilidade em deixar ser e ver por si. É espelho muitas vezes, nas asas que nos concede, no sopro que nos refrigera por libertar e nos permitir, ver que todas as amarras apenas em nós há e só nos cabe admitir e então, soltar.

Suavidade é o que é, não se põe a revelia, por nada ou qualquer coisa, que dirá por covardia. Ela se faz ver e mesmo sem entender, mas com calma, suave nos presenteia com harmonia. Acolhe todo brado, agitação ou correria. E sorri ao mundo por esta aliança, desses teus e todos os lados. Ela sabe e vive o que também é ela, nestes, que se mostram ao contrário. Acolhe e jamais nega suas parcerias.

Suavidade vem feito brisa, nos solta quando abraça, erguendo em honra nossas asas. Não há esforço na suavidade mesmo quando lhe tentam usurpar a existência, em si e por excelência, apenas se mostra pra dizer, de outra face em nós, esquecida na negligência.

O difícil é suportar tal complacência, afinal, é muitas vezes, ousadia ou irreverência desta tal suavidade, esse tom tão sereno, de falar. É assim que então deixamos, abandonamos ou quem sabe, somos convidados a nos retirar. Afinal, a suavidade não se impõe como esperamos, guarda em si quase uma indiferença, se não fosse o seu legado sempre nos lembrar:

- sacode o mundo às avessas, fiel a uma coragem de olhar nos olhos e encarar, com tanta claridade que não nos deixa virar o rosto e fingir que ela não é ou não há.
🦋


🌹Kátia de Souza - 01/08/2021___✍
🔎Texto protegido em seus direitos autorais
T7314029 - Lei 6.910 (direitos autorais)

quarta-feira, 28 de julho de 2021

Inocência

Imagem: arte de Daria Petrilli Tutt'Art@

🦋A inocência é a voz íntima sublime que nos faz companhia e nos abraça em parceria. É a suavidade de quem soltou o mundo e abraçou o seu próprio mundo para além da palavra ou qualquer entendimento. É o frescor de quem vive a coragem de encarar suas próprias esquinas e retas diluindo-se pouco a pouco e ainda assim, ouvir a confiança de sua própria voz. E ainda, talvez, seja o "não-saber" e ainda assim confiar.

🦋A inocência não possui referência alguma, a não ser aquilo que não se define, mas se permite sentir, dentro. Não é rotulável ou traz na mala o conhecimento de nada, além dos sons que emite o tom de seus passos ou sua existência, para se fazer presente. E estes sons, são tão únicos; vem deixam-se ecoar e vão, quase no mesmo segundo. Não, não fazem questão de perpetuar. São sempre novos, primeiros ou inícios. E até por isso, se confundem com o canto das sereias; aquele que ingênuo não viu que é apenas uma malha fina de uma única intensão: diluir os incautos, junto às águas daquele oceano, em tuas ondas desdenhar de suas forças e os levar para lá e para cá numa dança hipnótica. É assim que aprendemos de nossas próprias faces, em cada solavanco. É da ingenuidade, nos fazer reconhecer os perigos do mundo, até que chegue a inocência.

🦋A inocência vai junto às mesmas águas portando seu leme e mesmo que sem direção, ali está ele, o leme nas mãos, repartindo o fluxo, discernindo as profundidades, reconhecendo até mesmo, sua própria extensão. E quando em mar revolto, abraça-o junto ao peito e deixa-se sobre as ondas, flutuar. E faz de cada momento, inspiração e aos céus se lança, ganha asas, se põe a voar.

🦋A inocência, é estar em si, é viver o que não se pode ver ou ouvir, mas no simples silencia para ser e é. E em cada ser a mesma se apresenta, sem cópias, sem diretrizes e que cabe a cada um em si mesmo, calar. Na inocência não há palavras, falas e se há alguma coisa, talvez seja, compreensão.


🌹Kátia de Souza - 25/07/2021___✍
🔎Texto protegido em seus direitos autorais
T7309285 - Lei 6.910 (direitos autorais)

terça-feira, 27 de julho de 2021

Como anda você?

Imagem via Google, desconheço o autor

🦋E aí como anda você? Como está de verdade? Como anda a sua humanidade em meio a tantas tarefas, atividades que um mundo dito moderno e tecnológico nos apresenta?

🦋Vens conseguindo realizar seus sonhos ou mesmo projetos diante de algumas oscilações humanas ou experiências inusitadas que a vida nos oferece? E o ser humano em você, vem conseguindo se expressar mesmo diante dos seus projetos? Será tudo isso inerente a vida humana? É possível separa-los? Como anda você?

🦋O que anda vendo, lendo, sentindo, se dedicando? Como anda os teus, aí dentro e fora, ao seu redor? Tens saudades de alguém? Tem lembranças, cheiros da infância gravado na memória? Tem sinais, gestos ou mesmo olhares que ainda te habitam? Sim, como anda você?

🦋Como tens cuidado de ti? Há momentos que desejas estar sozinho e não consegue e outros em que deseja companhia e encontra-se sozinho? O que isso quer nos dizer? A vida fala contigo? A vida fala? Há mensagens que a vida, Deus ou o Universo, nos manda, através das experiências? Sim, como anda você? Seu olhar, o que sentes, o que pensas, o que te entristece e o que te alegra? Como anda você?

🦋Sim, eu quero saber. Aqui também é um humano que vive, pensa, sente e sabe, há sentimentos por aí. Há confissões silenciadas, há dores caladas e até sufocadas. Há cansaços não ditos e nem sempre dando espaço para descansar. É, a vida é mais do que se pensa ser. Por isso, quero, realmente saber: como anda você?

🦋Por essas redes, fico aqui pensando quem será esse ser humano por trás desse cartaz? Quem é e como anda? É, não é possível saber, completamente, plenamente. E em tempos de pandemia, parece que o humano que não abraça mais como antes, não se aproxima como antes, não toca, não vê totalmente as expressões ou mesmo, precisa repetir várias vezes a mesma palavra por traz da máscara para ser entendido, através de uma voz abafada; parece que ele está mais distante. Mas, também tão próximo, pois, poderíamos estar mais perto de nós e nisso, trazer em reflexo tal humanidade. Mas, estamos? É aí esse humano, aqui, por aí? Vê, sente, percebe ele por aqui e por aí? Ele vive?

🦋Você se lembra de ti, do humano aí, dentro? Daquele que se calou tantas vezes para dar vazão a outras coisas e que nem sempre dizia dele em si? Sim, como anda você? Você, não apenas palavra, não apenas roupagens, não apenas aquilo que te deram como nome, não apenas perfil ou página; você, para além da letra, dos nomes, das regras, dos ditos que nada dizem, sobre esse aí... o realmente você. Como anda?

🦋Sim, eu gostaria muito, de saber!

🦋E talvez, esse seja apenas um texto poético-reflexivo, mas é algo que se espelha sobre o tal humano em mim, talvez... ou algo que se espalha sem que vejamos, a tal pergunta: Sim, como anda você, humano? Com pele, ossos, carnes, veias, sangue e alma. Como anda?

🦋Mas, talvez isso seja apenas saudade da tal proximidade em tempos tão modernos e tecnológicos. Nostalgia que se abandona para não viver no passado e não cair na resistência do novo, enfim. Talvez...

... eu, vou seguindo meu traço, meu faro, meu peito em desalinho que se alinha após tantos e tantos passos, por aí, por aqui e por mim, sim. Poemando, refletindo, desejando e criando. Construindo e desfazendo, vivendo o que sinto. É, talvez, por aqui é o que se possa dizer: estou indo!
🦋


🌹Kátia de Souza - 27/07/2021___

🔎Texto protegido em seus direitos autorais
 T7308401 - Lei 6.910 (direitos autorais)

domingo, 18 de julho de 2021

Imagem caprichosa

Na imagem: arte de Eli Chang

🦋Capricho mesmo, é pensar que aquilo que é da gente tá ali na exposição do nome que foi dado: "é da gente".

Agora, caprichoso é esse caminho de desvanecimento que dilui tudo que passa pelas mãos sem deixar rastro... e na boca, o gosto do "não mais", passou.

É... caprichoso é esse jeito pequeno de pegar e largar, brincar de soltar para imaginar ser solto, mas repetindo gestos. Quando na boca o silêncio contido dizendo o que realmente, é.

Ah! Capricho das ordens e lições em quartéis sem guarda, vê se fala p'ro caminho deixar de querer ser seta e dar as caras, pular feito menino que volteia desenhando a beleza da vida em multiplicidade. E ainda tem o capricho de ser a paisagem e o sabor de todos. Diz também para ambos pular em coro, além desse horizonte, ali bem dentro da gente.

Caprichoso mesmo é soprar aromas das mãos que sabem acariciar a alma quando em prosa sai das retas e ouve sua própria valsa!
🦋

🌹Kátia de Souza em 2018 (reeditado em 18/07/2021)___✍
🔎Texto protegido em seus direitos autorais
ⒸT7301939 - Lei 6.910 (direitos autorais)

quinta-feira, 15 de julho de 2021

É incrivelmente belo

Imagem via Google - desconheço o autor

🦋É incrivelmente belo aquilo que nos permite ir em sobreposição aos lugares predeterminados. É vivo o seu compor à nós. É incessante o seu bailar em dança inédita e é preciso o seu entoar em tons diversos. Ele, não se aninha em ritmo único, é dele toda a diversidade que se multiplica ao infinito e isto, diz de atributos que está além da nossa compreensão.


Falar dele é apenas ensejo ou desejo de recantos íntimos que se comunicam para não esquecer ou preencher-se de sentido. E até se deseja outras palavras que lhe descreva a face em meio as letras. Mas, elas se calam em algum ponto e nos pedem distância - para compor a proximidade é preciso saber deter-se. Então, cala-se, distancia-se e permite-se ir, nos braços desse que sustém a nós, dito mistério.

Mas, como não ver a chama em tanta dança? Não permitir que a magia nos leve e fale por si? Como não se deitar aconchegada em meio as brasas que antes nos fez te repelir?

Como não aquietar-se junto ao coro de aquecidas concordâncias? Que discordam e é nisso que fazem par. Par de parceria esquecida num silêncio qualquer. Porque é nesta voz que entoa tua letra.

E como que querendo perder-se ao longe e distanciar-me de ti, retorno, só para reafirmar suas próprias palavras de dizer que não há lugar nenhum e como voo, não pega, apenas voa.

Por isso, talvez, seja incrivelmente belo, o seu sobrepor-se à nós e amoroso demais em nos deixar disso provar; o ar em vento brando que teima em refrescar a face.

Das tuas mãos recebo o cálice e sem diretrizes que me apontam gestos, permito desde a pele o teu toque em abraço e o vinho que me dessedenta a alma, em preenchimento!🦋

🌹Kátia de Souza -09/07/2021___✍
Texto protegido em seus direitos autorais
T7300278 - Lei 6910 (direitos autorais)

sexta-feira, 9 de julho de 2021

Entrega

Na imagem: arte digital de Fredo Lima

🦋Só pude dizer que fui, sou ou serei, naquele instante não marcado pelas mãos que delineiam meus passos;

quando me entreguei no colo da experiência e te vi sorrir, brincar com nossos percalços, atropelar todas as nossas certezas e beber juntos do vazio que nos perde;

foi naquela entrega sem intenção, fluindo com a natureza do que somos que peguei uma porção de nuvens com meus olhos e antes que dissolvesse, pude sentir o que desesperadamente, tantos buscam, sem saberem que se encontram já aconchegados em seu colo;

e para não me deixar existente novamente, tão certa e tão inteiramente desenhada pela inteireza, soltei-a feito pássaro; e como é de ser, evaporou-se aquilo tudo, no meio do sorriso de um par de entrelaçadas mãos;

e num suspiro caímos em meio as palavras metades e vestindo-nos de asas, despencaram ambos, naquele chão onde não se precisa mais nada e onde o "ter que" nunca mais nos fez sentido!
🦋

🌹Kátia de Souza - 09/07/2021___✍
🔎Texto protegido em seus direitos autorais
ⒸT7296339 - Lei 6.910 (direitos autorais)

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Anúncio

Na imagem: arte de Vladimir Kush

 

🦋Falaremos por meias palavras
ou palavras inteiras que na cisma
se originou

afinal,

toda palavra é parte
de um inteiro que se calou

por isso, entenda que a cisma
não é aquilo que você, desconfiou

e cala-se não por imposição
contrárias opiniões
cala-se porque o que era se findou!🦋

🌹Kátia de Souza - 08/07/2021___✍

🔎Texto protegido em seus direitos autorais
ⒸT7295468 - Lei 5910 (diritos autorais)

sábado, 3 de julho de 2021

Cara a cara

 

Na imagem: arte de Tomasz Alen Kopera

🦋Aqueles olhos que vejo a minha frente, não são olhos de compêndios, não há registros que sustente aquele olhar


🦋E naquele tom mora uma voz. Um voz que me toca, corta e me fala em cada vibração: estou vivo!

🦋Aqueles desejos recheados de passos, mãos, lidas, sorrisos, lágrimas; não vi palavra alguma decifrar-lhe os enigmas das suas existências.

🦋E aquele segredo encoberto por certas posturas contraditórias, gerando tanta impaciência nos iguais em esforço por serem diferentes. Ah tão lindo o desejo puro de não querer atender a premissa alguma e continuar a manter-se no lugar onde se vive o que se pode viver!

🦋E aquelas páginas todas sobrepostas, revirando-se como se soubessem de onde vem tanto pulsar. Apagou-se em meio a página em branco diante de mim, mas tão viva, viva naquele olhar!

🦋E aquela confiança perdida em suas inseguranças, espalhadas em minhas mãos. Como não permitir que esta, em singular existência falasse o que de si transborda, mas no silêncio ainda de suas palavras?

🦋E foi impossível não sorrir quando se fez o encontro do que se assemelha. Toda vontade discordante caiu no colo das diversidades e entendeu-se dos caminhos, falou-se da abundância e supriu-se, todo o espaço ou distâncias, daquelas singulares, humanidades.

🦋E foi assim que se disse: vá! E ele disse sim, vou e sei que fico em algum lugar. Sei que aquele que fica ou vai; retorna ou jamais volta, este, sempre permanece em cada um de nós.

🦋Criou-se, floresceu sem que ninguém presenciasse, mas todos em algum espaço em si mesmos, tornou-se livre do provar ou comprovar alguma coisa. Foi assim que os caminhos riscados por tantos dedos e ditados por tantas vozes, retornaram aos seus lugares de direito e sussurrando a si mesmos: "Tarefa cumprida. Eis que mais alguns se colocam a nos transcender!"

🦋Viver nos coloca cara a cara com a vida e fica impossível não respeita-la no outro, mesmo diante das contrariedades e discordâncias. E talvez seja assim que nos tornamos eternos, nos aproximamos ou ficamos, jamais partimos quando se mora por dentro!

🌹Kátia de Souza - 03/07/2021___✍
🔎Texto protegido em seus direitos autorais
ⒸT7292001 - Lei 6.910 (direitos autorais)

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Eu não sei ...

Imagem, via Canvas

🦋Eu não sei da liberdade a não ser quando esta vem, me sopra seus segredos e depois vai aos seus refúgios distantes.

🦋Eu não sei nem mesmo das correntes que do avesso daquelas outras, se impuseram a nós feito elos, feito glamour de quem sabe por onde ir.

🦋Não, não sei da minha voz que em sua rouquidão vai desarmonizando o tempo e o espaço da música e compondo outra canção.

🦋E quem poderia dizer o que seria, se eu pudesse ouvir a música inteira nesse espaço tão pequeno de um só. Seria de certo uma aventura, teria eu que ser um polvo onde seus tentáculos segurariam, cada porção oferecida.

🦋Mas, não sou. Sou este que peca e aproxima-se do incerto e obscuro momento da entrega, do descabido ou impensável. Sou quem te dita os caminhos e se cala diante da incerteza que apenas se aclara a cada passo. E nem por isso, sou mais ou menos. Nem por isso, deixo a minha existência em outras mãos. Sigo os caminhos dos meus olhos que se deitam ao chão e voam ao céu sem precisar ou querer medir, a real dimensão.

🦋Sopram-me, sempre, sobre os descaminhos e as incertezas, falam-me das asas e dos elos, ditam-me coisas que não alcanço e nem sequer presencio o desejo em mim de sabê-las. E ouço silente e tão atento que abre-se sobre meus pés outro universo e nem sequer me perco ou me acho, estou ali... mas quando nesses braços continentes me coloco, me aconchegam e vive-se o que é apenas sopro e sentiu-se em algumas esquinas, por quais viramos, quando não queríamos ver.

🦋É muito preciso o seu existir, é "uninuclear" a sua aventura, é tão clara a dimensão que nossos pés alcançam que chega ser simples o nosso passar e tão complexo de atender ao que disso tudo, irradia-se. Nossa visão particular nos singulariza na simples presença da continuidade, sem mais outroras ou advires.

🦋Talvez seja isso a palavra solta ou inexistente que desaparece todos os dias em cada por do sol. E diante dos crepúsculos, somente essa voz, em nós, fala... o silêncio. E não há outra voz que tenha o poder de me fazer nascer tantas vezes e por isso, existir!


🌹Kátia de Souza - 01/07/2021___

Texto protegido em seus direitos autorais
ⒸT7290602 - Lei 6.910 (direitos autorais)

terça-feira, 29 de junho de 2021

Pequenos desejos

Imagem via PInterest

Quero uma palavra bonita
que enfeite o dia e aqueça as manhãs.

Quero um verso caprichado
de tecido engomado
como faziam, as minhas avós.

Quero uma estrofe pequena
com rima perfeita
feito pão quente
saindo do forno
com cheiro de tarde.

Quero uma letra miúda,
caindo silente
nos braços da linha
suave, feito criança
sorrindo p'ro sonho
nas asas dos anjos

Quero um texto que abrace
feito filho distante, saudoso de mãe,
feito gente que é pele, 
com ela se veste,
 e a nós também sente.

É, quero um amor que não se pague
e talvez se apague e se finja de morto,
pra dizer por aí
que nunca, passou.

Quero que jamais se finde
a poesia que tinge, os dias e noites
de cores e flores
de qualquer estação

e o poema que acaba, pouse macio
em seus olhos sorvendo,
... como a abelha na flor!


Kátia de Souza - 29/06/2021
Texto protegido em seus direitos autorais
T7289417 - Lei 6.919 (direitos autorais)

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Imagem via pinterest, quem souber o autor, agradeço

🦋Acende menina em teu peito
a chama que acalma a alma
desfaz os enredos
e enlaça nos lábios o brilho esquecido

é apenas chuva
passageira
é apenas colo vazio em teu leito

é apenas distância
espaço efêmero
é apenas você diante do espelho

Acende menina
em teu peito
a chama da alma

... teu coração, por companheiro!🦋

🌹Kátia de Souza - 28/06/2021___✍
🔎Texto protegido em seus direitos autorais
ⒸT7288473 - Lei 6.910 (direitos autorais)

domingo, 27 de junho de 2021

Palavra parida

Na imagem: arte de Clodi_z

🦋Tem palavra que a gente já pariu, só não aguentamos suas cores. As mesmas, ofuscam e calam as palavras já pré-concebidas, ditadas e reverberando em nossa mente.

🦋Palavras, estas últimas, de crenças que nos sustentam em nossos lugares confortáveis, lugares que nos denunciam em nossa hipocrisia, em nossa falta de empatia, em nossa mediocridade. Sustentam nossa face sombria e mascarada de dizer que gosta quando não gosta, apenas para agradar aos ouvidos e não dizer da nossa antipatia. Ou ainda, para usar até a última gota, aquele que nos é de interesse, com um sorriso nos lábios e palavras doces.

🦋Somos esquisitos, estranhos, mal humorados, preconceituosos, trevosos por dentro; vestidos e identificados com uma luz ou personalidade que, hoje, é uma casca fina e deixa escapar a voz rouca saindo das frestas desse tecido puído. Não dá mais para esconder, está a mostra, estamos vendo, é triste sim, mas real. Melhor assumir do que deixar apenas para o outro carregar esse fardo, quando através dos teus dedos em riste, você aponta que ele ou aquele, é que está errado.

🦋Somos feios por dentro e queremos nos esconder diante do silêncio que grita em nossos ouvidos, tudo isso. Está aí a palavra que queremos ver morta ou sufocada dentro do nosso silêncio, dentro de uma postura enigmática de uma pessoa que de magia, só entende o que é escrito nos livros; viver isso, está longe essa maestria.

🦋Queremos abortar a palavra nascida em nossas orelhas, mas ela está lá falando e falando, sempre. E nós, nós cerramos os lábios acreditando no ideal de um silêncio inspirado que nos dite palavras mansas em tempos de loucura. Isso no mínimo seria lindo se fosse só o único a dizer, mas como isso diz de toda uma massa ensandecida, é tosco, louco e pobre. De um pobreza de espírito que não me convence mais.

🦋Prefiro a palavra torta, que denuncia, que revela, que deixa ver a que veio do que bajular com palavras de uma casca rachada e sua nudez escura, sorrateira, pérfida e venenosa, escorrendo pelas frestas.

🦋Estou aqui torcendo pelas palavras lindas retornarem, mas elas se negam e não vejo mais outra travessia a não ser denunciar nossa farta e bem alimentada farsa de querer ser gente quando escondemos nossos rabos por aí, com cara de pessoa evoluída, centrada madura e resolvida.


🌹Kátia de Souza - 27/06/2021___
🔎🔎Texto protegido em seus direitos autorais
T7287982 - Lei 6.910 (direitos autorais)

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Bem aventurados os que veem

Na imagem: Foto de Alena Root em fivehundredpx

🦋Bem aventurados aqueles que conseguiram ir além do que nos veste; porque respeita a ilusão que as vestimentas representam e sabe que além delas mora a verdade; sabe que mesmo, ambas, morando nas casas do efêmero, trafegam sobre as mesmas, ciente da fonte;

🦋Por traz de cada manto, vestido ou tecido a encobrir o corpo, mora o calar das vozes e o silenciar da palavra; e toda aquela gravura que deforma, é descartada, põe à vista a poupa, e dela autoriza-se a prova;

🦋Provar do gosto ambíguo das paragens da alma e sorver o amargo, ciente de que é dela todos os sabores da travessia, não é coragem nem covardia, é sina, é traçado antes, e sentido bem depois do intento de saber ou retornar; e somente assim, então, sorrir;

🦋E mesmo diante de rijos, todos os músculos da face, em repulsa no beber da seiva, não se perde o trago e nem o tempo de sorvê-la; já que se espalhou por todas as papilas, saborear é o que não se pode, mas se faz para cumprir com o sussurro soprado entre as orelhas, decidindo-se pelo que sussurra; e o que te impulsiona, o que leva, calado te toma, te põe à marcha;

🦋E serão poucos os que pedirão do outro cálice; na dúvida e por não verem o professor, verterão sobre os pés, para que escorra ao chão, o suposto ácido que por ventura arderia a língua; ignotos do mel que se desperdiça e o mesmo, ao lamber a terra a fertiliza em retorno; para quem sabe em outra visita, poder desta taça embriagar-se, até a lúcida presença de um olhar, realmente novo ou renascido;

🦋Bem aventurados os atrevidos que souberam que era deles, toda a ação livre e não se permitiu moldar por aquelas paredes perfeitas, disfarçadas de plenitude; viveu seus atrevimentos, provou sem gosto e com gosto, de todo o cálice e não desperdiçou tempo em beber das escolhas retraídas ou temerosas do estreito apego que o controle lhe oferece;

🦋Quis da estreiteza seu aperto até não sobrar mais uma partícula de ar em seus pulmões para então, cair naquela amplitude sem vista horizontal ou vertical e nisso, soltar-se em honra ao que lhe ensinou todos os limites, erros, fracassos, medos - todos os renegados; e os que foram aceitos, já não são plateia, já não se encontram mais, foram em partida não quista, mas foram para sustentarem estes, renegados;

🦋Os espaços em vazio infinito se abrem, os ruídos se calam e a vista já não se detém no adiante; os olhos são pássaros que pousam junto aos sons que se multiplicam por dentro e em canção harmônica, saudando aquilo que não se atreve restringir na palavra sem alcance; mas estão lá cada uma delas, todas as faces, em seu lugar e também, seus adversos;

🦋Cada vão, cada gota vivida... um universo desbrava-se nele ou naquele, bem aventurado que vai além daquilo que nos cobre o corpo. Toda veste é necessária, mas são delas a natureza de se desgastarem primeiro para que se veja; então, bem aventurados os que veem!

🌹Kátia de Souza - 22/06/2021___
Na imagem: Foto de Alena Root em fivehundredpx
🔎Texto protegido em seus direitos autorais
ⒸT7285228 - Lei 6910 (direitos autorais)

terça-feira, 22 de junho de 2021

Em cada passo

 

Na imagem: arte de Daria Petrilli

🦋Não te enviarei qualquer sentido
que faça diluir ou esmaecer
o que só cabe a cada um
e entre vocês, florescer

e mesmo na correnteza fluirá límpida,
cada gota que orvalha em todos
pois, por reflexo,
jamais permitirei que sejam agudos
e moldem o côncavo em convexo

e mesmo que seja em brumas teu amanhecer
não será justo a não permissão do tempo,
até que chegue o sol e os façam ver
que são todas tuas, as manhãs de inverno

não te enviarei retalhos ou refugos
de caminho outro que não calçado
em teus próprios calcanhares
ali firme e para além de justo
não te elevarei altares

mesmo que o enlevo não seja visto das planícies
e na subida sejam eles, teu anelo mais dorido

ficarão todos eles em teu corpo
marcas de um trajeto vivido
de um percurso sabido
mas nunca mal contado
por qualquer gosto impreciso

é, não te enviarei cuidados
pois sabes do que lhe foi incumbido
nem mesmo em dias segredados,
as confissões admitiram atrasos
nesses teus laços repletos de riscos

já que ousastes o voo soprado
verás em cada coragem vestida
um pouco do que semeastes
um pouso do que é tão pouco

e mesmo que seja bruma ou mesmo na correnteza
não te enviarei refugo, não te darei retalho
não te doarei cuidados, nem te darei sentido
desvelará por si, tudo...
... em cada passo dado!🦋

🌹Kátia de Souza - 22/06/2021___✍
Na imagem: arte de Daria Petrilli
🔎Texto protegido em seus direitos autorais
T7284609 - Lei 6.910 (direitos autorais)

domingo, 20 de junho de 2021

A bailarina

Fotografia de Tim Walker

Ela era bailarina e dançava, secretamente
doava aos ponteiros do relógio, suas pontas como eixo
e vasculhava seus livros de memórias
a cada curva de uma lembrança
eram olhos, boca, face a saltar em pleno ar

um giro, mais um giro a se alargar

e lá vai ela em pleno voo
viu cada par pintado feito tela
em movimentos que jamais contaram
e dançou com eles, todos eles
em sua dança de confirmação

estavam lá todos os braços
todas as mãos, todo peito a lhe recolher
em todos os saltos, em todos os nãos

e num instante para ajustar os laços
polir as pontas, refazer as bandagens
ouviu dos lábios o que sempre inquiriu

já era em par aquela dança
lá ao longe quando no palco
sombrearam as cortinas em seu se fechar
aos olhos do mundo que encenava a plateia
e nos bastidores luzes contornando
aquele espelho que testemunhou
o figurino a desfazer-se
e por a mostra o que nela era
o único espetáculo que jamais findou

palavra recolhida, ajustes bem feitos
agora ela volta ao seu calar
daquela dança que é teu descanso
e em colo terno vem lhe abraçar!


🌹Kátia de Souza - 18/06/2021___✍
Na imagem: fotografia de Tim Walker
🔎Texto protegido em seus direitos autorais
ⒸT7283054 - Lei 6.910 (direitos autorais)

sexta-feira, 18 de junho de 2021

De volta pra casa

Na imagem: Arte de Lily Mastrange

🦋É interessante ver-te por aí
pousar em tuas narinas para sentir teu rastro
a nos vestir com tantas nuances;
é um colorido que se distingue por tonalidades múltiplas
vindas, sem dúvida, daquele rubro ardente das tuas veias
partindo para um acobreado silente em tua pelagem

é ... e também é interessante ver meus olhos, nesse instante,
pousar em tua passagem ou vestes e então, sorrir
nem sempre é assim, eu sei, mas celebro esse instante
por poder ver, por poder sentir, por poder acima de tudo,
contemplar e sorrir

sorrir com os dentes à mostra, com o eriçar dos pelos
e mesmo de olhos fechados,
ouvir à distância teus passos sobre nós

não, não é estranho apesar da estranheza ser sua cortesã
ou anfitriã nessas casas distribuídas pelas vielas
mas, nesse agora, não, não é

você se põe inteiro ao meu redor e vejo,
sonho, imagino, canto e danço em teu compasso
terno e tenso em cada músculo
como é incrível o dom de guardar em si os lados
os opostos que por entendimento seriam contrários
e em ti, toda a inteireza

como é vivo e vibrante esse enlaçar de tudo que evitamos
como é calmo esse deixar ser em ti, disso tudo que negamos
por que o fazemos, se é assim?

talvez, porque não o provamos ou não queremos
sim, não queremos o pisar dos cascos tão duros, rígidos lá fora,
nem o gosto das ervas em nossa língua
o amargo que tu provas em cada chão por onde clareias

e como é alto e corajoso esse teu enlaçar
e tão duvidoso quando não estamos lá

talvez a subida mais fácil não seja vista
porque estamos acostumados com as íngremes ladeiras
disseram-nos que era para ser pequeno o nosso passo
e que de asas e ouvidos aguçados
somente quem não faz parte desse mundo

e não estão tão errados assim
porém, para descobrir é preciso antes agarrar bem firme
ali cada rocha encravada na montanha e no sufoco tentar ir
depois, tão somente retornar
olhar em teus olhos serenos porém firmes
e seguir-te junto a encosta, bem ali, passo a passo
no simples jeito e teu, de nos levar de volta para casa!🦋


🌹Kátia de Souza - 18/06/2021___✍
Na imagem: arte de Lily Mastrange
🔎Texto protegido em seus direitos autorais
T7281887 - Lei 6910 (direitos autorais)