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| Imagem de Mariola Glajcar |
Quanto mais me espanto com os descobrimentos, mais nua fico diante da obra caleidoscópica que se converge, diverge e se agiganta para todas as direções. Não é coisa de sã consciência tudo isso; é mágica encontrada em pura sensação de arte que se entorta toda para sair das longínquas estações onde se encontra; deforma-se em tantas coisas, mas se apresenta de acordo com sua ponte animada e na voz do autor. Diga-se de passagem, Criador. E não tem jeito, destapou-se a laje do porão, lá vem ela desinibida sem medida ou proporção; deságua leitosa, abundante e vaza a quem quiser sua grata presença. E antes de se destampar qualquer coisa ali, pode-se sentir as batidas na porta e cabe-nos sim, a decisão de abrir ou não. Contudo, sou das loucuras humanas, decidida e inacabada, permito e sempre destampo, abro onde ouço a sua canção. E depois de aberta, não há medida que lhe contenha, ganha vida além das estradas, contextos ou direções. Tudo é somente ela, somente seu existir, importa. Então, cabe-nos apenas sorver suas cores e deixar que o mundo se perfume de seus odores. Não, não tenho mais pudor diante dela, somente ele(o pudor) vem quando encobre-se novamente sua saída, mas tudo bem, são compostos necessários para o alimento de toda a substância que nua e desavergonhada, ela, se sobrepõe a qualquer entendimento.
(Kátia de Souza em esboços para "Ensaios de um Novo Tempo")
03-02-2020