segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Obra caleidoscópica (Ensaios de um Novo Tempo por Kátia de Souza)

Imagem de Mariola Glajcar
            Quanto mais me espanto com os descobrimentos, mais nua fico diante da obra caleidoscópica que se converge, diverge e se agiganta para todas as direções. Não é coisa de sã consciência tudo isso; é mágica encontrada em pura sensação de arte que se entorta toda para sair das longínquas estações onde se encontra; deforma-se em tantas coisas, mas se apresenta de acordo com sua ponte animada e na voz do autor. Diga-se de passagem, Criador. E não tem jeito, destapou-se a laje do porão, lá vem ela desinibida sem medida ou proporção; deságua leitosa, abundante e vaza a quem quiser sua grata presença. E antes de se destampar qualquer coisa ali, pode-se sentir as batidas na porta e cabe-nos sim, a decisão de abrir ou não. Contudo, sou das loucuras humanas, decidida e inacabada, permito e sempre destampo, abro onde ouço a sua canção. E depois de aberta, não há medida que lhe contenha, ganha vida além das estradas, contextos ou direções. Tudo é somente ela, somente seu existir, importa. Então, cabe-nos apenas sorver suas cores e deixar que o mundo se perfume de seus odores. Não, não tenho mais pudor diante dela, somente ele(o pudor) vem quando encobre-se novamente sua saída, mas tudo bem, são compostos necessários para o alimento de toda a substância que nua e desavergonhada, ela, se sobrepõe a qualquer entendimento. 

(Kátia de Souza em esboços para "Ensaios de um Novo Tempo")
03-02-2020