sábado, 8 de fevereiro de 2020

Sombra ... (Ensaios de um Novo Tempo)

Imagem via Pinterest (desconheço a autoria)
          Quando não tememos a nossa própria escuridão ou pelo menos começamos admitindo-a em nós, podemos, encarar o mundo com mais coragem. Afinal, sei dos ideais, agora, sei da efemeridade das palavras e comportamentos, e nisto, estou ali, mesmo que calada ou apenas observando, mas estou, nenhuma grade é corrente, estou livre em mim... aclarada, lúcida, sendo quem sou... 

          Mesmo que todas as palavras me falte, mesmo que não tenha rosto, corpo, marca alguma que me denuncie a existência, mesmo que tudo desapareça e somente meus olhos, além de qualquer outra perspectiva, se estes veem, então eu vivo e estou ali, sendo... e isso, ninguém, ninguém há de ser... somente eu posso ser o que sou...

          Quando negligenciamos a nós mesmos, isto cega, e nos põe no pódio mais baixo da vida e nos faz sentir como se jamais fôssemos qualquer coisa, tudo é efêmero, perde o gosto, em algum momento... nada satisfaz, e ser este humano íntegro, completo toma uma distância inconcebível e somente aos outros, é concedido tal direito, assim pensa a cegueira; isto e muito mais que não cabe em palavra alguma ou que eu possa descrever... estive cega de mim, mas pude, em tempo acordar, por isso sei ...

          Ser-se, requer coragem de saber-se e saber-se, requer coragem de abrir mão daquilo que não te pertence e te convenceram que é seu, e só nisto te pensas humano, grande, forte, vivo e existindo... sem isso, o que és, realmente? Nada te preenche, o silêncio e o vazio te toma e encolhido fica em meio a escura percepção que te enlaça e ao mesmo tempo te chama, mas não te reconheces ali, não é mesmo? Pois, tens que brilhar e ser o que te disseram para ser. Sinto, pelos teus olhos, mas meus pés e mãos possuem ardor, fogo que queima e chama por vida, então, já fui, mas nunca me despedi tão claramente, por isso, se puder acorde, porque já não estou mais, minha voz, é para os meus próprios ouvidos em pretensa expressão de um Amor, inconcebível!

(Kátia de Souza em Ensaios de um Novo Tempo)
08/02/2020