domingo, 9 de fevereiro de 2020

Caminhos (Ensaios de um Novo Tempo)

desconheço a autoria da imagem
          É interessante o quanto cabe de nós quando há espaço. Mas, fico me perguntando se estes espaços todos, não são, em muitos momentos, fita isolante. Sim, pois a corrente não passa, após adesão consentida. Aderir-se aos espaços que nos são concedidos, deixando-nos claros, feito luminária incandescente, é como abrir as portas de um templo, daqueles bem antigos, conhecem? Sim, como é bom ter olhos claros na incandescência da noite; propagam-se as luzes e as sombras e todo o resto de nós. É um mar de quinquilharias aquilo tudo e no meio do tintilar das peças, diante do toque, preciosas raridades. E no chão, a cada passo... o ranger do assoalho, nem sempre ajustado a segura crença de que estamos firmes, mas estamos lá, feito crianças que nem sabe direito como funciona aquilo tudo e desmonta o brinquedo e mesmo sem saber, diverte-se em cada manejo dos dedos a reinventar–se. E enquanto isso, nos bastidores dos espaços nossos, ouve-se rumores, vozes distantes, lembrando-nos que sempre podemos voltar, deixar que a corrente passe e a energia volte. Enquanto lá dentro, magnetizados às formas e cenários, sem precisão alguma, vamos deixando que as paredes se desfaçam e as rotas se confundam, é dessa forma que retornamos; atravessando a fita isolante e permitindo ativa condução de novos caminhos. E como se o quebra-cabeça faltasse uma peça, permanecemos ali, não mais cativos de nós, mas estranhos tão comuns em meio a tantos iguais. É, é muito espaço a caminhar por aí e cabe, cabe muito, muito mais. Ir e vir, é o movimento que também nos cabe, através, daquele par de asas que a nós todos, é inerente. 


(Kátia de Souza em ®Ensaios de um Novo Tempo)
09-02-2020