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sexta-feira, 22 de outubro de 2021

O que é estar em presença ou inteiro?


🦋Nunca foi o outro ou o externo. Na verdade o quanto desse externo ou do outro, é possível em "realidade" captar? Afinal, é a partir de você que vem a "interpretação ou mesmo, o sentir"? Se você é quem vê, é você a referência para o que percebes ou sente? Então, nunca foi o outro ou fora de você.


🦋Por isso, nada é inválido totalmente ou dispensável. A não ser que de você venha essa conclusão: "isso para mim não tem valor ou é dispensável". E isso serve para muitas coisas na vida; uma espera descompromissada por um amigo, por exemplo - enquanto espera como você se encontra ou está? Se está lendo um livro, o que apreende desse livro, quanto de inteireza ou presença é você naquele momento? Se apenas observa os passantes daquele lugar, o que aproveitas ou sente dessa observação - o quanto de você em inteireza, dispensa a este momento? Enfim, qualquer situação ou experiência, você pode aproveita-la em si mesmo, de forma mais superficial ou inteira, só depende de você, mais ninguém.


🦋O quanto de vontade em estar inteiros ou aproveitar as experiências, é dentro de nós, enquanto passamos pela vida? Estamos realmente vivendo ou apenas passando por ela? E aquilo que consideramos dispensável, o que isso diz de nós? Será que estamos evitando ver algo em nós, dispensando algo que talvez seja significativo? Ou será que é apenas uma forma de estarmos priorizando outras dentro, afinal não podemos ver tudo de uma única vez. Somos vastos, infinitamente vastos, então esse olhar paciente e cuidadoso, esse "priorizar" em nós alguns aspectos ou situações, talvez faça a diferença ou até mesmo, seja inevitável.


🦋Agora, o que é estar em presença, inteiro para você? O que é aproveitar essas situações aparentemente, corriqueiras ou descompromissadas ou mesmo uma situação importante. Percebe que o que você entende ou sente por presença e inteireza, faz a diferença, aqui. O que eu entendo por presença e inteireza, não necessariamente, é o mesmo que você entende. Aproveitar esses momentos ou experiências para mim, não é pensar propriamente, mas e para você, o que é? Há diferença em pensar e refletir? Bem, para mim, há. Mas o que eu penso e sinto, diz de mim, mas o importante é justamente isso, saber o que em si é porque isso, diz de você e como disse acima: nunca foi o outro ou o externo, é sempre você. O que você vê, sente e pensa, sempre diz de ti. Isto, para mim é uma dádiva da vida que nos incita ou convida, constantemente para que não esqueçamos de nós e saibamos, mais e mais sobre essa obra da criação que somos todos.


🦋E aqui, apenas uma momento de reflexão onde algumas coisas estão em pleno movimento de transformação. Sintamos!
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🌹Kátia de Souza - 19/10/2021___✍
Texto protegido em seus direitos autorais
Ⓒ7369233 - Lei 6.910 - direitos autorais

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Não se esqueça de você



🦋Não se esqueça de você. Porém, não esse "você" que pensas ser; não é este que concluístes por referências fora de ti, nem tão pouco aquele que te dizem ser. Estes todos, em partes é o caminho ou a ponta do laço a desfazer-se para dar-se conta do fio em continuidade. Você, talvez seja o fio, do começo ao fim. E talvez, ele esteja por nascer.


🦋Talvez este outro "você", não seja ainda; não vê, não ouve e por isso dorme e apenas recolhe o que lhe é comparável, externamente. E este é o percurso nesse agora e acorda-lo, nem sempre é caminho imperturbável. Mas para saber de um rio, é preciso atravessa-lo. Então, lembrar faz um pouco o papel de impulso, nesses passos vacilantes.


🦋Acordar, requer o fervilhar das águas, o revirar da terra, o soprar dos ventos e o alimentar das chamas. E disso o reinventar de outro elemento em ti mesmo; novo, nascido, puro e não mais inventado, recoberto, nebuloso, frágil na condição de se desfazer a qualquer sopro de dentro, dizendo-te: não, não sou você.


🦋Pra quê tanto pensar, tanto dizer? Onde estão tuas mãos, no realizar, no fazer que não apenas te revela, mas te denuncia?


🦋Onde foram parar as experiências que te envergonham, te remete a frágil segurança que te veste, mostrando-te que tuas forças estão em outro lugar?


🦋Para quê esse chão de sólidos tijolos construídos tentando encobrir as águas que te deixam à deriva? Não seria o mar que te põe perdido aquilo que realmente aproxima-se do que em ti sentes, como você? Para quê desenhar contornos ao indefinido, incerto e encoberto aos teus olhos, nesse momento? O que temes quando não vê, não controla, não pode, não define?


🦋Não consegues ver teus caminhos logo a frente porque esses grãos que preenchem tuas mãos, no agora, os mesmos escorrem devagar, silentes e por isso, aos teus "olhos adiante", estes grãos são imperceptíveis. Veja-os. Não construas na areia aquilo que parcialmente, defines como "você" ou o que pensas ver. Não, não serás porque é, agora, esse é o sempre.


🦋Revisite o teu lar e observe cada recanto, cada móvel, sinta os aromas, as cores, os adornos por ti ali deixados. Quanto disso encontra-se empoeirado e quanto de ti recebeu as mãos e no brilho revela tua presença ao cuidar? E não penses que isto seja no sentido figurado da palavra, não.


🦋Aquele que na concretude dos atos vê a si mesmo, reconhece-se também em outras dimensões. Alcance você por onde tocas, pois, teus dedos se alongam para além do que a visão consegue te dizer. Quando saíres das ideias que te fazem voar e pousares na imensidão do teu lar concreto e real como "o senhor" do mesmo, saberás que não era apenas de polaridades o que é dito, mas sim de ti, inteiro. E quem sabe nisso, poderás sentir um pouco do aroma daquilo que pode-se supor, ser você.


🦋É... lições, não se doa, se realizam. Por isso, cabe nesse agora dizer como em início recorremos ao teu olhar: não, não se esqueça de você!
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🌹Kátia de Souza - 17/10/2021___✍
Texto protegido em seus direitos autorais
T7367912 - Lei 6.910 (direitos autorais)

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Não, eu não odeio a religião



🦋Não, eu não odeio a religião e nem a execro segundo minhas críticas ou reflexões podem parecer. Apenas questiono o seu papel, hoje, em nossas vidas, pois, não sinto a religião, hoje, como unificadora ou realmente fraterna (que promove a fraternidade entre os homens), mas sim que nos distancia uns dos outros colocando os "salvos e abençoados" de um lado e os "do mundo e pecadores do outro", seja de uma forma consciente ou inconsciente, nossas ações religiosas nos denunciam nessa medida. E não compreendo a religião como algo que nos separe, mas algo que vibra natural e instintivamente dentro de nós, enquanto religiosidade, fé, espiritualidade. E sendo algo natural, não vejo também necessidade de organização dessa fé ou espiritualidade em cultos ou templos, dirigidos por um líder. É possível e talvez inteiramente saudável que haja encontros em nome disso, mas sem o propósito de destacar quem ensina e quem aprende porque todos estão nisso - uma espiritualidade mais natural, genuína, sentida - a se descobrir dia-a-dia.


🦋Sinto que precisamos nos independer, sermos livres ou assumirmos nossa liberdade espiritual. Ou seja, não precisarmos mais de ninguém, nem mesmo de diretrizes de conhecimento em bibliografias para nos direcionarmos, espiritualmente. Sinto que precisamos buscar essa espiritualidade dentro de nós ou em nós - nossas ações, pensamentos, sentimentos.


🦋Sim, os estudos são importantes até determinado nível e deve ser compreendido como um reencontro ou uma ferramenta que nos leva a esse reencontro com um Deus ou o Espírito que é intrínseco a todos os homens.


🦋A partir daquilo que estudamos, despertamos ou descobrimos algumas coisas que já estão dentro de cada um de nós. Através da luz do conhecimento levantamos os véus internos e enxergamos que em nós, aquilo que estudamos também é. E se é, podemos vivê-lo. O que nos prende são apenas as ideias que nos levam a nos manter dependentes de um Deus externos e distante, através de um líder religioso que se mantém no púlpito do saber dizendo, implicitamente, que você ou nós, não temos a capacidade de nos reencontrarmos sozinhos. Este líder pode possuir certos conhecimentos, mas estes conhecimentos são, também, dentro de nós? E só há um jeito de saber, nos questionando, ouvindo ou estudando certos argumentos, mas se possibilitando questionar a quem nós pensamos saber mais que nós.


🦋A religiosidade que se sustenta no "poder" do saber, não é uma religiosidade fraterna porque coloca seu líder acima e então, nos separa, nos distancia, não unifica. Humildade, se isso existe, é abandonar certos títulos e se colocar na mesma linha de "buscador" que aquele que busca como "seguidor", é reconhecer isso em si mesmo, pois, aquele que diz saber algo ou alguma coisa como líder pode conhecer mais dos ditos livros sagrados, mas nem sempre sabe ou vive, aquilo que diz e isso é perfeitamente, humano. Porém, reconhecer isso requer de nós, descer desse púlpito do "saber" e por dentro.


🦋Não, eu não odeio a religião, sinto que em mim, quero resgata-la como espontânea e naturalmente, a mesma é. Trazendo a nós o sentido de sermos e estarmos por aqui, vivendo. Sei que através desse encontro conosco mesmo, muitas paredes cairão e muito do que fazia sentido, deixa de ser e isso é algo difícil, aterrador mesmo e nem sempre conseguimos sustentar essa postura. Contudo, que possamos ultrapassar essas margens que resistentemente nos diz que não somos capazes e saibamos que há outros por aí que estão fazendo o mesmo. Então, nisto que possamos nos sustentar e então, seguir nos redescobrindo como seres integrais.


🌹Kátia de Souza - 06/10/2021___✍
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