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quarta-feira, 30 de junho de 2021

O meu grilo falante

Imagem via Wattpad

🦋Estou sendo menos exigente comigo.

🦋Descobri que em nós mora um grilo falante que adora um drama ou acolhe tudo que acredita ser um problema a ser resolvido. E longe de ser um grilo onipotente, ele apenas quer dizer: "Eu existo. Estou aqui. Me vê?!"

🦋Não, ele não quer o controle das coisas, nem mesmo estar a frente de tudo porque isto o cansa, o deixa sem vontade alguma de continuar sendo grilo. Ele apenas quer ser grilo.

🦋Então, larguei essas exigências que ele adotou para ele pra ser visto e então, dei a ele o que realmente importa. Mostrei o mapa que me entregaram, sobre as esquinas da vida. Ele ficou intrigado e até disse que aquilo nem era tão importante assim. Mas, curioso como é, pôs-se a olhar para o mapa com seu jeito de ser.

🦋Às vezes, ele se distrai com alguns ruídos, pensa ser um chamado. É, ele é meio criança, então, acha que tudo é a seu respeito. Por isso, sempre estou ao seu lado e então, lhe explico: "não, não é sobre você e não é um chamado. Preciso que você tome conta do mapa da vida, então, volte e me ajude a entender por quais caminhos devemos ir."

🦋Ele sorri e sabe que estou lhe tirando as cobranças e lhe aliviando os cansaços. Ele sabe que estou vendo as suas habilidades e as colocando em prática, afinal, sem a atividade que o mesmo é, por pura essência, este se entedia e começa a pegar tudo que não nos pertence, por aí.

🦋No início, era muito distraído e até se rebelava contra minhas instruções, mas depois percebeu o afeto, a preocupação com ele em si, com o real valor a ele concedido, o reconhecimento de sua existência. Então, ele relaxou, acalmou-se e se colocou a disposição de não apenas desvendar os caminhos, no mapa da vida, mas também redesenha-los e até criar outros.

🦋E assim, estamos num relacionamento que inspira e nos coloca de frente a uma amizade que jamais pensamos que poderia existir. Mas, eis que descobrimos que há e é tão peculiar que só podemos dizer que o que é dito por aí, não se escreve ou não é cartilha, mas pode ser a ponta do iceberg para que todos nós, possamos encontrar uma amizade assim, dentro de si. Contudo, há que se deixar ir tudo o que conhecemos sobre os grilos falantes e então, ver com real interesse, o grilo, dentro de cada um de nós. Ele é diferente, peculiarmente, diferente.

🦋Sim, ele não só gosta de resolver problemas, mas tem habilidade com os mesmos, tem habilidade em tomar decisões, fazer escolhas e nos encaminhar em novas possibilidades. Contudo, sozinho ele se torna frágil. Afinal, ele é apenas um grilo, então, precisa estar assistido em determinados caminhos porque nem sempre ele consegue ver o mapa em sua amplitude, então, cabe a mim, alerta-lo e dizer a ele sobre o que ele não está vendo. E como agora, ele se sente visto, então, não há resistência, há no mínimo algumas perguntas antes e assim, caminhamos, não mais separados ou sozinhos. E hoje, posso dizer: gosto muito de ter um grilo falante.

🦋E aí, você também tem um grilo falante?


🌹Kátia de Souza - 30/06/2021___✍
🔎Texto protegido em seus direitos autorais
ⒸT7289886 - Lei 6.910 (direitos autorais)

terça-feira, 29 de junho de 2021

Pequenos desejos

Imagem via PInterest

Quero uma palavra bonita
que enfeite o dia e aqueça as manhãs.

Quero um verso caprichado
de tecido engomado
como faziam, as minhas avós.

Quero uma estrofe pequena
com rima perfeita
feito pão quente
saindo do forno
com cheiro de tarde.

Quero uma letra miúda,
caindo silente
nos braços da linha
suave, feito criança
sorrindo p'ro sonho
nas asas dos anjos

Quero um texto que abrace
feito filho distante, saudoso de mãe,
feito gente que é pele, 
com ela se veste,
 e a nós também sente.

É, quero um amor que não se pague
e talvez se apague e se finja de morto,
pra dizer por aí
que nunca, passou.

Quero que jamais se finde
a poesia que tinge, os dias e noites
de cores e flores
de qualquer estação

e o poema que acaba, pouse macio
em seus olhos sorvendo,
... como a abelha na flor!


Kátia de Souza - 29/06/2021
Texto protegido em seus direitos autorais
T7289417 - Lei 6.919 (direitos autorais)

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Imagem via pinterest, quem souber o autor, agradeço

🦋Acende menina em teu peito
a chama que acalma a alma
desfaz os enredos
e enlaça nos lábios o brilho esquecido

é apenas chuva
passageira
é apenas colo vazio em teu leito

é apenas distância
espaço efêmero
é apenas você diante do espelho

Acende menina
em teu peito
a chama da alma

... teu coração, por companheiro!🦋

🌹Kátia de Souza - 28/06/2021___✍
🔎Texto protegido em seus direitos autorais
ⒸT7288473 - Lei 6.910 (direitos autorais)

domingo, 27 de junho de 2021

UM ENCONTRO ESTRANHO

Na imgem bodyart de JOHN POPPLETON

Não sou dada a escrever contos, mas como obedeço ao que a "inspiração" sopra, esta escrita veio assim, num conto ou quase um. Eu apenas escrevi o que foi chegando. (K.S.)
...............................
🦋Então, gostaria de dizer algo à você que não começasse com o costumeiro "me desculpe". Contudo, sinto que o material que encontro por aqui, não possui outro recurso, mas saiba que estas palavras são apenas força de expressão, como que pedindo licença para adentrar ao seu espaço. Mas, desculpar-me, não há nada que você possa fazer quanto a isso porque não é um pecado o meu ato, nem mesmo é ruim, abusivo ou agressivo à você. É somente olhar, ver e saber, o que pretendo. Esse é o movimento que me cabe. E quem sabe em outro momento, eu possa falar do que estes olhos se põe, tão de perto, a enxergar.

🦋Passei por algum tempo dormindo ou desacordado, mas agora que despertei, vejo.

🦋Estive às voltas com curiosidades próprias dos meninos que exploram a vida pela primeira vez. E cansado de tanto andar por aí a desbravar o mundo, pus-me em descanso em algumas estalagens que me apresentaram. E mesmo lá, inquieto que sou, fiz meu trabalho de reconhecimento e contei para alguns passantes, o que vi. Contudo nesse agora, me colocaram em um espaço diferente, como se tivesse que ver algo que é muito especial e então, quando estava já descansado de minhas andanças, eu vi.

🦋Vi você ali, sentada junto ao batente da porta, um tanto quanto assustada porque não havia olhos sobre você, já há algum tempo. E olhei bem direto em seu rosto e me sobreveio cada detalhe do teu corpo, como numa miragem. Pele morena, curvas para lá de formosas, cabelos negros e volumosos. E não sei porque você brilha, mas é um brilho azulado que de certa forma não reluz, mas é brilho.

🦋E quando diante de ti, agachado, pude então, reparar que teus olhos não exprimiam o que teu corpo me dizia. Eles denunciaram o que de fato ocorria em você. Seus olhos são de vileza. Sim, uma maldade intrínseca e estranha, como se estivesse planejando algo, um mistério atrevido e sedutor a me dizer para não me aproximar demais. Mas, não tive medo e permaneci ali calado, olhos firmes para os teus, nem tão desconfiados, assim.

🦋E ambos, eu e você, parados um olhando para o outro sem perceber que a certa distância, outros olhos nos viam, nos vigiavam ou nos reconheciam. E talvez à nós, exclamava: "que casal mais estranho! Nada familiar, mas tão peculiar! Aquele que se aproxima atrevido, como se invadindo o espaço da moça e esta assustada, com real intenção de ataque ou mesmo, pronta para a devida proteção caso, deste, viesse qualquer invasão!"

🦋Pois é, vendo e lendo isso, eu lhe pediria desculpas. Mas, não fui eu que quis estar ali, me colocaram, me enviaram até você. E então, só realizo aquilo que me cabe. E o que me cabe, é ver e revelar ou denunciar aquilo que vejo. E vejo sua vileza, vejo teu ar ambíguo e aparentemente submisso, mas pronta para dar o bote caso isso lhe convenha. Vejo teu ardil intento de aproveitar o momento diante dos meus olhos e se mostrar em suas formas sedutoras, me atrair e me colocar como teu refém, vejo tuas vestes espalhadas logo ali ao lado, em diversas cores a mostrar do que posso esperar de ti. É, eu vejo e dessa vez, vejo com olhos diretos, não mais através de outros, são os meus mesmo. E confesso que me alegro em vê-la. Vejo em sua nudez, a coragem de quem não teme estar nua, mas também vejo o temor de violação, pois pode ser mal compreendida e acho que é isso que seu brilho opaco, revela. Este brilho tão enigmático talvez, também me diga que é aqui mesmo seu lugar e não outro e muitos talvez, queiram te arrastar devido a sua formosura. Seduzidos por seus mistérios espalhados, por seu corpo à mostra, isto pode esconder seus olhos maldosos. Há todas as más intenções neles escondidas. É, mas eu vejo.

🦋Entendo agora que você é um misto de temor e bravura e é isto que te põe assim, diante de mim, nua. E nesse agora, nasce em mim um interesse, saber mesmo e com detalhes destas tuas roupas, largadas ali, num canto. Contudo, é como um convite aos meus olhos inquietos. Mas, eis que há também uma voz que me alerta para o teu ardil e seus convites, nada comuns. Por isso, me resguardo e apenas me deixo em ti pousar e quem sabe ouvir, de algum lugar, qual será meu próximo passo a te revelar. Mas, não temas, afinal, esse encontro, parece que foi premeditado e estamos sob a vigilância daqueles olhos ali, a certa distância. Não, não vou te ferir, apenas quero saber-te e sei que você agora, está nua e eu, eu vejo, você.

🦋Por enquanto, só posso dizer que te vejo e te desvelo, desvendando a cada traço que você à mim, vai se desenhando. Sim, você me autorizou e sim, você se mostrou e eu, eu quis ver. Por isso, nesse agora, nós, nos encontramos!

🌹Kátia de Souza - 27/06/2021___✍
🔎Texto protegido em seus direitos autorais
T7288623 - Lei 6.910 (direitos autorais)

A fé perdida e vivida



🦋A transformação de uma visão metafísica da fé para uma visão vivida, experienciada da psique, não é algo simples e fácil. Entre essas duas visões há que se considerar o que envolve um processo de transformação - desconstrução de crenças, questionamentos sobre o que está estabelecido e tão certo dentro de nós. E isto implica em envolvimento com aquilo que diz ser a fé de um modo geral. Só de pensar nisso, já sentimos, certo temor. Afinal, aprendemos que "as coisas de Deus" não se questionam, não se envolve a tal ponto com a fé ou ainda que isso, é apenas coisas do ego, como se este não fosse bem vindo na criação.

🦋Antes de mais nada, sim, nossas ousadias vem do ego que se impõe normalmente, para fazer sua travessia de descoberta e em meio a travessia vai confirmando certas coisas e outras vão se transformando. E é nessa transformação (descrita aí em cima) que sentimos as derrocadas desse ego e sua sutilização ou ainda, o nascimento de uma nova consciência. É assim que nos transformamos e é assim também que um ego imaturo, acredita que Deus pune. Afinal, é nessa travessia que vivemos nossos conflitos e nos deparamos com as divergências internas e externas. E esses conflitos, geram inúmeras emoções e acreditamos que estamos sendo punidos por uma força maior, afinal "mexemos com as coisas de Deus". Mas, na verdade estamos caminhando rumo a uma consciência maior e todo parto, tem dor (desconforto). Não, não é sem dor. E Deus ou como queiram chamar estará lá a nos reger, justamente para esta travessia. Quem sofre é o ego, o eu primitivo que éramos ou estamos deixando de ser, para esse "eu maior" que nasce através da consciência. Não, não é Deus te punindo, é você se transformando - morrendo em certos aspectos e renascendo para outros.

🦋Então, suportar tudo isso é bastante difícil. E aí entra um momento que pode ser retratado pela fala de Edinger (na imagem): "vale escuro, o vale da fé perdida, da alienação, da falta de sentido e do desespero". E eu colocaria este último, como desesperança, para ficar mais claro.

🦋Sim, é muito difícil mesmo questionar "as coisas de Deus" - e não incentivo a ninguém fazê-lo sem que tenha consciência disso - e por isso, para quem está sustentado em sua fé, o ponto de vista da psicologia humana, entra como complemento. Agora para aqueles que de alguma forma já passou ou está passando por esse "vale escuro da fé perdida", pois estes existem, certamente, o ponto de vista psicológico é um salva-vidas. Salva-vidas porque pela psicologia você tem a oportunidade de ressignificar aquilo que era "distante" de você em relação a fé e poderá experienciar essa fé, em si mesmo.

🦋Para mim é como descobrir a "sua fé original". Porém, há que se ter ciência da grandiosidade disso, pois, estamos falando de algo que envolverá além do racional ou mental, mas paradoxalmente, este racional, será fundamental para sustentar esse processo. Portanto, iremos precisar de muita força egoica para o nascimento dessa nova consciência. E realizar isso sozinho, nem sempre é possível. E há quem esteja vivendo isso por aí, saiba disso.


🌹Kátia de Souza - 15/05/2021 - reeditado em 27/06/2021___
Texto protegido em seus direitos autorais
T7288009 - Lei 6.910 (direitos autorais)

Palavra parida

Na imagem: arte de Clodi_z

🦋Tem palavra que a gente já pariu, só não aguentamos suas cores. As mesmas, ofuscam e calam as palavras já pré-concebidas, ditadas e reverberando em nossa mente.

🦋Palavras, estas últimas, de crenças que nos sustentam em nossos lugares confortáveis, lugares que nos denunciam em nossa hipocrisia, em nossa falta de empatia, em nossa mediocridade. Sustentam nossa face sombria e mascarada de dizer que gosta quando não gosta, apenas para agradar aos ouvidos e não dizer da nossa antipatia. Ou ainda, para usar até a última gota, aquele que nos é de interesse, com um sorriso nos lábios e palavras doces.

🦋Somos esquisitos, estranhos, mal humorados, preconceituosos, trevosos por dentro; vestidos e identificados com uma luz ou personalidade que, hoje, é uma casca fina e deixa escapar a voz rouca saindo das frestas desse tecido puído. Não dá mais para esconder, está a mostra, estamos vendo, é triste sim, mas real. Melhor assumir do que deixar apenas para o outro carregar esse fardo, quando através dos teus dedos em riste, você aponta que ele ou aquele, é que está errado.

🦋Somos feios por dentro e queremos nos esconder diante do silêncio que grita em nossos ouvidos, tudo isso. Está aí a palavra que queremos ver morta ou sufocada dentro do nosso silêncio, dentro de uma postura enigmática de uma pessoa que de magia, só entende o que é escrito nos livros; viver isso, está longe essa maestria.

🦋Queremos abortar a palavra nascida em nossas orelhas, mas ela está lá falando e falando, sempre. E nós, nós cerramos os lábios acreditando no ideal de um silêncio inspirado que nos dite palavras mansas em tempos de loucura. Isso no mínimo seria lindo se fosse só o único a dizer, mas como isso diz de toda uma massa ensandecida, é tosco, louco e pobre. De um pobreza de espírito que não me convence mais.

🦋Prefiro a palavra torta, que denuncia, que revela, que deixa ver a que veio do que bajular com palavras de uma casca rachada e sua nudez escura, sorrateira, pérfida e venenosa, escorrendo pelas frestas.

🦋Estou aqui torcendo pelas palavras lindas retornarem, mas elas se negam e não vejo mais outra travessia a não ser denunciar nossa farta e bem alimentada farsa de querer ser gente quando escondemos nossos rabos por aí, com cara de pessoa evoluída, centrada madura e resolvida.


🌹Kátia de Souza - 27/06/2021___
🔎🔎Texto protegido em seus direitos autorais
T7287982 - Lei 6.910 (direitos autorais)

Nesse trecho, Jung fala um pouco sobre o mal disseminado na Alemanha com o advento da segunda grande guerra. E o mesmo fala o quanto foi difícil escrever esse artigo, pois, "minha mente se achava conturbada e como é difícil encontrar uma posição relativamente tranquila e equilibrada no turbilhão dos afetos". Para isso, seria necessário ter "muito sangue frio". E disso o mesmo discorre sobre o que ele chamou de "culpa coletiva" e antes disso (artigo anterior) o mesmo falou em "possessão coletiva". E traz através, daquilo que ele mesmo observa em si ao se colocar a disposição para escrever, aquilo que sente e conclui a partir de todo o conhecimento que possui, junto a psicologia humana.

Para mim, um artigo muito forte, considerando o nosso momento atual, devido as semelhanças do pensamento fascista tão presente em nosso país. E também comovente, pois, em meio a tudo isso, muito está sendo criado, sem o sabermos. Muito mais do que o observado estamos estabelecendo um "lugar" com essa liderança atual e suas consequências em nossas respostas afetivas, que marcará gerações adiante. E sangue frio, é algo que não tenho, realmente. Por isso, falar e refletir sobre o desgoverno atual, para além das nossas reações afetivas, para mim, é tão importante. Afinal, mesmo sem ter total consciência do que estamos criando, a responsabilidade é imensa e somos nós, o humano, no melhor e mais amplo sentido que essa palavra possui, que está em jogo. Segue abaixo o trecho, para refletirmos: (Kátia de Souza)
........................
"[408]Se considerarmos que nem todo homem mora psiquicamente numa concha de caracol, ou seja, que não vive longe dos demais e que o seu ser inconsciente se acha ligado a todos os outros homens, então um crime nunca pode ocorrer de maneira isolada como pode parecer à consciência. Ele acontece num âmbito bem mais vasto. A sensação que todo crime provoca, o interesse apaixonado pela perseguição e julgamento do criminoso etc., demonstram que praticamente todo mundo, desde que não seja insensível ou apático de forma anormal, é excitado pelo crime. Todos vibram conjuntamente, todos se sentem dentro do crime, tentam compreendê-lo e esclarecê-lo... Algo se acende, o fogo do mal que flameja no crime. Platão já sabia que a visão do feio provoca o feio na alma. A indignação e a exigência de punição se levantam contra o assassino e isso tanto mais violenta, apaixonada e odiosamente quanto mais ferver a chispa do mal dentro da própria alma. É um fato inegável que o mal alheio rapidamente se transforma no próprio mal, na medida em que acende o mal da própria alma. O assassinato acontece, em parte, dentro de cada um e todos, em parte, o cometeram. Seduzidos pela fascinação irresistível do mal, todos nós possibilitamos, em parte, a matança coletiva em nossas mentes e na razão direta de nossa proximidade e percepção. Com isso, estamos irremediavelmente imiscuídos na impureza do mal, qualquer que seja o uso que dele fizermos. Nossa indignação moral cresce em virulência e desejo de vingança quanto mais forte arder em nós a chama do mal. Disso ninguém pode escapar, pois somos todos humanos e pertencemos igualmente à comunidade dos homens. Assim, todo crime desencadeia num recanto de nossa mente múltipla e variada uma satisfação secreta que, por sua vez, em caso de disposição moral favorável, produz uma reação oposta nos compartimentos vizinhos. Disposições morais fortes, porém, são infelizmente raras. Quando os crimes aumentam, a indignação predomina e o mal se converte em moda. De santo, louco e criminoso todos temos “estatisticamente” um pouco. Graças a essa condição humana universal existe, em todas as partes, uma sugestibilidade correspondente ou propensão. A nossa época, isto é, os últimos cinquenta anos, preparou o caminho para o crime. Será que, por exemplo, o grande interesse pelos romances policiais não nos parece suspeito?"


"[410]Ninguém imagine poder escapar a esse jogo de contrários. Até um santo deveria orar pelas almas de Hitler e Himmler, da Gestapo e da SS a fim de reparar a vergonha que sofria em sua própria alma. A visão do mal acende o mal na própria alma. Isso é inevitável. Não é só a vítima aquele que sofre o mal. Também o assassino e todo o âmbito humano que rodeia o crime são por ele maculados. Algo irrompe do sinistro abismo do mundo, envenenando o ar e contaminando a água cristalina com um gosto repugnante de sangue. Sem dúvida, somos inocentes. Somos inclusive as vítimas saqueadas, enganadas e violentadas, no entanto, talvez por isso, a chama do mal arda em nossa indignação moral. Assim deve ser, isto é, faz-se necessário que alguém sinta indignação e se torne a espada da justiça do destino: os maus atos devem ser expiados, pois do contrário os maus arruinarão o mundo ou os bons se verão sufocados em sua ira, o que, em todo caso, não trará nada de bom."


"[413] Deve-se ter bem clara a necessidade de certas condições para o desenvolvimento de uma tal degeneração. É necessário sobretudo que massas inteiras sejam deslocadas de seu solo e concentradas nas cidades e indústrias, sufocando-se numa ocupação unilateral de modo a perderem todos os instintos sadios, mesmo o da autoconservação. O nível do instinto de autopreservação cai na proporção em que aumentam as esperanças no Estado, o que é um mau sintoma. Depositar as esperanças no Estado significa que se espera em todos - Estado - menos em si mesmo. Todos se apoiam uns nos outros, num falso sentimento de segurança, pois o apoio de dez mil é como um apoio no ar. A diferença é que não mais se percebe a insegurança. A esperança crescente no Estado não é um bom sintoma e significa, na verdade, que o povo está a caminho de se transformar num rebanho o qual sempre espera de seus pastores os bons pastos. Logo o cajado do pastor se converterá em vara de ferro e os pastores em lobos. Não foi fácil contemplar como toda a Alemanha respirou aliviada quando um psicopata megalomaníaco disse: “Eu assumo a responsabilidade”. Quem ainda possui algum instinto de autoconservação sabe que apenas um impostor pode querer assumir a responsabilidade pela existência de um outro, pois ninguém em pleno juízo o faria. Quem tudo promete nada cumpre e, aquele que muito promete está na iminência de se valer de expedientes escusos para cumprir a promessa, abrindo as vias para uma catástrofe. A contínua expansão da assistência estatal é, por um lado, muito bonita, mas, por outro, bastante suspeita na medida em que retira do indivíduo a responsabilidade, produzindo cordeiros e pessoas infantilizadas. Ademais existe o perigo da exploração dos competentes pelos irresponsáveis, como aliás aconteceu em muitos casos na Alemanha. É preciso que se tente preservar ao máximo o instinto de autoconservação do cidadão, pois separado da raiz nutrícia de seus instintos o homem se converte num joguete de todos os ventos; nesse caso, ele não passa de um animal doente, desmoralizado e degenerado cuja sanidade só poderá ser restituída mediante uma catástrofe."

Carl Gustav Jung em "Aspectos do drama contemporâneo"

sábado, 26 de junho de 2021

Sim, você pode ousar...

 

Imagem via Canvas

🦋...você pode "sair às ruas" e levar de si; se esta vontade de ir além do que você já foi, estiver por aí é porque você pode, senão não teria nascido em ti. Esse é o impulso daquele que para muitos não diz do que é bom ou deve se considerar. Mas, eis aí algo que ele pode fazer por nós, nos impulsionar em sua "inflação" a ir, não estagnar. Então, vá, ouse e permita ao mesmo, nisto, experienciar e de si entregar o que é preciso ampliar.

🦋Ir, ousar, não quer dizer que dará certo ou que terá sucesso naquilo que empreende, nesse momento, dentro. Talvez não dê, talvez o dar a cara a tapa, doa, talvez. Sim, é um risco e escolher ir ou ficar só cabe a você. E toda a experiência que dessa escolha resultar também. Essa segurança ou ímpeto é dele que se alegra diante do "poder" que pensa ter. Mas, após tanta caminhada, sabemos que disso só podemos nos assegurar de que podemos ir, estamos autorizado a ousar; como a vida nos surpreende eis que nela podemos nos inspirar.

🦋Sim, é um risco porque a vida não é sinônimo de segurança, sim é ousadia porque te ensinaram que fazer ou até mesmo falar, certas coisas, é errado, não é de bom tom ou algo assim. Porém, se é errado, não é de bom tom, você sabe disso ou somente ouviu falar? Ousadia é você saindo das suas próprias correntes. Correntes estas aprendidas ao longo do caminho onde o caminho linear nos é soprado, apenas, para que possamos nos organizar. Contudo, sabemos que é em círculos, voltas e mais voltas que a vida dá que estamos submetidos e até por isso, podemos ousar. Afinal, haverá outras esquinas onde mais uma vez poderemos ousar.

🦋Dependendo da experiência só há como fazer, realizando ou se realizando na mesma, não há outro jeito. E todo o frio na barriga que essa ousadia te causa, também faz parte da experiência e todo resultado dessa ação também, seja com sucesso ou fracasso, só você viveu ou viverá, mais ninguém. E se alguém ousou de forma tão igual, mesmo assim, não é você, só você sabe o que nesse caminho, você pôde recolher ou mesmo precisava. E você trará, dessa forma o realmente novo, aquilo que só você pôde sentir e viver. Só assim você traz a sua palavra, a sua arte e não se esqueça, foi a partir dele que você, pôde fazer e manifestar.

🦋Então, sim você pode ousar, ir além e por você, só você, mais ninguém. Ouse!

🌹Kátia de Souza - 24/06/2021___✍
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 T7287187 - Lei 6.910 (direitos autorais)

O que denuncia e o que se revela

Imagem via Pinterest, quem souber o autor, agradeço

 

🦋É, há o que se denuncia e o que se revela ...


Quando denunciado, eis a chance de ver-se em concretude em matéria próxima e talvez requintada sobre o que é e sempre esteve a revelar-se por outros planos.

E ao que se revela, cabe-nos às sutilezas dar de nós os olhos, vivendo e por isso sentindo, a importância ou o real valor que as mesmas, fazem questão de sempre nos dizer, mas nem sempre enxergamos.

Mas, sempre são elas, as sutilezas, que nos denunciam ou se revelam. Sempre é a voz do antes a trazer o quê, em alguns casos ou em alguns momentos, estamos à procura.

A busca talvez, possa ser compreendida como a voz desse(a) que pelas sutilezas denuncia-se ou se revela. É como uma lembrança de que não passou, não foi embora, nunca partiu ou ainda "não estamos sozinhos". E por isso, ao mesmo tempo nos faz ver, ou nos permite reconhecer o que foi perdido, esquecido ou não acompanhado pelo nosso olhar.

E haverá caminhos dizendo, falando, explorando e trazendo pela denúncia, aquilo que dele mesmo se recolhe, enquanto outros, para falar dos polos, estão silenciados, na observância do que sentem e tão somente por seus gestos, se revela, naturalmente.

A natureza tem dessas coisas, sua abundância infinita - como não canso de dizer sobre a tua diversidade, tua riqueza em ser! E quando me lembras que não estamos fora disso, não somos seres aparte, abranda-me as dores, angústias e teu abraço, posso sentir em revelação.

É lindo sim, ver os caminhos, ver o tráfego, ver as nuances na tela. É dádiva pura, todos os tons e mesmos aqueles que por nossa cor única, não conseguimos compreender a presença, mas está ali e sabemos que se está, é porque por tuas mãos, foram trazidas. Cabe-nos a dádiva da aceitação, tão incoerente, mas sempre à nós, grande lição. E que seja a este nosso pequenino pigmento entre a nuance maior, esta lição.

Chega uma hora que se compreende que o pequenino em nós, é também esse todo maior, sem ele não poderia existir a nuance em seu tom original. Já não há mais importância de onde vem e para onde vai, as lições. O que destaca-se, nesses momentos, são as denúncias ou revelações, ou seja, a sua voz maior a nos falar tão alto que o ouvir torna-se nossa palavra, nosso gesto, nossos passos. Afinal, é ali que por ti, em nós e o ser que somos, se denuncia ou se revela.🦋

🌹Kátia de Souza - 25/05/2021___✍
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T7287141 - Lei 6.910 (direitos autorais)

sexta-feira, 25 de junho de 2021

Reações

Créditos na imagem


    🦋Em algum momento você entende ou seja lá o que é entender, algo acontece para que você já não se importe mais com suas próprias reações. Elas estarão lá, fazendo o que lhe é próprio fazer. Mas, há também você ou esse outro você, a ver tudo isso e que toma-lhe pela mão e vai para outras paragens.

    🦋Por vezes, você também se doa mais um pouco para estas que em você são tomadas por reações, mas o tempo nelas, se reduz e é como decidir ir a algum lugar e depois voltar para casa. Simples assim. Você vai, cumpre o que era esse passeio e depois volta. Não há mais luta, não há mais entrave nessa ida ou vinda, só há você, indo e vindo. E nem sempre com justa causa muito bem explicada. Só vai e faz o que lhe cumpre fazer. Os desconfortos e/ou emoções envolvidas, serão sentidos todos, mas isso você já sabe e vai porque é impelido a isso e tudo bem, sabe também da hora do retorno.

    🦋Os nomes, conceitos e obrigações no sentido de: tem que se voltar para dentro, tem que ser você mesmo, tem ou precisa, perde a energia. Não que você não veja valor nisso e nem acredite que esse seja o caminho. Mas, é como um cansaço de ver a flor e dizer: é flor, repetidas vezes. Parece que o "real ser da flor", perde o sentido. É como também dizer: "pare de falar e não macule mais o meu silêncio". Pare de dizer algo que não se diz, você não sabe porque você não vive, então, pare. Apenas deixe ser e só, mais nada. Parece que a flor deixa de ser flor quando pronunciamos: é flor. E isso é destrutivo demais, sufoca, agride, é abuso de alma, sei lá. Agredimos com nossas definições, conceitos e orientações a alma alheia. Entrar descalço no coração do outro é coisa rara. E isso só se faz quando abraçamos nosso fiel escudeiro grudado nesses conceitos todos. Esse escudeiro é como um aspecto que nasceu para cortar qualquer coisa que esteja inteira. Essa é sua natureza. Não é a palavra em si, não é o conceito ou a ideia. Não é o racional, a mente ou mesmo os intelectualismos. Estes todos são apenas representantes desse aspecto. E estes representantes podem ser usados para outros fins, mas para isso, requer abrir mão de muita coisa e requer que reconheçamos antes, esse escudeiro que é guardião, se assim posso dizer, disso tudo.

    🦋Sim esse escudeiro é destrutivo, está aí para isso mesmo. Contudo, quando não sabemos dele, vamos despejando destruição para todo lado disfarçada de boas intenções ou intelectualismos sustentados em teorias alheias. Quer coisa mais destrutiva de si mesmo do que se vestir de algo que já foi dito pelo outro. Isso é usar o outro para falar de si, é abuso, é poder disfarçado de consciência.

    🦋Quando abraçamos esse escudeiro. É como nos libertar mesmo de tudo isso porque compreendemos nossas reações e todas as reações tornam-se reais, se assim posso dizer, em ser o que são: passeios de certas instâncias nossas, necessitadas de validação ou algo assim. Mas, elas não são mais o centro ou motivo de real importância. O importante e saber-se ali, indo e vindo, com liberdade de ser e estar onde quer estar, sem se importar com gratificações ou punições. O importante é ser e nisso ver-se ou viver o ser criativo que é, tão somente.;

🦋Ahhh para que tantas palavras? Para nada, absolutamente nada ou talvez uma tentativa de descrever o que angustia, somente. Mas, de fato mesmo, não se sabe de nada.


🌹Kátia de Souza - 25/06/2021___✍
Texto protegido em seus direitos autorais
T7287992 - Lei 6.910 (direitos autorais)

terça-feira, 22 de junho de 2021

Em cada passo

 

Na imagem: arte de Daria Petrilli

🦋Não te enviarei qualquer sentido
que faça diluir ou esmaecer
o que só cabe a cada um
e entre vocês, florescer

e mesmo na correnteza fluirá límpida,
cada gota que orvalha em todos
pois, por reflexo,
jamais permitirei que sejam agudos
e moldem o côncavo em convexo

e mesmo que seja em brumas teu amanhecer
não será justo a não permissão do tempo,
até que chegue o sol e os façam ver
que são todas tuas, as manhãs de inverno

não te enviarei retalhos ou refugos
de caminho outro que não calçado
em teus próprios calcanhares
ali firme e para além de justo
não te elevarei altares

mesmo que o enlevo não seja visto das planícies
e na subida sejam eles, teu anelo mais dorido

ficarão todos eles em teu corpo
marcas de um trajeto vivido
de um percurso sabido
mas nunca mal contado
por qualquer gosto impreciso

é, não te enviarei cuidados
pois sabes do que lhe foi incumbido
nem mesmo em dias segredados,
as confissões admitiram atrasos
nesses teus laços repletos de riscos

já que ousastes o voo soprado
verás em cada coragem vestida
um pouco do que semeastes
um pouso do que é tão pouco

e mesmo que seja bruma ou mesmo na correnteza
não te enviarei refugo, não te darei retalho
não te doarei cuidados, nem te darei sentido
desvelará por si, tudo...
... em cada passo dado!🦋

🌹Kátia de Souza - 22/06/2021___✍
Na imagem: arte de Daria Petrilli
🔎Texto protegido em seus direitos autorais
T7284609 - Lei 6.910 (direitos autorais)

domingo, 20 de junho de 2021

A bailarina

Fotografia de Tim Walker

Ela era bailarina e dançava, secretamente
doava aos ponteiros do relógio, suas pontas como eixo
e vasculhava seus livros de memórias
a cada curva de uma lembrança
eram olhos, boca, face a saltar em pleno ar

um giro, mais um giro a se alargar

e lá vai ela em pleno voo
viu cada par pintado feito tela
em movimentos que jamais contaram
e dançou com eles, todos eles
em sua dança de confirmação

estavam lá todos os braços
todas as mãos, todo peito a lhe recolher
em todos os saltos, em todos os nãos

e num instante para ajustar os laços
polir as pontas, refazer as bandagens
ouviu dos lábios o que sempre inquiriu

já era em par aquela dança
lá ao longe quando no palco
sombrearam as cortinas em seu se fechar
aos olhos do mundo que encenava a plateia
e nos bastidores luzes contornando
aquele espelho que testemunhou
o figurino a desfazer-se
e por a mostra o que nela era
o único espetáculo que jamais findou

palavra recolhida, ajustes bem feitos
agora ela volta ao seu calar
daquela dança que é teu descanso
e em colo terno vem lhe abraçar!


🌹Kátia de Souza - 18/06/2021___✍
Na imagem: fotografia de Tim Walker
🔎Texto protegido em seus direitos autorais
ⒸT7283054 - Lei 6.910 (direitos autorais)

sábado, 19 de junho de 2021

PRÉ-CRIAÇÃO OU PRÉ-CONSCIÊNCIA

Imagem via Pinterest postado por Bored

🦋Ser você mesmo, reencontrar a si enquanto ser único (unicidade), proferir a sua voz ou sua palavra nesse mundo, compreender ou tornar consciente o seu plano de alma, não é algo que diz respeito a vontade do ego - "eu quero ser quem eu sou" - mas sim, está diretamente relacionado ao movimento criativo da psique - imagem arquetípica básica. Portanto, é algo natural e inerente ao ser que a medida que se torna mais e mais consciente de si, de sua integralidade, mais encontra possibilidades de ampliação dessa consciência e, portanto, mais se "individua" - torna-se o que se é.

🦋De certo que quando se é consciente de que isso nos é inerente, de que há uma dinâmica criativa natural no universo ou da psique, a contribuição para que esse movimento ocorra com maior "facilidade", é maior. E dizendo de outra forma: a colaboração da CONSCIÊNCIA (não do ego) frente a esse movimento natural, favorece todo o processo, pois, a aceitação torna-se presente, sendo assim, se impõe menos resistência aos desafios.

🦋E nesse agora, sinto que o nosso grande desafio está justamente em "aceitar" que as antigas vestes ou máscaras se tornaram rotas, desgastadas e não cobre mais aquilo que durante tanto tempo, escondemos de nós mesmos. O desafio agora, é se ver nessa nudez, olhar para o que está por baixo dessa roupa que vestimos durante tanto tempo, nos encarar - pessoal e coletivamente. Aliás, é através desse pessoal que em reflexo, tudo começa a ganhar outro movimento, fora. Contudo, sinto que olhando para essa nudez coletiva atual, é possível ver o que individualmente, antes, não enxergamos e disso, nos disponibilizar a "fazer novas vestes".

🦋Sinto que é preciso presenciar que essas roupas antigas não nos serviram como "cuidado" em relação a nossa nudez, mas sufocaram-na e também ajudaram a nos ferir e esconder nossa maldade. Agora não é só a hora da cura dessa feridas, mas também a hora de "fazer vestes que não mais sufocam", mas sim, guardam ou cuidam. Vestes estas que de forma leve nos permita, vez ou outra, contemplarmos nossa nudez e cuidar da mesma, limpando e curando.

🦋Não é possível viver nu nesse mundo, mas é possível termos novas vestes que nos auxilie em relação aos cuidados e não nos machuque ou ajude a deixar escondido, sufocando aspectos que se voltam contra nós mesmos e não queremos admitir que é em todos nós.

🦋Estas vestes se espelham em nossa conduta íntima (crenças) que se refletem em nossos comportamentos. Comportamentos estes que polimos tanto para não denunciarmos estas intimidades encobertas. São estas vestes que se desgastaram, tornaram-se rotas e nossa nudez reclama por outras, mais adequadas, a partir daquilo que conseguirmos ver de nós mesmos.

🦋Estas vestes semearam uma forma de convivência, várias relações se sustentaram e se sustentam ainda nas mesmas, porém, ao se desgastarem começam ou estão trazendo movimentações para essas relações e convivência. Estamos distanciados - pensando no distanciamento social, simbolicamente - uns dos outros para que possamos ver estes desgastes, essas roupas que não nos servem mais. E isso é positivo quando pensamos que estamos vendo o que precisa ser refeito, renovado ou reconstruído. Nisto, há a possibilidade de uma convivência ou relações melhores.

🦋Alguns dizem que estamos no caos e podemos tomar essa fala de forma simbólica e vendo o quanto estamos "num estado de pré-criação" ou "pré-consciência". Estamos na indiscriminação do "Paraíso", onde certos aspectos se "misturam" ou estão tão juntos (unidos) que não conseguimos ver, ouvir ou discernir nada - o caos da inconsciência. Por isso, tomar por certo algumas coisas, nesse momento, pode e sinto que é, muito arriscado e perigoso. Precisamos viver, sentir, saber a partir de dentro o que acreditamos ou alimentamos como crença, para então, sim, fazer nossas escolhas.

🦋Estamos sendo tentados pela serpente que hora nos parece boa, hora nos parece ruim, estamos no conflito primordial do que fazer, por onde ir e a quem acreditar, em que confiar. Essa serpente é sabedoria, mas também nos leva a pecar contra a essa indiscriminação, através da consciência que retira todas as vestes dos nossos olhos e isso implica, ser expulsos do "Paraíso" e concretamente, talvez, nos defrontar com tudo que acreditamos até o momento. E só aqui já vejo inúmeros aspectos ligados ao feminino. Por isso, é tão importante a todos nós (homens e mulheres) reconhecermos isso em nós, essas faces do feminino, o amor, a escuta, o acolhimento o cuidado que precisam ser "reconstruídos" ou estão, sendo paridos ou serão, com outra forma. Como compreendíamos o amor, já não nos cabe mais, como compreendíamos a mulher ou o feminino, já foi, já se despediu e estamos "criando/gerando" outras "vestes" para tudo isso.

🦋O que talvez não conseguimos ver, devido a tanta movimentação íntima e externa (caos), é que além da árvore proibida, também há árvore da vida, protegida e assegurada por inúmeros guardiões e que esta ainda encontra-se intocável e que tudo isso, é dentro de nós.

🦋A consciência, não rejeita nada, contudo coloca "as coisas" no lugar, dentro de nós, primeiramente. Por isso, está para além do ego, não é querer, mas sim está aí, estamos vivendo e somente através, da consciência sobre si, sobre a nossa realidade pessoal, atravessando a nossa nudez, nos será possível refazer as vestes para os novos tempos que se indiscrimina, para renascer.


🌹Kátia de Souza - 18/06/2021___✍
Na imagem: imagem via Pinterest postado por Bored
🔎Texto protegido em seus direitos autorais:
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sexta-feira, 18 de junho de 2021

De volta pra casa

Na imagem: Arte de Lily Mastrange

🦋É interessante ver-te por aí
pousar em tuas narinas para sentir teu rastro
a nos vestir com tantas nuances;
é um colorido que se distingue por tonalidades múltiplas
vindas, sem dúvida, daquele rubro ardente das tuas veias
partindo para um acobreado silente em tua pelagem

é ... e também é interessante ver meus olhos, nesse instante,
pousar em tua passagem ou vestes e então, sorrir
nem sempre é assim, eu sei, mas celebro esse instante
por poder ver, por poder sentir, por poder acima de tudo,
contemplar e sorrir

sorrir com os dentes à mostra, com o eriçar dos pelos
e mesmo de olhos fechados,
ouvir à distância teus passos sobre nós

não, não é estranho apesar da estranheza ser sua cortesã
ou anfitriã nessas casas distribuídas pelas vielas
mas, nesse agora, não, não é

você se põe inteiro ao meu redor e vejo,
sonho, imagino, canto e danço em teu compasso
terno e tenso em cada músculo
como é incrível o dom de guardar em si os lados
os opostos que por entendimento seriam contrários
e em ti, toda a inteireza

como é vivo e vibrante esse enlaçar de tudo que evitamos
como é calmo esse deixar ser em ti, disso tudo que negamos
por que o fazemos, se é assim?

talvez, porque não o provamos ou não queremos
sim, não queremos o pisar dos cascos tão duros, rígidos lá fora,
nem o gosto das ervas em nossa língua
o amargo que tu provas em cada chão por onde clareias

e como é alto e corajoso esse teu enlaçar
e tão duvidoso quando não estamos lá

talvez a subida mais fácil não seja vista
porque estamos acostumados com as íngremes ladeiras
disseram-nos que era para ser pequeno o nosso passo
e que de asas e ouvidos aguçados
somente quem não faz parte desse mundo

e não estão tão errados assim
porém, para descobrir é preciso antes agarrar bem firme
ali cada rocha encravada na montanha e no sufoco tentar ir
depois, tão somente retornar
olhar em teus olhos serenos porém firmes
e seguir-te junto a encosta, bem ali, passo a passo
no simples jeito e teu, de nos levar de volta para casa!🦋


🌹Kátia de Souza - 18/06/2021___✍
Na imagem: arte de Lily Mastrange
🔎Texto protegido em seus direitos autorais
T7281887 - Lei 6910 (direitos autorais)

Eu preciso estar nu...

Imagem via Pinterest ((valenbrr8)

🦋“Eu preciso estar nu … “

Foi o que ele disse naquela tarde
entre as dobras nem tão acinzentadas
encobrindo sua voz, um pouco abafada

a tarde e seus caprichos
descia silente seu vestido engomado de nuvens
sobre a face das horas

Caprichos do não ouvir, e adormecer, o sol …
que se deita sob ela e permite que esta reine
decorando o seu se pôr,
dourando o seu derredor
roseando o mar e seus sentidos ondulados
mareando aquele olhar em despedida
e toda beleza que se oferecia

mansa e calma a tarde recobriu seus olhos
e não por menos calou sua voz ainda em sussurro
saudando a noite
que se revelava entre as rendas em seu colo

e entre as tramas ele soprou seu último suspiro
como num lamento
e ela sorrindo entre lábios, fingia não ouvir-lhe o clamor:

“Eu preciso estar nu …”

E a manhã de seu íntimo lhe consolou cochichando em segredo:

“Deixe ser, estou aqui. E haverá de ver que sua pele já se encontra sem vestes e teus sussurros são apenas incertezas sobre os olhos de quem adormece entre as nuvens. Em mim despertará nu, luminoso!!!🦋

🌹Kátia de Souza em 2017 (reeditado em 18/06/2021)___✍
Na imagem: fotografia via Pinterest (valenbrr8)
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quinta-feira, 17 de junho de 2021

Cala-me

 

Na imagem arte de Antonio Sarbossa

🦋O desejo me rasga por dentro
me põe essa ânsia de provar teu gosto
palmilho a distância do meu corpo ao teu
como quem arde e busca sedenta
banhar-se em oásis de águas doces

... já não sei o quanto mais será preciso
para render-me, dessedentar-me em ti
afinal, já não há o que desnudar
desfiei-me inteira e não posso mais suportar,
é sangue, é lágrima, é grito ...

sou o avesso desse inteiro que arde
implorando ao tempo
mãos, dedos, pés e passos em tua direção

ah! espaço algoz à mim
onde tua pele resvala minha alma em alvoroço

não tenho pressa, tenho fome
sou caça arrebatada, vergada, rendida
entre gemidos sussurrados,
uivos calados na madrugada
por entre as dobras dos lençóis,
contorcendo-me, e onde te procuro ...

Vem e cala-me!!!!🦋


🌹Kátia de Souza - em 20/01/2015___
Na imagem arte de Antonio Sarbossa
🔎Texto protegido em seus direitos autorais
T7281149 - Lei 6.910 (direitos autorais)

quarta-feira, 16 de junho de 2021

JACÓ E ESAÚ em Bíblia e Psique (Edward F. Edinger)

A nossas raízes no que diz respeito a relação que estabelecemos com nossa espiritualidade, está sustentada, também, nesses compromissos que se relacionam a história de Jacó e Esaú. Uma perfeição inatingível e uma identificação com o divino que apenas nos leva à negação de algo substancial à nossa integridade. E enquanto não reconhecermos e integrarmos esses movimentos íntimos em nós, estaremos girando nessa roda interminável de conflitos violentos e destrutivos, seja individual ou coletivamente. Sendo que estes impulsos destrutivos, estarão agindo de forma livre (inconsciente), através de uma possessão ou de um complexo que nos toma e nos imprime a missão de destruir e não de construir ou criar, o realmente, novo. Apenas sentindo o estudo ou refletindo, mas ainda acolhendo e buscando a lúcida compreensão. (Kátia de Souza)

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🦋"A estória de Jacó e Esaú indica que o ego destinado à individuação nasceu como gêmeos. Outros exemplos da mesma imagem arquetípica são Rômulo e Remo e os dióscuros, Castor e Pólux. Essa divisão em dois tem dois aspectos: ego e sombra, e ego e si-mesmo. Ambos os aspectos aparecem nas relações de Jacó e Esaú."
 
🦋"Embora no início de Israel esses opostos devessem estar separados, no fim eles deveriam ser unidos. Por esse motivo um comentário rabínico diz "o Messias filho de Davi não virá antes que as lágrimas de Esaú deixem de correr."

🦋Conforme previsto por Iahweh (Gn 25,23) e com conivência de sua mãe Rebeca, Jacó roubou o direito de primogenitura e a benção paterna que pertencia a Esaú. Existe um crime no início da história de Israel. As implicações psicológicas desse crime primordial foram claramente elaboradas num estudo excelente de Myron Gubitz. A ideia básica é que o ego estabelece sua existência única e autônoma através de uma negação e dissociação da sombra. Isso, porém, acarreta um alto preço a ser pago. Conforme Gubitz, Amalec, o neto de Esaú, torna-se a incorporação da sombra dissociada na psique judaica coletiva como uma consequência do crime cometido contra Esaú. Os amalecitas guerreram contra Israel e, em resposta, Moisés anunciou que "Iahweh guerreará contra Amalec de geração em geração" (Ex 17,16). O crime não reconhecido contra Esaú estabeleceu uma culpa dissociada e um complexo de vingança que põe os descendentes de Jacó em antagonismo permanente contra os descendentes de Esaú.

🦋"O crime não reconhecido contra Esaú estabeleceu uma culpa dissociada e um complexo de vingança que põe os descendentes de Jacó em antagonismo permanente contra os descendentes de Esaú. Segundo Gubitz:

🦋"Em termos psicológicos a ansiedade a respeito de violência ou destruição iminente (em caso extremo a paranoia) geralmente está ligada a profundo sentimento de culpa. Frequentemente, também, essa culpa é o outro lado de uma inflação psíquica, de uma superioridade com um arquétipo poderoso. Na história mítica do povo judaico ambos os fatores podem ser rastreados na ruptura entre Jacó e Esaú, e posteriormente, através dos tempos, na ramificação mítica de Amalec. A culpa na psique judaica coletiva é o preço inevitável pago pelo roubo que Jacó-Israel fez do direito de primogenitura de Esaú, por sua fraudulenta aquisição da benção paterna, e por sua rejeição consciente dos aspectos e valores incorporados por Esaú. Nos termos da forma de consciência básica da cultura judaico-cristã isso pode ter sido um passo à frente, um movimento para longe do que é puramente terrestre, irracional e politeístico, em direção a um plano de espiritualidade e moralidade. Mas, como Herman Hesse nota em "O jogo das contas de vidro:

🦋Entre as angústias inerentes a uma vocação genuína, estas são as mais amargas. Quem recebeu o chamado, recebe, ao aceita-lo, não só um dom e uma ordem, mas também algo semelhante a uma culpa."

🦋O que distinguia os israelitas de outros povos num estágio primitivo era seu compromisso com a exclusividade do monoteísmo, sua identificação com Iahweh e sua meta de perfeição psíquica inevitável de tal compromisso perfeccionista - de qualquer compromisso inadequado com uma meta que é por definição inatingível - é uma estrutura de culpa completamente ramificada. Esforçando-se avidamente para atingir o brilho de uma espiritualidade transcendente, a pessoa se torna culpada por desprezar a base terrestre que dá origem e alimentação a toda a vida. Ao sentir-se a si próprio como o representante humano de Deus na terra, o indivíduo também toma sobre seus próprios ombros o fardo das falhas da humanidade e, ao mesmo tempo, também a culpa pela incapacidade humana de corresponder ao ideal divino de perfeição. Possuído por um arquétipo imensamente poderoso, e por causa disso apartado do resto da humanidade como o Escolhido de Deus, o indivíduo deve ter a percepção inconsciente de que foi desprezado por seus irmãos de sangue, pois estar apartado também significa expor-se como alvo para enormes projeções negativas e todas as energias destrutivas que elas podem desencadear."


🌹Em Bíblia e Psique de Edward Edinger citando:
Myron B. Gubitz, "Amalek: The Eternal Adversary, p.57"___✍
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terça-feira, 15 de junho de 2021

Enigmas da vida

 

Na imagem: arte de Andrius Kovelinas

🦋Quando o que é comum se transforma e já não tem mais forma de se revelar, é quando já não se tem tanto tempo para passear por aí ou quando os limites impostos são cuidados por aquilo que se transformou.

🦋Talvez poderíamos dizer que olhos, ouvidos e palavra atendem, agora, outro chamado ou retornam para o que divergiram, antes. Agora, é convergência, retorno ou volta. Agora, é a origem que chama.

🦋Não é uma questão de importância ou efemeridades, não. Está longe de se atribuir os nomes recolhidos pela estrada, a tudo isso. Tudo, absolutamente tudo, possui seu valor mesmo que não venham junto. Tudo percorre o seu percurso e que, respeitados se tornam porque este que chama diz: "cada qual traça as linhas desse desenho maior que ainda não veem." E mais que dizer pôde-se ver e viver seu próprio percurso.

🦋E como partícipe atuante, não há como não ir e diante do seu próprio traço saber: fiz a minha parte, cumpri com as idas e com as partidas todas que senti e vivi na pele quando distante... de mim. E nesse retorno, ainda vivo e sinto o sabor de voltar ao lar. E tão importante quanto viver a ida, é viver a volta na mesma intensidade, ou não. Quanto ao faro... seguir o rastro pelo faro, é uma dádiva que se desperta na ida, então, desperta ou vivida tal conquista, eis a bela sina do retorno.

🦋Sim, foi e é preciso, percorrer espaços e nada recolher. Não nos enganemos, nada se recolhe, nada é seu nesse percurso, apenas se vê e se presencia em cada toque. Aliás o tato é coisa dessa ida e quando bem explorado, ativa o que antes era a única versão de você mesmo, o faro. E quando for chamado poderá dizer: "tarefa cumprida". Pelo menos até onde nossas pernas podem alcançar. E isso é uma verdade, a vontade é sem dúvida muito maior do que elas, e elas não possuem o compromisso de ir onde essa vontade alcança e sugere. As pernas possuem outros destinos para nós, sua concretude nos arrasta até mesmo contra a vontade. E isso é outro espaço por onde percorremos e de essencial importância, diz da soberania das nossas origens a nos lembrar a que viemos.

🦋E lá estaremos nós, levando de volta nossos olhos, ouvidos, boca, mãos e o representante de nossa origem, o faro, nossas narinas que nunca nos permitiu cortar os laços, definitivamente.

🦋Sim, são enigmas da vida, são reentrâncias de um coração, mas acima de tudo vida, a voz que não cala e se denuncia a cada letra ou gesto, suportados pela coragem de ser, vivo. E dizer a si em cada versão reencontrada: eu estive e sou por aí!

🌹Kátia de Souza - 12/05/2021___✍
🔎Texto protegido em seus direitos autorais
T7279387 - Lei 6.910 (direitos autorais)

Crepúsculo

Na imagem, fotografia via Pixabay

🦋Nesse agora,sou céu em crepúsculo
sol que te beija
a cada nuvem desfeita

suspiro em alívio do dia
que abandona os ardores
daquilo que te obriga,
controla e minimiza
o bem supremo de ser mar

oceano ondulante, infinito, horizonte...

ondas de um levante
são meus versos que se declaram:

eu em Ti... Sou só, entardeceres!🦋

🌹Kátia de Souza - 15/06/2021___✍
🔎Texto protegido em seus direitos autorais
T7279306 - Lei 6.910 (direitos autorais)

domingo, 13 de junho de 2021

A Sombra como caminho para a Paz.


🦋A Sombra não é apenas um aspecto terrível e proibido do nosso ser, é também uma força extraordinária que pode nos mobilizar até limites insuspeitados. Pode reativar, por exemplo, nossa criatividade e devolver à nossa vida uma liberdade que antes não conhecia.
Aceitar a nossa Sombra implica ′′ reconhecer a totalidade do nosso ser, uma totalidade que engloba o bem e o mal, o racional e o irracional, o masculino e o feminino, o consciente e o inconsciente."
.
🦋Aceitá-la pode nos livrar do sentimento de culpa, da sensação de fragilidade, da permanente suspeita em relação aos nossos sentimentos. Nos permite juntar os opostos complementares e, finalmente, nos sentirmos completos, não alheios em relação aos nossos próprios sentimentos e necessidades.
.
🦋Além disso, pode suspender todo julgamento: já não são outros os culpados daquilo que não podemos aceitar em nós mesmos, somos nós os responsáveis por cada um desses sentimentos. Ao parar de projetar nossas feridas, medos e vergonhas nos outros, podemos estabelecer um ambiente de paz com nosso ambiente e nós mesmos.

🦋Nos proporciona a possibilidade de deliberação sobre nosso ser.

🦋Se ao invés de satanizar o outro, olharmos para dentro e percebermos até que ponto somos ′′ o outro ", com que justificativa poderíamos atacá-lo?

🦋Essa consciência da unidade de todos os seres humanos - além dos seus costumes, idades, ideias políticas ou crenças religiosas - nos tornará mais empáticos e solidários.

🦋Diríamos, por acaso, estas palavras sábias: ′′ Aquele que estiver livre de pecado, que atire a primeira pedra ". E acrescentaríamos - como o mesmo Jesus -: ′′ Se permite que o que está em seu interior se manifeste, isso o salvará, mais Se você não fizer isso, ele vai te destruir."

🦋O grande poeta William Blake (1757-1827) escreveu:

🦋Estava com raiva do meu amigo.
Eu expressei minha raiva e esta acabou.
Estava com raiva do meu inimigo.
Não lhe disse e a minha raiva aumentou.
Noite e dia reguei.
com as lágrimas do meu medo.
E expus-a ao sol dos meus sorrisos;
e com artimanhas subtis e enganosas
Minha raiva continuou crescendo dia e noite.
até que brotou uma maçã brilhante
e meu inimigo percebeu seu brilho.
E soube que era minha
e entrou furtivamente no meu jardim
quando a noite escureceu o planeta.
Na manhã seguinte, triste, eu descobri.
ao meu inimigo, deitado, morto sob a árvore.
🦋


🔎Imagem: William Blake Art, ′′ Satanás na sua Glória Original (Perfeito eras até que a maldade foi encontrada em ti) ". 1805.
🔎Poema ′′ Uma Árvore Venenosa ", William Blake (1757-1827).
Texto e imagem via Carl Jung - Psicologia evolutiva