Arcanos da Musa

Ir além do que se pode tocar e presenciar-se além das palavras! (Kátia de Souza)

  • Página inicial
  • Arcanos da Musa
  • Pétalas nas Asas do Tempo
  • Psiquê - Alma e Conhecimento
  • Céu e Raiz
  • Imaginação ativa (visão anímica)
Mostrando postagens com marcador março/20. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador março/20. Mostrar todas as postagens

sábado, 28 de março de 2020

Eu digo sim

Imagem via Google - desconheço o autor
Eu digo isso... eu digo sim
não estranhe se me ouves
porque sabes de onde venho
e para onde caminhas,
nem que queiras, e já tentastes
não soube ...

e continuo aqui 
por caminhos íngremes
onde os pés se erguem do chão
onde rochoso é o solo, 
e não levanta apenas o corpo
traz consigo essa imensidão
sentida quando repousas
na pele das pedras, o teu rosto

confunde-se, pois, 
da natureza não se separa
o que unimos em segredo
silenciado, é descoberto, assim
nesse erguer-se e no descanso

no fechar dos olhos e ver-se cansaço,
mas também o porto...

sim, eu digo, digo sim
não me calo
sou mesmo e a ti, o gosto
de saborear esses iguais ...e o oposto!

Kátia de Souza
(28-03-2020)
(®Pétalas nas Asas do Tempo)
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores: Kátia de Souza, março/20, pétalas, Pétalas nas Asas do Tempo

terça-feira, 24 de março de 2020

Lá vai o poeta

Desconheço o autor da imagem - via Google
e lá está o poeta mudo 
na esquina de uma janela feita só pra ele 
prova a vidência do momento
acolhe e sai a tamborilar
seus dedos inquietos 
sua marcha sem sentido
seus olhos no além dito, sentido, aquecido
no vaso adormecido de tantos portões ...

e verbo que não lhe falta
na ação incontida 
vê-se na avenida de faróis piscantes
no ar a quietude... muda multidão
cala o vento e ouve os pássaros
árvores agradecidas e água a se limpar
lava o céu que traz de volta as estrelas, a cintilar
no rio e no mar o vai e vem das ondas 
emoções e pensamentos
de tanta gente que assombra

ah... como é bom enxergar!

será mesmo o momento
não seria a vida a gritar?

chama o poeta, a sua escrivaninha 
e também todas as linhas
sim, sim... se põe sempre a falar

seu lápis, caneta, tinta, tão gastos, 
mas no olhar, jamais há falta 
pois é alma que não se esquiva, nunca
e nos vãos se entrega...
... entrelinhas, nossas, de amar! 

(Kátia de Souza)
24-03-2020
(Simbora poetas, a caneta chama, a vida se expressa em nuances as mais diversas e estas não são diferentes, há sim  muita poesia no ar... bora todos, poetar)
(®Pétalas nas Asas do Tempo)
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores: Kátia de Souza, março/20, pétalas, Pétalas nas Asas do Tempo, poesia

segunda-feira, 23 de março de 2020

Aguardo

Imagem: fotografia de ®Joca fotografia
É interessante o aguardo
ele é quieto e um pouco distante
tem um ar de distraído
passa despercebido 
por entre as idas e vindas
e em qualquer lugar

silencia quando passa 
e quando com ele, pensa-se pecar
contra o "é preciso se deixar levar"
mas, como não se prende
passa, não há nada que lhe segure
por isso é leve e voa
parece até, ter asas.... não há como negar
... 
ah aguardo será você, espera?
não gosto desse lugar
de olhos distantes, lá adiante 
como algo que virá

e é nisso que te sinto pouso
e um gosto de ficar
quando parando aquele breve movimento,
mas constante como sopro
deslizando entre um olhar e outro
aqueles que parece se mexer
mas, não saem do lugar
você vem em nós ... pousar

é, é pouso e como é
saboreio cada grão, sim... seu gosto
é assim que ouço:

"aquieta, fica, pousa
saboreia cada pouco
é... é muito, sei ... mas, há de ser 
há sim de ver e pousar!"

(Kátia de Souza)
23-03-2020
(®Pétalas nas Asas do Tempo)
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores: Kátia de Souza, março/20, pétalas, Pétalas nas Asas do Tempo

sábado, 21 de março de 2020

A ti e em ti

desconheço o autor da imagem
e assim eu deixo o meu cajado
permito a espada empunhada deitar-se ao solo
e aos teus pés em pele nua desabar-me
em tuas águas lavo o corpo
e em mim tuas águas clareiam a alma
solto-me nos ares dos ventos entre as folhas
e visto-me de ti como em outros tempos
nesse agora, aprendo com nossos lamento
nossas dores,
e deixo que aos pares desçam às sombras
e lá adormeçam em sono que refaz
porém, em mim cada gota traçou seu caminho
desenhando na pele tua presença
e guardo cada traço em mim como ouro
de tudo que me esqueci de ti em mim recordar
ergo-me em pele outra e empunho a ti, inteira agora
e em cada movimento tua voz a ecoar!

(Kátia de Souza)
21-03-2020
( ®Pétalas nas Asas do Tempo)
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores: Kátia de Souza, março/20, pétalas, Pétalas nas Asas do Tempo, poesia

domingo, 15 de março de 2020

O mito de Hermes e o momento de crise (texto de Murray Stein e o mito de Hermes)



Milão - Palazzo Clerici - Sala Tiepolo - Hermes

"Tenho observado em meu consultório que uma das maneiras de entrar em contato com a alma é através da 'crise'. Quando somos jogados num estado de emergência psicológica, não podemos evitar a visão da alma em processo de mudança. Quando tudo está correndo conforme manda o figurino, a alma fica adormecida como se fosse o brilho da Lua e das estrelas comparado ao brilho do sol. Os sonhos e as fantasias, que são a evidência da existência da alma, existem, mas vagam obscuros pela nossa psique e parecem não ter importância. Por que então prestar atenção neles, se eles só nos distraem? Mas é justamente durante a noite da crise psicóloga, quando a luz do sol fica eclipsada, que as figuras da psique aparecem e ganham uma outra dimensão. Sonhos nos atingem como raios e nos sacodem até os ossos. É nessa noite tormentosa que Hermes surge e faz seu trabalho. O mito de Hermes fala da emergência e do despertar da alma".
Murray Stein

Texto via Luís Paulo Lopes(facebook)

Imagem via Wikipédia
Rafael Sanzio Hermes leva Psique para o Olimpo, 1517-1518, Villa Farnesina - Roma
HERMES O PSICOPOMPO

Hermes era Filho do deus Zeus e da deusa Maia. Nasceu num dia quatro (número que lhe era consagrado), numa caverna do monte Cilene, ao sul da Arcádia. O menino revelou-se de uma precocidade extraordinária, apesar de enfaixado e colocado no vão de um salgueiro, árvore sagrada, símbolo da fecundidade e da imortalidade, o que traduz, de saída, um rito iniciático.

No mesmo dia em que veio à luz, desligou-se das faixas, demonstração clara de seu poder de ligar e desligar, e viajou até a Tessália. Lá furtou uma parte do rebanho de Admeto, guardado por Apolo.
Amarrou ramos na cauda dos componentes do rebanho, para que, enquanto andassem, fossem apagando os próprios rastros. Numa gruta sacrificou duas novilhas aos deuses, dividindo-as em doze porções, embora os imortais fossem apenas onze: é que acabava de promover-se a décimo segundo. Encontrou uma tartaruga no caminho, retirou-lhe a carapaça e, com as tripas das novilhas sacrificadas, fabricou a lira.

Apolo descobriu o roubo e o acusou formalmente perante Maia, que negou que pudesse o menino, nascido há poucos, dias ter praticado semelhante delito. Apolo apelou para Zeus, que interrogou ao filho, persistindo este na negativa. Zeus, convencido da mentira do filho, obrigou-o a prometer que nunca mais mentiria, no que Hermes concordou. Zeus, contudo, acrescentou que Hermes não estaria obrigado a dizer a verdade por inteiro.

Apolo ficou encantado com o som que Hermes arrancava da lira, trocando assim o rebanho roubado pelo instrumento.

Em outra ocasião, Hermes criou a “flauta de Pã”. Tendo Apolo gostado da flauta, propôs-lhe uma troca: ofereceu em troca o “cajado de ouro” (Caduceu), que usava para guardar o gado. Hermes aceitou, pedindo, além do cajado de ouro, lições de adivinhação.

Apolo assentiu. Desse modo, o caduceu de ouro passou a figurar entre os atributos principais de Hermes, que, de resto, ainda aperfeiçoou a arte divinatória, auxiliando a leitura do futuro por meio de pequenos seixos.

Os mitos descrevem Hermes como uma divindade complexa, com muitos atributos e funções. Todas associadas à flexibilidade, inconstância, imparcialidade, ausência de fixação, e também associadas a características secundárias a estas, como a sedução, a mentira, a adivinhação, astúcia, etc. Essas características plasmaram a imagem de Hermes em formas diversas, a saber:

Deus agrário, protetor dos pastores nômades indo-europeus e dos rebanhos.

Tem qualidade de “Trickster”, pela astúcia utilizada ao ter furtado o rebanho de Apolo, tornando-se o símbolo de tudo que remeta a astúcia, ardil e trapaça; amigo e protetor dos comerciantes e dos ladrões.

Hermes é um dos “menos olímpicos dos imortais”, pois gostava de se misturar com os homens. Zeus disse-lhe certa vez; -“Hermes, tua mais agradável tarefa é ser o companheiro do homem; ouves quem estimas”, ampliando-lhe, assim, as funções (companheiro do homem, dispensador de bens).

Regente das estradas, pois se locomovia com incrível velocidade, devido as sandálias de ouro que usa. Não se perdia na noite porque dominava as trevas. Para agradecê-lo ou para obter bons lucros, os viajantes lançavam pedras aos caminhos, em honra ao deus. A pedra tem, neste caso, um significado especial, simboliza a união do crente com o Deus, ao qual as mesmas características são consagradas; na pedra está a força, a perpetuidade e a presença do divino (protetor dos viajantes, das estradas).

Conhecedor dos caminhos, sem ponto fixo e sem morada definida, Hermes era mensageiro dos deuses entre si, é mensageiro entre estes e os homens. Realiza a função de psicopompo, conduzindo assim as almas dos mortos a Hades, e também trazendo-as à luz, quando solicitado.

É aquele que transmite toda ciência secreta. Não sendo apenas um deus olímpico, mas igualmente ou, sobretudo um "companheiro do homem", Hermes tem o poder de lutar contra as forças ctônias (terrenas), porque as conhece. Todo aquele que recebeu deste deus o conhecimento das fórmulas mágicas tornou-se invulnerável a toda e qualquer obscuridade. Aquele que é iniciado pelo luminoso Hermes é capaz de resistir a todas as atrações das trevas, porque se tornou igualmente um "perito".

Como dito anteriormente, Hermes, assim como o romano Mercúrio, o africano Exu, o egípcio Thot e o hindu Ganesha, representa o arquétipo do psicopompo.

Psicopompo é uma palavra que tem origem no grego psychopompós, junção de psyché (alma) e pompós (guia) e designa um ente cuja função é guiar ou conduzir a percepção de um ser humano entre dois ou mais eventos significantes.

Arquétipo que efetua a tarefa de revelar um símbolo ou sentido de orientação, necessário para a continuidade da trajetória individual de quem o encontra.

Este guia interior pode ser de natureza humana, (na mitologia grega como Ariadne), animal (coelho de Alice no País das Maravilhas) ou espiritual (como no caso de Hermes).

Quando nos encontramos em um estado de identificação unilateral com nosso ego e a vida consciente, podemos ser surpreendidos por eventos que desestruturam nosso equilíbrio emocional. Nessas ocasiões Hermes se fará presente, fazendo traquinagens a fim de restabelecer a integridade psíquica, levando o individuo a lidar com neuroses, somatizações e outras dificuldades psíquicas.

A capacidade desse Deus de lidar com os três níveis – o inferior, o terreno e o superior, o torna capaz de transitar e trazer mensagens destes planos. Em uma análise profunda, é capaz de trazer mensagens do inconsciente para a consciência, possibilitando que os conteúdos reprimidos (sombra) e o nosso lado não digno sejam elaborados e ressignificados.

Além disso, a capacidade de conduzir almas por estes planos o torna, sob o ponto de vista da psicologia analítica, um condutor dos seres em sua transmutação e em seu processo de individuação.
Portanto, a presença deste arquétipo é de importância vital para o processo psicoterapêutico e de individuação, uma vez que esse é um trabalho em conjunto de negociação entre inconsciente e consciente.

O ato de se tornar consciente, portanto, deve passar pelo nosso lado menos bonito, menos digno, aquilo que não agrada o coletivo e que constantemente desprezamos, mas que é extremamente necessário para entrarmos em contato com outros lados de nossa personalidade. Pois somente aquilo que evitamos é que pode nos curar! (Fonte de origem: Café com Jung)

Artigo acima de Hellen Reis Mourão
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores: Hellen Reis Mourão, março/20, Psicologia, Psiquê, Psiquê - Alma e Conhecimento

sábado, 14 de março de 2020

O poder feminino em ação


Imagem via Google - desconheço a autoria
          Autoconscientizar-se, permite a qualquer ser humano a ampliação de si mesmo em suas ações e desenvolvimento pessoal e com isso, a satisfação pessoal, sentido da vida, enfim. E no que tange a mulher, há algo que não pode ficar sem ser visto que é o aspecto do patriarcado como sistema vigente, mesmo que este seja sentido, apenas, inconscientemente (é o que estamos presenciando atualmente, mas não tão inconsciente assim, em nossa sociedade). É possível dizer que nós mulheres ainda estamos sujeitas a este sistema e nos deixamos escondidas em nossos potenciais e mais uma vez afirmo, se não de forma consciente, de forma inconsciente e em muitos aspectos. E fazemos isso, quando não vendo ou assistindo a nós mesmos, em consciência, não despertamos nossas potencialidades para uma ação mais efetiva nesse mundo e nos submetemos a certos padrões. Ainda nos submetemos a determinados papeis em detrimento de um pensamento que corre inconsciente, portanto, muitas vezes, velado e silencioso em nós e em nosso coletivo, oprimindo e boicotando sim, os potenciais femininos e em contrapartida, muitas mulheres. Esse boicote pode ser visto ou presenciado de forma concreta em nossas próprias ações (autoboicotes) ou mesmo em reações as mais diversas, daqueles que se encontram ao nosso redor, seja consciente ou inconscientemente, mas ocorrem. E não pense você, por se achar "moderninho" que não está sujeito a isso, pois, isso ocorre de forma enraizada em nós, de tal forma que sequer percebemos e negar isso, é o pior que podemos fazer. É preciso esse olhar expansivo, internamente ou em nós, para ver e muita coragem para admitir. Mas, admitindo temos a oportunidade de reverter a situação(homens e mulheres), mas sem a consciência disso, permanecemos a mercê desses comportamentos opressivos e, hoje, silenciosos, mascarados. Afinal, muito se sabe, hoje, sobre o assunto e como os complexos egoicos não perdem tempo, certamente, mascaramos aquilo que ainda nos é conflituoso e nada resolvido. Porém, eis que o inconsciente se encontra no leme da situação(saibam disso) e mostrando sempre o que está por trás de muitas ações bem intencionadas, mas cheias de um desejo sombrio de opressão - a nossa alma, trás a tona sempre aquilo que precisa ser limpo e curado, nada fica obscuro por muito tempo e ainda mais nos tempos de hoje. Sendo assim, fiquemos atentos às boas intenções, pois, as máscaras não vão se disfarçar de vilões não é mesmo? Vem mesmo é com cara de "bom moço". E esse “bom moço”, está em nós, dentro e também fora projetado, sintamos e nos presenciemos nesses papeis, nem sempre confortáveis de admitir e ver em nós mesmos, mas reais, muito reais. Presenciemos a nós e sintamos, para que de fato esse feminino, esteja mais ativo em nossa realidade e de forma criativa, unindo, integrando e não mais dividindo, separando como um lado oposto ao masculino e nem mais o masculino como oposto ao feminino. Sintamos! (Kátia de Souza - 14-03-2020) 

Reflexão a partir do artigo de Maria Helena Mandacarú Guerra - "Amor e Transgressão" (para acessar o artigo entre o no link:https://www.jungnapratica.com.br/amor-e-transgressao/?fbclid=IwAR0hG7JFlvjuDgj2ucwSQavllsu6ius6XETnfZLqmmHIgJ5-cSzRUhHDA-Y ).

Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores: Kátia de Souza, março/20, Psicologia, Psiquê, Psiquê - Alma e Conhecimento

quinta-feira, 12 de março de 2020

Diz aí, o que fazer?

Imagem via Google - desconheço a autoria
De onde vem a segura confiança do um
nasce também, algo controverso; 
versa o poema e a palavra inteira 
na inteireza desse momento 
construído pelo sentido que vê
na concretude do que vive, além do instante

É fato que não há "o comum" 
somos estranhos, desconhecidos, todos... e qualquer um
  
Vivemos realidades diversas e somos mundos diferentes 

Acreditamos na visão igual ou pelo menos, semelhante 
e na compreensão do que se vê, 
mas o que se vê não é o mesmo daquele outro 
quando vê o que você viu ...e aí, toda a confusão; 

Dois mundos em choque ou encontro 
cabe a noção ou compreensão das diferenças 
e “fazer acontecer” o conflito ou a comunhão 
decisão que nem sempre cabe aos olhos abertos 
então, na penumbra caminham nossos gestos 
crendo que comungamos e na verdade 
paralelizamos, na maior parte das vezes, tudo 
o que se comunga, não se sabe e não é pouco
mas tudo do paralelo se encontraria, comungaria
se nisso o vê pousasse... será?
não se sabe, pois, quando se souber, 
talvez não haja mais diferenças a contar
então, esses versos deixarão de existir e estarão por aí
no coração de todos, sem precisar desse dizer, todo

Convergir é algo que requer maestria 
e saber-se outro para ir de encontro ao que não é você 
ou deixar os choques, conflitos em si e ali fora 
também mostrar e a nós, dizer 

contudo, o que se faz 
quando na obra, completa e inteira 
jaz em si a ideia de confrontos 
e versa apenas vontades de encontros? 

então, diz aí, o que fazer?

(Kátia de Souza) 
12/03/2020 
( Pétalas nas Asas do Tempo)

Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores: Kátia de Souza, março/20, pétalas, Pétalas nas Asas do Tempo, poesia

terça-feira, 10 de março de 2020

"O nós"

Imagem via Google - desconheço a autoria 
está aí o pouco assistido em mim
a implic[ação] que me doo em versos permitidos
na verdade, paridos de mim

porque fecundo é o ventre, vaso inviolável pelo sagrado
e nisso parir... (sua natureza de trazer ao mundo)

tudo isso aqui, sim
para dizer do ser nesse "nós" nem sempre concebível
pois no todo inalcançável, não cabe a visão
não alcança a compreensão e entender, passa longe
afinal, distante é quando se põe grandioso,
por isso, traga o "nós"... 

... é nele todo esse sentido esquecido
este que cabe em tanto espaço... o todo
(o grande e o pequeno, o simples e o glamouroso,
suave e intenso, sutil e denso, eu e você)
sumindo, desaparecendo, para ficar um só, composto

chama para dentro ...e sinta
arde em ebulição essa voz que já sabes
dilui em solução aquosa antes, as pretensões
e quando explícito, polido raro[efeito] atingido
dito no viver já percebido
(acontecendo em cada rua, esquina,viela, alameda ou avenida; 
coisas que se perdem no infinito em nós e nas lembranças mantidas)

traga à mesa 
a cria desse sentido e permita o recriar
o brilho do "nós" iluminando ...e na luz
a moagem e o ressurgir do grão, 
sem nada separar... o verdadeiro, trigo!

Kátia de Souza 
10-03-2020
( Pétalas nas Asas do Tempo)
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores: Kátia de Souza, março/20, pétalas, Pétalas nas Asas do Tempo, poesia

sexta-feira, 6 de março de 2020

Talvez ...

Imagem - Kátia de Souza
Talvez você não veja, não sinta
e quando ouve falar, desacredita, duvida. 

Não viver certas cenas, dessa vida 
que não corre diante de uma plateia volumosa,
não quer dizer que não existam.

Talvez você não diz daquele jeito, 
ou fala como se fosse outra coisa, 
mas é o que é, 
e é dito de outra forma, a mesma coisa ...

...e talvez não exista para mais ninguém
somente para quem diz e vive
e daí?

por que precisa ser assim, a todos oferecido
algo que talvez a vida quis que fosse particular?

um, apenas um ...viver o que dela é
mas só se vê ou vive quando por aí se quer
e entregue se deixa 
e viver, é só o que lhe cabe

pra quê se dá tanto jeito para se fazer contrário?!
apartar-se, discordar e não crer,
desdenhar até, e desfazer ...

quanto trabalho, que cansaço, ah! Pra quê?!

e o vazio que nos resta diante do "não-saber"
é tão vasto para encontro
que é um desperdício usa-lo para os desacordos
e talvez ali, no segredo que a vida lhe concede
nesse espaço, haja tanto
que somente a você e mais ninguém cabe ser
e mesmo que você diga por aí, 
não, ninguém mais irá saber, como você

por isso, não perca tempo em apartar-se
desfazer-se ou desacreditar porque não aguenta esse vazio
saiba o que lhe cabe e em você, em mais ninguém.

tua alma, teu coração é aí, o tempo todo, ouça,
sinta, seja... viva. Consegue? Vê?!

Kátia de Souza
(06-03-2020)
(Pétalas nas Asas do Tempo)
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores: Kátia de Souza, março/20, pétalas, Pétalas nas Asas do Tempo, poesia

quarta-feira, 4 de março de 2020

O MITO DA CAVERNA por João Januário Martins

Imagem via Google
desconheço o autor da ilustração
O MITO DA CAVERNA

DESTACO: "Aquele que consegue se libertar (consciência cósmica) descobre que é o ‘senhor’ de seu próprio destino. Claro que paga-se um alto preço por esta ousadia, atrevimento, de discordar da grande maioria acorrentada.

Começa-se um caminho solitário de desconstrução, do desaprender, do desapego, para um 'renascimento espiritual' ou “morte do homem velho e renascimento de um homem novo” (Paulo). A partir daí, um eterno ‘vir a ser’, um eterno aprendiz. “Tudo o que sei é que nada sei – ‘maiêutica’ ou parto das ideias, ou busca da sabedoria” (Sócrates)."
.................................................................................
O Mito da Caverna - Platão

           O mito fala sobre prisioneiros (desde o nascimento) que vivem presos em correntes numa caverna e que passam todo tempo olhando para a parede do fundo que é iluminada pela luz gerada por uma fogueira. Nesta parede são projetadas sombras de estátuas representando pessoas, animais, plantas e objetos, mostrando cenas e situações do dia-a-dia. Os prisioneiros ficam dando nomes às imagens (sombras), analisando e julgando as situações.

              Se escapasse da caverna e alcançasse o mundo luminoso da realidade, ficaria livre da ilusão. Mas, estando acostumado às sombras, às ilusões, teria de habituar os olhos à visão do real: primeiro olharia as estrelas da noite, depois as imagens das coisas refletidas nas águas tranquilas, até que pudesse encarar diretamente o Sol e enxergar a fonte de toda a luminosidade.

         Vamos imaginar que um dos prisioneiros fosse forçado a sair das correntes para poder explorar o interior da caverna e o mundo externo. Entraria em contato com a realidade e perceberia que passou a vida toda analisando e julgando apenas imagens projetadas por estátuas. Ao sair da caverna e entrar em contato com o mundo real ficaria encantado com os seres de verdade, com a natureza, com os animais e etc. Voltaria para a caverna para passar todo conhecimento adquirido fora da caverna para seus colegas ainda presos. Porém, seria ridicularizado ao contar tudo o que viu e sentiu, pois seus colegas só conseguem acreditar na realidade que enxergam na parede iluminada da caverna. Os prisioneiros vão o chamar de louco, ameaçando-o de morte caso não pare de falar daquelas ideias consideradas absurdas.

O que Platão quis dizer com o mito

                Os seres humanos tem uma visão distorcida da realidade. No mito, os prisioneiros somos nós que enxergamos e acreditamos apenas em imagens criadas pela cultura, conceitos e informações que recebemos durante a vida. A caverna simboliza o mundo, pois nos apresenta imagens que não representam a realidade. Só é possível conhecer a realidade, quando nos libertamos destas influências culturais e sociais, ou seja, quando saímos da caverna.

                Estando o Ego no domínio, ao que a consciência coletiva determina de certo e errado. Presa e identificada a papéis sociais, a bens materiais, aos seus próprios complexos que determinam sua vida. Julga-se, ou tem a ilusão, de ser dono de sua própria vida. Mas na verdade está presa ao 'destino', a um círculo vicioso de ação e reação determinístico.

                Aquele que consegue se libertar (consciência cósmica) descobre que é o ‘senhor’ de seu próprio destino. Claro que paga-se um alto preço por esta ousadia, atrevimento, de discordar da grande maioria acorrentada.

               Começa-se um caminho solitário de desconstrução, do desaprender, do desapego, para um 'renascimento espiritual' ou “morte do homem velho e renascimento de um homem novo” (Paulo). A partir daí, um eterno ‘vir a ser’, um eterno aprendiz. “Tudo o que sei é que nada sei – ‘maiêutica’ ou parto das ideias, ou busca da sabedoria” (Sócrates). João Januário Martins (Jung Psicologia Transpessoal)



Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores: Carl Gustav Jung, João Januário Martins, Jung, Junguianos, março/20

terça-feira, 3 de março de 2020

As portas

Imagem: arte de Kátia de Souza
Fui pela escada e vi algumas portas se abrindo naquele corredor a meia luz, portanto, nada iluminado. Porém, faz muito tempo que deixei o monstro do guarda-roupa e aquele debaixo da cama, deitar-se ao meu lado e deixa-lo entre os lençóis quando por fim, saio. Por isso, e mais um pouco, adentrando as portas entre abertas, concebo o que vejo e permito, tal concepção, por encarar à luz clara de cada quarto, aquilo que até então, supunha e nem sempre à luz do meio dia, me propunha a ver. Então, vejo e vendo, digo que já se faz tarde para fazer coro ao que tanto nos somou e sequer nos propomos a ver ou ainda à sua causa nos doar, após, tanto receber. Este seria o melhor a se fazer, dar-se inteira e completamente em doação em prol daquilo que a nós concede, silenciosamente, sem nada solicitar em troca, mas enfim... aos olhos vendo, tudo fica mais fácil dizer. Então, que assim seja, nesse agora e que a ela, seja eu, sua completa e inteira, doação. 
(Kátia de Souza)
03-03-2020
( ®Pétalas nas Asas do Tempo)
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores: Kátia de Souza, março/20, pétalas, Pétalas nas Asas do Tempo, poesia

domingo, 1 de março de 2020

Palavras de avó: quando uma mulher estiver triste o melhor a fazer é trançar o seu cabelo

Imagem via HAIRSTORY
desconheço a autoria
Palavras de avó: 
quando uma mulher estiver triste o melhor a fazer é trançar o seu cabelo


          O texto é de Paola Klug, escritora e bruxa da palavra, com tradução de Rui Sá:


          "A minha avó dizia-me que quando uma mulher se sentisse triste, o melhor que podia fazer era entrançar o seu cabelo; de modo que a dor ficasse presa no cabelo e não pudesse atingir o resto do corpo. Havia que ter cuidado para que a tristeza não entrasse nos olhos, porque iria fazer com que chorassem, também não era bom deixar entrar a tristeza nos nossos lábios porque iria forçá-los a dizer coisas que não eram verdadeiras, que também não se metesse nas mãos porque se pode deixar tostar demais o café ou queimar a massa. Porque a tristeza gosta do sabor amargo.

          Quando te sintas triste menina- dizia a minha avó- entrança o cabelo, prende a dor na madeixa e deixa escapar o cabelo solto quando o vento do norte sopre com força. O nosso cabelo é uma rede capaz de apanhar tudo, é forte como as raízes do cipreste e suave como a espuma do atole.

          Que não te apanhe desprevenida a melancolia minha neta, ainda que tenhas o coração despedaçado ou os ossos frios com alguma ausência. Não deixes que a tristeza entre em ti com o teu cabelo solto, porque ela irá fluir em cascata através dos canais que a lua traçou no teu corpo. Trança a tua tristeza, dizia. Trança sempre a tua tristeza.

          E na manhã ao acordar com o canto do pássaro, ele encontrará a tristeza pálida e desvanecida entre o trançar dos teus cabelos…"

fonte original do texto acima: (https://www.cadaminuto.com.br/noticia/354894/2020/02/28/palavras-de-avo-quando-uma-mulher-estiver-triste-o-melhor-a-fazer-e-trancar-o-seu-cabelo?)
e via página Lúcia Helena Galvão, no facebook - https://www.facebook.com/luciahelenapoesia/
.........................................................
          Indiscutivelmente, as tradições capilares mais ricas foram sustentadas  desde suas origens,  na África. As culturas tribais dotavam os cabelos de significado espiritual e imenso poder. Como a parte mais elevada do corpo, acreditava-se que o cabelo era o canal para deuses e espíritos alcançarem a alma. Os cabeleireiros eram membros de confiança da sociedade, mulheres idosas, familiares ou amigos íntimos com os quais os laços tribais podiam ser cimentados, e os rituais de preparação costumavam durar várias horas, até vários dias.

          Como a parte mais elevada do corpo, acreditava-se que o cabelo era o canal para deuses e espíritos alcançarem a alma. 

          Torcer, trançar, enfeitar e arrumar também forjaram laços significativos entre idosos e crianças, e as técnicas tradicionais foram assim transmitidas ao longo de gerações. Os costumes de trança eram serviço ritual e social, mas não exigiam recompensa ou pagamento; de fato, foi azar oferecer agradecimentos.

          Cabelos soltos podem indicar falta de higiene e arrumação, enquanto o cuidado com a saúde mostra boas maneira; cerimônias para os mortos são o único momento aceitável para deixar os cabelos soltos. Na prática, o fogo e as danças de fogo costumam fazer parte dos rituais sociais, e o cabelo trançado o mantém mais protegido das chamas.

          Os detalhes variam de tribo para tribo: as mulheres Mangbetu entrançam os cabelos e organizam os cabelos em molduras de cestas em forma de cone decoradas com agulhas de ossos. As mulheres Miango decoram tranças com lenços e folhas. Os homens massai os enrijecem com esterco animal, e as mulheres himba misturam ocre vermelho, manteiga, cinzas e ervas para revesti-los; uma menina tem direito a apenas duas tranças e adquire mais uma quando se casa. Os homens Himba usam uma trança e amarram-na em um turbante após o casamento. As mulheres Mbalantu colocam casca de árvore e óleo finamente moídos no cabelo a partir dos 12 anos para ajudá-lo a crescer longo e grosso, e trançam-no em cocares elaborados ao longo de suas vidas. 


          As crenças tribais africanas comuns incluem: O cabelo deve ser cortado na lua cheia para que cresça mais; duas pessoas que trançam os cabelos de uma pessoa ao mesmo tempo podem resultar na morte de um cabeleireiro; as mulheres grávidas não devem trançar os cabelos dos outros; o cabelo não deve ser penteado ou trançado ao ar livre.

          Torcer, trançar, enfeitar e arrumar também forjaram laços significativos entre idosos e crianças, e as técnicas tradicionais foram assim transmitidas ao longo de gerações.




(fonte original das informações: https://www.hairstory.com/stories/2017/08/22/hairstudies-braids-dreads/)




Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores: março/20, Psicologia, Psiquê, Psiquê - Alma e Conhecimento
Postagens mais antigas Página inicial
Assinar: Postagens (Atom)

Pesquisa

Escritas.org

Quem sou eu

Minha foto
Kátia de Souza
Criciúma, Santa Catarina, Brazil
‎Minha formação é em Psicologia, e atuei na área desde 1998, principalmente na área da Psicopatologia. Faço atendimento, hoje, on line para adultos, principalmente, além de me dedicar ao trabalho como canalizadora no canal Céu e Raiz. Escrevo desde a infância, quando meu interesse por livros e a escrita ficou mais intenso e desde então, adquiri o hábito de escrever poemas e reflexões. No dia 14-06-2019, lancei meu primeiro livro de poesias - "A Musa" - inspirado sem dúvida em muitos amigos, experiências com a escrita, estudos e minhas inquietações íntimas. E esta é apenas uma forma de me ver, sentir e revelar onde os "arcanos" falam por mim, dizem mais do que qualquer palavra e por isso, o nome do blog é "Arcanos da Musa" (reflexos de uma alma, formas representativas de me revelar e sentir). Por agora, é só, mas o movimento não cessa e por isso, afirmo sempre - nada me define e tudo em mim agrego. Fiquem a vontade em meu escritos e sentires, através da escrita porque "quando as letras tocam um coração, é porque, elas, as letras, encontraram o rumo de casa".(Kátia de Souza)
Ver meu perfil completo

Livros publicados

Livros publicados
"A MUSA" e "UM DEDO DE PROSA pra quem tem MÃO CHEIA"

Nas redes sociais

  • Redes sociais - links na Bio

Destaque

SACOLAS PLÁSTICAS VAZIAS

🦋Temo os sonhos da atualidade porque me deparei com meus sonhos e os vi ocos, sem sustento para se manter - só eu sonhava, não havia "...

Mais visitada

  • A velha e a moça
    (Reprodução/Reprodução O que você enxerga nesta imagem? Uma moça com o rosto virado ou uma senhora com cabelos cobrindo os olhos? A...

Arquivo do blog

Marcadores

  • Amor
  • Arcanos
  • Arcanos da Musa
  • Carl Gustav Jung
  • Carlos Medeiros
  • Céu e Raiz
  • Debbie Ford
  • Friedrich Nietzche
  • Jeff Foster
  • Jung
  • Kátia de Souza
  • Musa
  • O lado sombrio dos buscadores da luz
  • Platão
  • Psicologia
  • Psiquê
  • Psiquê - Alma e Conhecimento
  • Pétalas nas Asas do Tempo
  • Religião
  • Rumi
  • Setembro/2019
  • Sócrates
  • Verdade
  • alma
  • caminhos
  • clarice lispector
  • conhecimento
  • conto
  • curso imprevisto
  • daimon
  • escrita
  • espiritual
  • espiritualidade
  • freud
  • interno
  • luz
  • mensagem
  • mistério
  • os meninos
  • outubro/2019
  • poesia
  • projeção
  • pétalas
  • reflexões
  • silêncio
  • sombras
  • sussurros
  • voz
  • íntimo

Denunciar abuso

Tema Espetacular Ltda.. Imagens de tema por ozgurdonmaz. Tecnologia do Blogger.