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domingo, 26 de abril de 2020

Por saber

Arte de David Belliveav
A travessia é miragem de quem vê 
É este que trafega a criar para tão somente ver 
Experiência que não se sabe se vem da vontade 
Se a vontade é algo que se diz ou se cria 
Se nela mora o “é” que transpõe qualquer fotografia 

A inconstância, impermanência e ondulações 
Não são defeitos incompletos 
São variantes, na mesma composição 

Queremos o defeito, 
O emaranhado dos fios para tecer 
Queremos as garras de se apegar para ser 
Quando ser é nada de se ver 

E quando o nada foi capaz de se conter? 
No peito daquele que quer ser? 

Ah é vaga, destruidora de conceitos 
De tramas tão perfeitas 
Digitadas por tantos dedos 
Labuta nossa desenfreada 
Mas, já não pode deixar de ser 

Não ao não-saber 
E a tudo que não cabe e por conter 
essa é nossa fala
silenciada nos porões desse viver

enquanto intocada é a semente
que se faz "vazio" e também se cala, 
Mas é inato e por saber!

(Kátia de Souza - 26-04-2020)

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Rotundum em nós

Imagem via Flickr
desconheço a autoria
Como te recebo se nada sei de ti? 
Como saber-te se só me vejo ali? 

É tanto que se interroga que deixa à porta 
a ação do ser, enfim ... 

mas foi nessa reviravolta 
no contato com o que deixei à porta 
que te vi no ser que sou 

é uma redondilha, rotundum em nós, sim 

sentindo que versando, você como é, 
não sou sozinho e somos sem significado algum 
tão semelhantes e mais fundo, 
abandonamos as semelhanças para nossa igualdade, por fim 
que recomeça na infinitude do giro 

... essa estrada, nomeada como queiram 
a melodia de uma sonata no ar, pra mim! 

(Kátia de Souza – 24-04-2020)

Esta coisa toda

Imagem via Google
desconheço o autor da imagem
é inútil tanta procura 
tanta dança e roupas 
que feito cartazes nos encobrem 

revelam, as partes pequenas 
singela clareza que não se levanta 
para que no ínfimo, pousemos 

sábia é esta coisa toda que se põe no simples 
no pouco ou quase nada 
pois, sabe dos males que sofrem o homem 
das grandezas que o ensurdece 

então, versa pouco em sua quietude 
quase nada 
apenas o bastante para a pequenina poção 
daquele que a mantém viva 

quem sabe assim estes olhos deslizem 
das avenidas e seus cartazes 
e viva no que de fato lhes pertence 
há de se ver, assim espero 
ou não mais
 
... mas, gostaria de ver! 

(Kátia de Souza - 24-04-2020)

Libero

Imagem via Wallpaperset
que não haja nuvem que me sombreie ... 

quero o largo e o vasto para ver 
e toda luz para não deixar parado, meus passos 
mas vou ... 

e nesse agora, de mãos soltas, libero 
largando o intento, mais um... e sim, 
sem alento ... 

mas, como a real premissa do homem 
não é mais ele mesmo, sigo adiante 
e que se aquiete todos estes que me habitam 
quero em mim, o que não é e o que é 

...minhas linhas e toda guarida!

(Kátia de Souza - 23-04-2020)

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Um mito moderno sobre coisas vistas no céu (Carl Gustav Jung)

UM MITO MODERNO SOBRE COISAS VISTAS NO CÉU 

(Obras completas de c. g. jung - volume x/4 
editora vozes, 2ª. edição petrópolis, 1991) 

PREFACIO 

É difícil avaliar corretamente o alcance dos acontecimentos contemporâneos, e é grande o perigo de que o julgamento se prenda à subjetividade. Por isso, estou ciente do risco que corro, ao empreender a tarefa de expressar minha opinião sobre certos acontecimentos contemporâneos - que julgo serem de grande importância - àqueles que tenham a paciência de me ouvir. Trata-se daquela notícia que chega até nós de todos os cantos da Terra; daquele boato sobre corpos redondos que percorrem a nossa troposfera e estratosfera e são chamados "saucers, pratos, soucoupes, discos, Ufos (Unidentified Flying Objects) e OVNIs (Objetos Voadores Não Identificados)". Como já disse, este boato ou a existência física destes corpos parece-me tão importante, que novamente me sinto na obrigação de dar um grito de alerta, como já o fiz anteriormente, naquela época em que começavam a se desenrolar os acontecimentos que iriam atingir em cheio a Europa. Sei muito bem que, como então, a minha voz é muito fraca para ser ouvida por muitos. Não é a presunção que me impele, mas sim a minha consciência médica que me aconselha a cumprir com o meu dever de preparar aqueles poucos que podem me ouvir para os acontecimentos que estão reservados à humanidade, e que significam o fim de um éon (era). Como já sabemos, através da história do antigo Egito, são fenômenos psíquicos de transformação que acontecem sempre no final de um mês platônico e no início do mês subseqüente. Ao que parece, são modificações na constelação das dominantes psíquicas, dos arquétipos, dos "deuses", que causam ou acompanham transformações seculares da psique coletiva. Esta transformação tem alimentado dentro da tradição histórica e deixado as suas marcas. Primeiro, na transição da era de Touro para a de Áries (Carneiro). Logo depois da era de Áries para a de Pisces (Peixes), cujo início coincide com o surgimento da era cristã. Agora, estamos nos aproximando da grande mudança que pode ser esperada com a entrada do equinócio da primavera, em Aquarius (Aquário). 

Seria leviano da minha parte, se eu quisesse esconder do leitor que pensamentos deste tipo não somente são extremamente impopulares, como também se aproximam perigosamente daquelas fantasias confusas que assolam os cérebros de adivinhos e reformadores do mundo. Preciso correr o risco, pondo em jogo a minha fama de ser honesto, confiável e capaz de julgamento científico, que com tanto esforço conquistei. Posso garantir aos meus leitores que não me sinto à vontade para essa tarefa. Para ser sincero estou preocupado com a sorte daqueles que são surpreendidos por esses acontecimentos sem estarem preparados para tal, ficando à mercê daquilo que não podem compreender. Já que, até onde vão meus conhecimentos colhidos de várias fontes, ninguém se viu sensibilizado a examinar e dar ênfase aos possíveis efeitos psíquicos dessa previsível mudança astrológica, sinto-me na obrigação de fazer, neste caso, o possível - dentro dos limites das minhas forças. Assumo esta tarefa ingrata com a esperança de que o meu cinzel se desvie da dura pedra que ele atingirá. 

Há algum tempo, escrevi um pequeno artigo para o jornal Weltwoche expressando meus pensamentos sobre a natureza dos "discos voadores". Cheguei à mesma conclusão expressa no relatório extra-oficial que pouco depois foi publicado, de autoria de EDWARD J. RUPPELT, ex-chefe do Bureau americano encarregado da observação de OVNIs.3 A conclusão é: vê-se alguma coisa mas não se sabe o que. É até difícil, quase impossível, fazer-se uma idéia clara destes objetos, pois eles não se comportam como corpos, mas são etéreos como pensamentos. Até agora não existiam provas que não deixassem dúvidas sobre a existência física dos OVNIs, exceto aqueles casos com eco de radar. Sobre a confiabilidade de observações deste tipo, tenho conversado com o professor MAX KNOLL, um especialista neste campo e professor de eletrônica da Universidade de Princeton e da Faculdade Técnica de Munique. As suas revelações não são muito encorajadoras, se bem que pareçam existir casos autênticos em que observações visuais foram confirmadas pelo radar. Chamo a atenção do leitor para os livros do Major DONALD KEYHOE, que em parte se baseiam em relatórios oficiais e nos quais se evitam especulações sem fundamento, falta de crítica e preconceitos, típicos de outras publicações.4 A realidade física dos OVNIs permaneceu por mais de uma década como um assunto muito problemático que não pôde ser definido em sentido algum com a desejável clareza, embora nesse ínterim se tenha acumulado um vasto arsenal de experiências. Quanto mais tempo perdurava a insegurança, mais crescia a probabilidade de que o fenômeno, evidentemente complicado, tivesse, além de um possível fundamento físico, um importante componente psíquico. Isto não é de admirar porquanto se trata de um fenômeno aparentemente físico que por um lado se destaca pela freqüência com que acontece, e, por outro, pela estranheza, desconhecimento e até mesmo contradição da sua natureza física. 

Um objeto deste tipo desafia, como nenhum outro, a fantasia consciente e inconsciente. Uma produz suposições especulativas e estórias inventadas, e a outra fornece o fundo mitológico que faz parte destas observações excitantes. Daí resultou uma situação, na qual muitas vezes não se podia saber ou reconhecer, nem com a maior boa vontade, se uma percepção primária vem seguida de um fantasma, ou, ao contrário, se uma fantasia primária que está se desenvolvendo no inconsciente assalta o consciente com ilusões e visões. O material, que até hoje, ao longo de dez anos, chegou a meu conhecimento, apóia ambas as formas de consideração: num caso, um acontecimento objetivamente real, isto é, físico, dá motivo à criação de um mito que o acompanha; no outro, um arquétipo originou a respectiva visão. A estas interações causais acresce uma terceira possibilidade: a de uma coincidência sincronística, ou seja, acausal e significativa; problema que tem preocupado constantemente os espíritos, desde GEULINCX, LEIBNIZ e SCHOPENHAUER.5 Esta forma de observação se impõe especialmente quando se trata de fenômenos relacionados com processos psíquicos arquetípicos. 

Como psicólogo, não disponho de recursos que contribuam para a solução do problema sobre a realidade física dos OVNIs. Por isso, posso incumbir-me somente do aspecto psíquico, que sem dúvida existe, dedicando-me a seguir quase que exclusivamente os fenômenos psíquicos concomitantes.
(Carl Gustav Jung) - ®Psiquê - Alma e Conhecimento

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Perfeita incoerência

Arte de  Gennady Privedentsev

Existe uma relação perfeita em sincronia que não se estabelece em tempo linear onde “eu e você”, nos encontramos. E nos encontramos em expressões perfeitas, mas nem sempre coincidentes, contudo, sincronicamente, iguais ou pelo menos, semelhantes. Este “eu e você”, é tão volátil que não se pode querer adorna-los em qualquer vaso, mas deixa-los fluir como a natureza dos mesmos, pressupõe. E é estando em ti que então, posso ter voz, e é me calando em mim, que ouço você. É, parece e é confuso mesmo quando estamos desse lado, não há sentido que se faça perceber compreensível mas, é disso que falo quando digo sobre a natureza de ambos – “eu e você”. Se deixarmos cada um ser em seus polos, fica sim, muito claro cada ponta desse fio. Porém, se permitirmos a integração ou interelação dos mesmos, tudo se perde em aparentes “dessignificados” ou “dessentidos”. O que nesse comum ou mergulho abrangente, e aparente indiscriminado estado proporciona, é um senso de liberdade tão imperfeito e ao mesmo tempo irracional que somente, desse lado onde se encontra, pode ser definido como insanidade. Mas, saiba, não é. É apenas uma questão de ver.(Kátia de Souza - 20-04-2020)

domingo, 19 de abril de 2020

Uma voz


Eu te pergunto gentilmente... por que queres me calar? De onde vem essa trama insensata em ti e aos teus ouvidos cobrir, com o que não importa ou com o que importa tão somente, a emoção que queres encobrir? Ei você, não vês que a vida se move nessa emoção também?! Não percebes que também te encontras, ali? Bem, não importa a mim, saber se sabes ou não, destas, que te habitam, é certo. Contudo, não posso me calar, não me concederam a vida a toa. Sou voz incessante a dizer-te quem és. Sou a chispa que incomoda, a cutucar teu íntimo e revelar certas faces encobertas por ti e disso mesmo, libertar. Sim, soltar as amarras que te prendem, estas, que te consomem e não queres ver. Sou eu, em ti e não outro alguém. Tenho um corpo determinado a mim, como foi dito antes. Portanto, tenho pés e ambos caminham em dois paralelos incompreensíveis ainda em sua totalidade, ambos querendo arrastar, a quem neles pisam, para as crenças, neles, determinantes. Mas, eu vi e, não posso mais deixar de ver. Vendo, percebo as intenções que nos levam a desaparecer em meio aos extremos desses paralelos e ficou dada a mim, justamente a mim que nada sou como voz, a missão de trazer esses polos distantes para perto. Como poderia dizer isso, de outro modo? Não há outro modo, somente eu e esse instante de ser, dizendo o que não pode se calar. Sei que consegues me ouvir, mas não em minha gentileza, me arrasta seja para lá ou para cá, estás aí, em seu polo sem perceber e é nesse tom que me ouves, não à mim em realidade. Vem, vem um pouco pra cá e verás com outros olhos, trará deste que te abriga, muito do que ainda é originalmente, teu. Mas, sinto em dizer e digo, gentilmente, não trará tudo a ti, mas tudo que é teu em verdade. Sabes, acostumastes às amarras e vê nas mesmas tuas saídas, porém, temporárias, são estas mesmas que te sufocam em outros tempos e sem querer admitir que vives nesses enlaces, vagueia feito alguém que nada sabe ou sabe tudo, por aí, sem ver ouvindo, mas sem dizer ou confessar a ti mesmo quem és. Bem, não posso deixar de dizer, não posso me calar e sim, por vezes, grito e em outros momentos sussurro, mas sempre estarei aqui para quando em mim, quiseres aportar o verbo da aceitação. Meu nome? Bem, como dizer algo que não se tem, podes me chamar de “você”. (Kátia de Souza)
(19-04-2020)

sábado, 18 de abril de 2020

O que posso permitir


desconheço o autor da imagem
via Google
Queria lamentar pelo desarvoro de não saber-te e nisso, colocar tuas mãos em abandono. Mas, não lamento, apenas assisto... isto, é o que dá sorver o percurso e saber das coisas do fim e recomeço. O que era dor, sofrimento, lamentável nas curvas das vestes, deixa de ser para dar lugar às vistas que se abriram e vê toda a nudez e suas curvas engomadas arrastando-se pelas ruas. E não importa se pálidas, rasgadas, puídas, maltrapilhas, desbotadas, coloridas, bem postas, rígidas ou flexibilizadas, nada disso é o que se conta, nessa hora; seja a pé, de carro ou de arrasto, estarão todos lá, eu, você e aqueles que sequer beijamos a face, mesmo que seja para denunciar, apenas ignoramos, mas estão lá, e no mínimo deveríamos em nós conter. Então, não lamento; pego meus trapos e vou, assobiando aquela canção que não se desfaz nas membranas do ouvido e deixo que o vento leve, suas notas por aí e quem sabe, há de se ouvir essa pequenina parcela do que em meus passos posso permitir! (Kátia de Souza)
(18-04-2020)



Em casa

image: desconheço o autor - via Google
Estou de volta e em casa; a porta aberta no sempre que lhe cabe, vidraças baixadas reluzem o céu coroado de nuvens. E é na lembrança que moram as nuvens ou nestas, moram aquelas, sei lá! Mas, há lembranças e há nuvens, no mesmo tom, pousadas no anil do céu. É bom de ver que elas moram ali e meus pés no chão a pisar, de casa, é só regozijo... porto seguro de mar, mas é. Sei das ondas, da maré e também das espumas na areia a amortecer a aridez. É bem bonito matar a aridez assim, em meio às brancas espumas de um mar em ondas. Contudo, estão lá também as nuvens a lembrar de que, da morte só se tem a vida, então, nenhuma aridez deixou de existir, apenas adormece na espuma e no branco que compactua com o céu em seus tons e nuvens. Elo imprevisto, mas sentido; como pode, do chão, de areia e águas compor o céu em nuvens que lembram? Estamos todos esquecidos ou desejantes por esquecer, mas quem tem lar em sua casa, há de se lembrar, há de ver que toda branca espuma amortece sim, a areia e nela, mora o céu em nuvens que não nos permite dizer, que só há um, quando em tantos, moram nossas lembranças. É... passo adentro, estou em casa e verso tudo o que na algibeira recolhi de você. (Kátia de Souza)
(18-04-2020)

Passeios úmidos

Arte de Catrin Welz-Stein
Quero um bando de pássaros rodeando o castelo 
e todas as janelas abertas para o além de mim 

Sei que não sabes por onde passeio 
e também se a passagem é visível a ti, 
contudo, quero ... 

As asas farfalhando e os cantos bendizendo 
o que não vi por aqui 

Sei que nas longínquas paragens há de se ver 
nos olhos dos homens o prazer de se ouvir 

E enquanto a distância não se aperta 
fico a mercê das janelas 
e desses cômodos todos por ali 

Passagem aberta, 
portas entreabertas 
esperando as mãos que sim, hão de abrir, 
pois, na inquieta porção desses dedos 
há milhões de vozes a chamar por si 

Estou indo 
nas ancas do pensamento 
para acordar precisa, quieta e no colo 
desses sopros tão úmidos em mim! 

(Kátia de Souza) 
18-04-2020

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Sobre as previsões no início de 2020 (para refletir, sobre o momento atual)




2020 será regido pelo Sol

por Eunice Ferrari(trecho)

Pelo nosso calendário, o Gregoriano, o Ano Novo começa no dia 01 de Janeiro. No entanto, pela astrologia, o ano começa no dia 20 de Março, quando o Sol entra no signo de Áries no Hemisfério Sul e em Libra, no Norte.

Em 2020 acontecerá por volta da 1h30 e chega sob uma intensa conjunção de quatro importantes planetas em Capricórnio, a saber: Saturno e Plutão, que já caminham juntos há dois anos, além de Marte e Júpiter. Essa conjunção de quatro importantes planetas é extremamente importante e, por isso, vale um artigo falando somente nisso.

2020 será regido pelo Sol, o luminar que desde tempos remotos é reverenciado como o doador de vida, aquele que nos alimenta de energias. Os deuses solares, nas muitas mitologias, estão relacionados com a fertilização da Terra. O Sol é um luminar que traz em si o arquétipo masculino; tem a ver com o pai, o avô, o marido, o irmão, na formação do ego. Ele define a "jornada do herói", nossa jornada de crescimento e luta diante dos desafios da vida. Por isso o Sol é progressivo, é um princípio que está sempre ativo, dinâmico, nos empurrando para frente, para o crescimento e consciência. Sempre estamos em processo de nos tornarmos, estamos sempre em progresso, nunca estáticos; tem a ver com conquistas.

Em um ano solar, ou seja, regido pelo Sol, somos empurrados para a descoberta ou aperfeiçoamento de nossa essência. Nos damos conta que não somos feitos apenas para trabalhar, comer, procriar e morrer. Teremos a oportunidade de nos aprofundarmos, de fazermos uma viagem na direção de nossa essência, até descobrirmos nossa identidade única, nosso destino pessoal, somos arremessados para um futuro desconhecido. Damos um passo à frente e aumentamos nossa percepção de que existe um propósito maior que envolve nossas vidas. 

Na verdade, a vida prática nada tem a ver com o Sol. Os acontecimentos e desafios de nosso dia a dia nos levam a mudanças profundas, que envolvem quem somos, nossa evolução e caminhada na direção de nós mesmos, de nosso verdadeiro "eu". O "eu" sim, tem a ver com o Sol. 
Um ano solar vai nos remeter a essa busca, de nós mesmos e damos um passo à frente em nosso processo evolutivo. 

O Sol é regente de Leão, o signo da criatividade, da busca da identidade, do coração, das paixões e do amor verdadeiro. O Sol é o maior astro do sistema solar e nos remete, muitas vezes, a exageros, portanto, precisamos estar todos atentos à falta de limites, a excessos.

O Sol tem a ver com nossa jornada na direção do sucesso, no "vir a ser", com a aquisição do poder, em seu melhor e seu pior. Portanto, este será um ano de luta nesse sentido, de metas e objetivos claros, de busca de conhecimento, autoconhecimento e consciência. Um ano que vai se alterar entre luz (Sol) e sombra (Saturno e Plutão).

domingo, 12 de abril de 2020

Não há como escapar


Imagem via Google
desconheço o autor
Tensa e a espreita, vasculho 
teu nome a me guiar... onde está? 
Talvez um sussurro, um vento brando 
presente, constante a chamar: 

“Saiba! Sinta! Viva! O que há ... 

Não há como escapar 

O cerco fechado não implica cela, 
prisão ou escravidão 
são laços de uma cor anil 
que voa na liberdade dos tempos 
invenções descabidas das polaridades 
deixou-me em somente partida 
e agora, invertida 
para que saiba da outra face 

Não cabe o intento ter-lhe como uma presa 
nem mesmo ferros aos pés, a arrastar 
Não se tem na face em campo aberto, 
o algoz ou ditador 
É dentro, todo esse horror 
e nele o belo a brotar ... 
À vista 
contempla, assista e vá ... 

Caminha ao meio... persista 
Não, não há como escapar 
O teu nome como o meu 
em ti é, a ditar ... 
semelhanças já ditas 
incrustadas até mesmo nas feridas 
sim, sou também, lá 
nas vias, nas ruas, nas paragens 
e em coragem, medo a vos coroar 

Veja, sinta... ao amor nada e tudo 
vaga e brechas sim, a se emancipar 
em meio as tramas, há como voar 

Não tema o pano que te cobre a vista 
nele, estão teu horizonte, teus pés e mãos 
a ti, em ti ...realizar 
a mim e também você, o que virá 

Não, não há como escapar!”

(Kátia de Souza em 12-04-2020)

sábado, 11 de abril de 2020

Eu só queria saber

Imagem via Google
desconheço a autoria
Eu só queria saber de onde vem esses contrários. Olho e vejo cada canto sobreposto, mas desiguais. E não é que é assim que se põe a dizer tudo isso; de um lado aquilo e de outro aquele outro. 

Até quando os polos ficarão sem se ver? 

Talvez, se no silêncio os lábios pousassem... talvez quem sabe dar-se-ia lugar aos olhos. 

Ah os olhos! Nada como ver! 

Quando se vê, se abraça e se colhe tudo por dentro. E chega um momento onde naquilo que se pousou se desfigura e toda a cara, vira rasura, desidentifica, mas fica, para ser o pouso, a asa e o porto. Tão lindo de se ver toda aquela coisa misturada e tão distinta em seus tons. É, mas vai explicar que não é bagunça, indiscrimina ou faz desaparecer... não dá, é pavor pra todo lado, todo mundo foge e negar é sem dúvida a melhor opção de quem sente pavor, ali dentro.
 
Não é possível explicar é preciso ir ali e ver; são dois que, "um de cada lado", fizeram esse terceiro em conjunto e agora, sobrepostos, porém, por semelhanças, agora é diferente, mas único. (Kátia de Souza)

Humano que se desfaz

Arte de Salvador Dali
humano que se desfaz nesse instante
veja-se no além dos limites que te deram
aceitando-os na cômoda questão de teu peito

nebulou a clara luz, na escuridão
e nela em face nua que te espelhas
transpondo o olho mágico das polaridades
assume hoje, tua outra face
em cinzas, coroados acolhe-te em ninho quente
cauteriza tuas dores em ferida aberta
traga tuas mãos limpas em consciência
e sopra as fuligens dos teus olhos

há mãos, olhos, assim como há cinzas e ardor
não te permitas mais as particularidades efêmeras
e reza tua letra em amplitude
tens a completude por sobrenome
tal força é inerente a tua existência

pensastes apenas naquilo que te dou
e não vistes o que em mim também é partida
então, une as pontas deste laço
e reverencia o humano que em ti renasce!

(Kátia de Souza)
11-04-2020

domingo, 5 de abril de 2020

É hora de sentir

imagem via google
desconheço o autor
é hora de sentir

se larga
desprende
desata
desapega
trás o pensar para cá
abandona-o em ti

nesse espaço largo que lhe propõe esta estrada
não dita, não apenas pensada... mas, sentida
no dentro que lhe cabe, vem

não aquele outro além ou a frente dos olhos
sussurrado ao pé do ouvido de outros tempos

não, mas

desse agora, outro que és... você

sinta na imprecisão que lhe doa a vida
nisto, verás toda a beleza em amor em ti, contida

por isso, 
solta, se aventura, se entrega... viva-se!

(Kátia de Souza) 05-04-2020

Todo coração é farto

via google
desconheço a autoria
todo coração é farto
a ele por si, não caberia expansão
nele toda expansão já é

então, nada se tem a ir
somente a permitir

quisera eu poder traçar os riscos no chão
mas múltiplos se compõe o universo
daí os multiversos versados sem precisão

os olhos
portas de cabeceira desse pedaço de horizonte
se pudessem ser ouvidos,
diriam nos limites ou margens:
"eis aí o sinal do adiante, nossa inteira vastidão"

semelhantes, nunca iguais
são estes caminhos diversos
infinitos no cardio-ilimitado espaço
vozes, ainda no silêncio,
mas, unas ou em comunhão!

(Kátia de  Souza) 05-04-2020

Toda voz

desconheço o autor da arte
via A mente é maravilhosa (site)
toda voz que quer ouvir, já fala
não há o que buscar ou meta de estar
já é e sempre foi

então, pra quê chamar, 
pensando querer outra coisa?

eis todos os verbos no exato som da tua voz
no preciso tom da tua casa
morada esta vasta, não cabe outra coisa
a não ser esse pouso que do silêncio faz, sua escuta
verse e caminhe segura
no portão dos pensamentos, jaz toda procura!

(Kátia de Souza) 05-04-2020

Teu jeito de ser

desconheço o autor da image
via google
recebido o regaço em traduções inteiras, tuas palavras

teus ares a soprar sobremaneira, as dunas, barreiras do olhar

toquei as linhas que delimitam espaços, só para adornar
compondo imagens, à nos nortear

vi as multiplicidades de línguas, me pus a falar

idiomas complexos, refiz meus léxicos, no partilhar

versar não é coisa de domo é do soberano 
que em si, ao centro se põe a mirar
trazendo consigo, na algibeira, é, sem precisar

então, que venham os passos, gestos e todo o caminhar

teu jeito de ser e a nós tocar!

(Kátia de Souza) 05-04-2020

sábado, 4 de abril de 2020

O assassinato do herói e nosso momento atual(refletindo com Carl Gustav Jung)

desconheço o autor da imagem
via Google
“Eu gostaria que vísseis o que significa o herói assassinado. Aquelas pessoas anônimas que matam príncipes em nossos dias, são profetas cegos, que representam nas coisas o que só vale para a alma. Através do assassinato de príncipes, ficais sabendo que o princípio, o herói em nós, está ameaçado. Se deve parecer um bom ou mal sinal, não nos vamos preocupar com isso. O que hoje é ruim, em cem anos será bom e em duzentos, novamente ruim. Mas, temos de reconhecer o que acontece: existem anônimos em vós que ameaçam vossos príncipes, o legítimo soberano.” (Carl Gustav Jung) 

“No trabalho de imaginação ativa, Jung teve uma visão onde o herói é assassinado e o mesmo transcorre esse trecho falando um pouco sobre essa visão e os acontecimentos da época, visando o inconsciente e os elementos que vamos deixando a mercê do mesmo; “elementos estes individuais que caem no inconsciente onde geralmente se transformam em algo de essencialmente pernicioso, destrutivo e anárquico. No aspecto social, este princípio negativo se manifesta através de crimes espetaculares como o regicídios, perpetrado por indivíduos de predisposição profética.” ((OC, 7§ 240 – “O eu e o inconsciente)”

Lembrando que o herói em nós, é este que acessa ambos os mundos, o das profundezas(inconsciente/irracional) e o da época(consciente/racional). O que, talvez Jung queira nos chamar a atenção aqui, é que, às vezes, aquilo que é referente a alma, apesar de ter seu simbolismo no mundo consciente, não pode ser tomado literalmente ou plenamente, como tal, focando nas coisas ou pessoas aquilo que é sentido interiormente, pois, nisto está envolvido elementos inconscientes individuais; aquilo que vem da alma ou é da alma requer um olhar além e não literal, e o literal acontece em função de dissociarmos, dividirmos esses aspectos, afasta-los e não integra-los, unindo-os para a devido equilíbrio e sabedoria no momento da ação.

A projeção de aspectos inconscientes nas coisas e pessoas retrata, em partes, a nossa dissociação e nisto, a nossa possível mobilização à integração – se nos tornarmos conscientes. Acho interessante também, nesse trecho, o quanto Jung, não se detém ao julgamento de “bom e ruim”, mas sim em analisar de forma ampla essa dinâmica psíquica considerando, talvez, que nem sempre aquilo que compreendemos ruim, é de fato ruim ou aquilo que compreendemos bom, é de fato bom.

Observação: Jung trás esse relato sobre o assassinato do príncipe também, em função de “assassinatos políticos eram frequentes no início do século XX. O fato específico a que se alude aqui é o seguinte: a 28 de junho de 1914 o arquiduque Franz Ferdinand, herdeiro do império austro-húngaro, foi assassinado por Gravilo Princip um estudante sérvio de 19 anos. Martin Gilbert descreve este fato que desempenhou um papel decisivo nos acontecimentos que levaram a eclosão da Primeira Guerra Mundial, como “um momento crítico na história do século XX”” (nota de rodapé em “O Livro Vermelho, p.140). 

O que sinto a partir disso, está relacionado a nossa tendência em polarizar as coisas em detrimento da alma ou vice-versa. Esta polarização, não favorece, ou melhor, traz sérias consequências ao nosso mundo, pois, dissociado, separado, a parte, sempre emergirá aquilo que ficou nas sombras sem ser visto e acolhido nessa balança e pode emergir de formas as mais diversas, inclusive de forma “perniciosa”, trazendo a aniquilação do “herói”. Talvez, somente talvez, aqui, fique um pouco claro, os quadros de esquizofrenias, onde o “herói”, se não morto, estará suficientemente ferido para não conseguir ir adiante em sua jornada de forma lúcida – equilibrada; ele, continua a transcorrer, sem dúvida, a sua jornada, mas de forma dissociada, pendendo apenas para um lado da balança.

Penso ainda sobre nossas projeções e o quanto, não percebemos ou somos conscientes, dos simbolismos envolvidos nas manifestações da vida, em nossas ações e nas ações de um coletivo; o quanto de simbolismo, é ali envolvido, e dessa forma, tomamos a parte pelo todo, tomamos as coisas da alma pelo espírito da época e dissociando algo, que pode ser um contributo a nossa ampliação de consciência e integração de certos elementos emergentes e que foram esquecidos ou negligenciados.

Sendo assim reflito: qual o simbolismo da pandemia e onde esses aspectos ou elementos desse símbolo está manifesto ou representado em nossas ações, enquanto coletivo? O que estamos fazendo com aquilo que este símbolo pandêmico está nos dizendo? Estamos ouvindo ou apenas nos debatendo sem a devida consciência? Estamos vendo que além do material, propriamente dito (espírito da época), existe algo a ser compreendido além? Mas é muito além mesmo e, profundamente em nós – mudança profunda eu diria porque ele saiu das cavernas e nos colocou na caverna – isolamento.

Sintamos e reflitamos sobre nossas ações atuais, nossas emoções e posturas que estão emergindo e vejamos onde de fato está a questão a se conscientizar e ampliar. Normalmente, onde projetamos tudo isso que emerge nesse momento, é onde a alma grita para ser vista. Será que vamos continuar pensando como estamos pensando, permitindo que certas emoções continuem nas mesmas direções ou tomando o mesmo rumo de sempre? Não será nenhum efeito mágico que nos fará mudar a direção das coisas (não há nenhum salvador) esse salvador está dentro de nós mesmos, nossos recursos íntimos e os temos sim. Agora só depende de nós querermos mudar. Estamos mudando ou continuamos os mesmos? Será que não está na hora de usarmos dos recursos que temos para a devida integração das coisas? Não, não acontece naturalmente, como pensamento ser, no sentido de “deixa rolar”; acontece por “vontade” íntima e verdadeira, sentida, desejada com as entranhas da alma. Talvez tenha chegado a hora de parar com as divisões e começar a integração, para não falar em união(palavra que gosto muito, mas não descreve exatamente o que quero, aqui). Integração é, para mim, onde certos elementos em nós se transmutam ou transformam, para unir-se a outros elementos. Estamos dispostos a nos desapegar de crenças em nós, coisas nossas em detrimento desse todo mais integrado? Bem, fica aqui minha reflexão e questionamentos para que sintamos. E sinto que temos um grande momento ou oportunidade para, realmente, fazermos a diferença a todos nós, nesse agora.  (Kátia de Souza)

Referência bibliográfica: "O Livro Vermelho" - Carl Gustav Jung